O combate a toda ordem de preconceito que fira a dignidade humana – como o racismo, o machismo, a LGBTfobia, o elitismo, a depreciação de portadores(as) de deficiências físicas ou mentais, de imigrantes ou refugiados(as) – recebe atualmente, com muito acerto, grande aplauso da mídia e dos meios acadêmicos.

No entanto, uma espécie de surto coletivo eclode, quando se trata de defender os direitos daqueles(as) que se dedicam à espiritualidade.

Decerto, há indivíduos decentes que, embora revelem dificuldades severas no campo da fé e da percepção do domínio espiritual, místico e paranormal, costumam ser discretos ao explanar seus pontos de vista, para não ferirem a sensibilidade devocional de religiosos(as).

Por outro lado, alguns(umas) detratores(as) da espiritualidade, a despeito de se declararem contra a opressão e o fanatismo (que, sem dúvida alguma, são maléficos em quaisquer setores da ação e do conhecimento humanos), apenas apresentam justificativas para atacarem, de modo pouco civilizado e mesmo irracional, tudo que não condiga com sua perspectiva materialista da realidade.

Não se apercebem, por exemplo, de que contradizem descobertas e conceitos avançados em física de subpartículas atômicas, inequívocos na constatação de que matéria e energia, tempo e espaço só constituem categorias isoladas de fenômenos quando observados do nível humano de cognição. Ignoram as comprovações exaustivas de que, em plano de profundidade, até objetos e acontecimentos aparentemente concretos esvaem-se num oceano sem bordas de informação, consciência e probabilidades infinitas de eventos.

Se essas criaturas infelizes e perturbadoras, mas que se julgam muito esclarecidas por contestarem o obscurantismo religioso (esse sim, um protesto válido e necessário, como dissemos acima), vasculharem suas memórias com isenção, detectarão um momento de capricho frustrado ou orgulho ferido que as fez denegarem a existência do(a) Criador(a).

Entrementes, por mecanismo de defesa da parte delas, a experiência “traumática” (nem sempre tão traumática, já que os alicerces estão fincados no ego e seus delírios pueris) amiúde sofre um quase imediato acobertamento psicológico, de maneira que não pode ser acessada facilmente, inclusive porque, de ordinário, os(as) apaixonados(as) pela negação não desejam, de forma alguma, flagrar-se em erro.

Quando não são atendidos(as) em seus pressupostos de verdade sobre como o Ser Supremo deveria agir, principalmente no que concerne a seus valores e interesses pessoais, tais negadores(as) renitentes então concluem simplesmente que Ele-Ela não existe, já que tudo que suas inteligências e corações mirrados não compreendem é tido, num átimo, como impossível – a ironia da estupidez e da ignorância geminadas à presunção e à rebeldia sem propósito confessável. Jamais admitiriam as próprias limitações em avaliar os eventos da vida e suas naturais contradições e complexidades… Deus é que, para esses caracteres iludidos e arrogantes, não deveria existir…

Camadas sucessivas e elaboradas de racionalizações são desencadeadas após o episódio gerador de sua resistência aos assuntos espirituais, mas os pretextos que engendram para si lhes soam sempre muito plausíveis. Alguns sofismas niilistas, contudo, são tão emaranhados, inconsistentes e deselegantes, que lembrariam fantasias espalhafatosas de carnaval ostentadas numa cerimônia de gala. Ou seja, enquanto se supõem muito perspicazes por não aceitarem “crendices primitivas”, esses(as) incautos(as) passam por pernósticos(as) e ridículos(as), perante gente mais lúcida e madura que os(as) vê quais meras crianças emocionais, birrentas e sofridas, disfarçadas com uma pomposa pseudorracionalidade.

Não obstante, ateus(eias) que conscientemente se percebem como tais são muito mais honestos(as) – sobremaneira consigo mesmos(as) – do que significativa parcela da população que se diz teísta, mas cuja conduta denuncia problemas íntimos malresolvidos com o autêntico espírito de religiosidade.

Esses últimos psicotipos, ao se frustrarem com suas crenças de base frágil e infantil, comumente param no meio da formulação de suas impressões e, em vez de assumirem o próprio conflito com Deus e Seus Desígnios, transformam a negação da Transcendentalidade e do Sagrado em processos de ataque, velado ou expresso, a personalidades e instituições que Os representam, acusando de hipócritas ou fanáticos(as) todos(as) que portem convicção espiritual bem fundamentada.

De modo geral, os(as) contraditores(as) da espiritualidade sequer vislumbram a falta de lastro filosófico de qualidade para seus argumentos falaciosos, como também não notam, ironicamente, as contradições óbvias em seus discursos truncados pela carga exacerbada de emoções rasteiras.

Creem na existência abstrata da política e da economia, apesar de reconhecerem que ambas estão repletas de abutres do poder e de chacais das finanças. Mas, por descobrirem indivíduos de mau caráter ou com distúrbio mental no âmbito das atividades relacionadas à transcendência – como os há em quaisquer áreas de atuação humana –, logo se precipitam, sem o menor pudor intelectual ou escrúpulo moral, mesmo diante de plateias instruídas, em alardear suas conjecturas infundadas acerca da Divindade e dos universos amplamente evidenciados da paranormalidade e da espiritualidade.

Se a repressão da sexualidade, no correr dos séculos, causou tanto mal à humanidade, o que se poderia dizer, em termos de extensão e multiplicidade, dos horrores que decorrem da castração deste atributo humano fundamental: a tendência-necessidade de vivências devocionais e espirituais?

Não por outra razão, a humanidade terrena está à beira do apocalipse ecológico, nuclear, pandêmico etc. Perda de motivação para viver, angústia existencial, vícios de diversas naturezas, distúrbios mentais e suicídios se multiplicam, em quantidade astronômica, ceifando ou arruinando vidas aos milhões, década sobre década. Agora, a própria civilização periclita, na iminência de resvalar no precipício da autoextinção.

Urge darmos um basta à corrente hipnose cultural que leva mentes mais suscetíveis a suporem que inteligência e instrução devam degringolar em cinismo e em zombaria com relação aos sagrados impulsos de reverência a Deus.

Que a patética e potencialmente genocida militância ateísta seja erradicada, em caráter de emergência.

Que os(as) antagonistas das práticas de cunho espiritual demonstrem, como o fazem quaisquer pessoas que não sejam psicopatas, um senso (mínimo que seja) de responsabilidade social e de respeito aos sentimentos de devoção ao Divino.

É exatamente a violação desses sentimentos tão profundos e essenciais que tem induzido, no correr de decênios sucessivos, legiões de almas sensíveis ao suicídio e ao desespero, como também tem provocado o desmantelamento de comunidades inteiras, fomentando, direta ou indiretamente, o aumento alarmante da probabilidade de colapso civilizacional… de destruição da própria espécie humana e de toda a biosfera planetária…

Eugênia-Aspásia e Matheus-Anacleto (Espíritos)
em Nome de Maria Cristo
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Bethel, CT, região metropolitana de Nova York, EUA
9 de julho de 2020