(Extratos de Mensagens Mediúnicas Pessoais – 32.)

Benjamin Teixeira e os espíritos
Gustavo Henrique e Eugênia.

É impossível, a uma pessoa que trabalha com a mediunidade diariamente, como eu, fazer um relatório completo de todas as experiências que vivencia, no trato com o mundo espiritual. Volta e meia, entretanto, os amigos do domínio extrafísico de existência solicitam que tragamos a público o cotidiano da prática de ponte psíquica interdimensões, com o intuito de favorecer o fortalecimento das convicções imortalistas de nossos leitores.

Quero relembrar, todavia, que minha função, como médium, é a educação em grandes medidas, pelos meios de comunicação de massa, de modo que apenas algumas pessoas mais chegadas a mim gozam da prerrogativa desta interação com os orientadores desencarnados, por uma circunstância de trabalho. Quem mais tem responsabilidades com a gigante nau do Salto Quântico, naturalmente, merece uma atenção mais particularizada dos bons espíritos.

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Não é muito comum, mas, ao ficar sozinho em casa, neste domingo, 20 de janeiro, após o almoço entre alguns pouquíssimos amigos íntimos, resolvi tirar a camisa, por conta do calor horrendo do verão no Nordeste brasileiro (o ventilador de teto e um outro, no chão, não estavam dando conta do serviço – risos –; só tenho refrigeração de ar em meu quarto). Deliberei, com cooperadores do grupo (por via eletrônica), algumas providências sobre ilustrações para a palestra da noite, e posicionei-me a psicografar. Eugênia, prontamente, à distância, falou:

– Percebe que está se sentindo desconfortável por estar despido da cintura para cima?

– Sim, sem dúvida –
confirmei com ela –; pudor excessivo, não?

– Não percebe quem está ao seu lado? – tornou a mestra.

Não; não vejo ninguém ainda, Eugênia (mas veio-me à mente a figura doce e muito casta de Irmã Brígida).

– Independentemente de perceber com maior clareza a presença no ambiente, por que não respeita sua intuição? (*1) – persistiu a mentora desencarnada.

Vesti a camisa, então, entre aliviado e contrariado.

– Disponha lápis e papel para nosso trabalho: serão necessários – continuou a orientadora da Esfera Sublime.

Normalmente, psicografo direto ao computador, teclando. Atendi a solicitação da preceptora espiritual. Ato contínuo, comecei a manuscrever uma missiva íntima para uma companheira encarnada. A autora, de fato, foi Irmã Brígida, a quem não havia percebido pela psicovidência (e só a ouvi até o fim da comunicação). De caráter exclusivamente pessoal, a carta não mostra nenhuma condição à publicação. Telefonei à amiga, li o texto que lhe prometi entregar, a posteriori, e retornei ao trabalho com os amigos do plano espiritual.

Foi quando ouvi a voz aveludada e paternal do adorável romancista desencarnado do Salto Quântico, Gustavo Henrique, que me pediu voltasse ao computador. Digitei, então, enquanto ele me ditava as palavras, a epístola de natureza pessoal que se segue – extraídos, embora, todos os elementos que feririam a privacidade da destinatária:

“Olá, querida menina; como está?

Estou muito satisfeito com os progressos havidos em seu trabalho consigo mesma, em vários sentidos:

1) (…)

2) Em família – você foi bastante feliz nas últimas falas com (…) e com sua mãezinha (…) (nas duas semanas passadas): quero parabenizá-la por isso, em função, sobremaneira, da excelente mescla de firmeza com doçura, tranqüilidade com assertividade.

3) Gostei muito, por outro lado, que houvesse se tornado mais serena em relação a seu futuro. Por exemplo, tem se permitido (como lhe ocorreu reiteradamente nesta semana) meditar a respeito de possibilidades múltiplas e indefinidas, sem se afligir, aprendendo a confiar mais em Deus e em Seu Fluxo Perfeito de inspiração.

Encerrando, deixo-lhe aqui meu ósculo paternal, dizendo-lhe, em confirmação – de acordo com pedido feito hoje, pela manhã (*2) –, que, sem dúvida, continuo ouvindo-a e atendendo-a, conforme me permitem as limitadas condições evolutivas.

Servidor em Cristo (e seu pai postiço – como acertado entre nós dois),

Padre (‘pai’ em latim) Gustavo Henrique.”


Terminando de psicografar, telefonei para a amiga emocionada, ao outro lado do fio telefônico, e voltei à minha sala de trabalho. Socorro… água gelada para aplacar a sede! (risos). Quando retornei da cozinha (para encher o copo de água que sempre deixo ao meu lado – hábito saudável que trago da adolescência), ouvi a voz amorosa e serena do avô desencarnado de uma amiga querida:

– Benjamin, podemos escrever para (…)?

– Sim, claro – respondi.

– Mas eu prefiro que escreva à mão – pode ser?

– Sem problema – aquiesci de bom grado.

A mão começou a ficar veloz, enchendo inúmeras folhas de papel, como se o braço houvera se convertido em peça de uma máquina cujo comando vinha de outra parte que não meu cérebro – embora conhecesse o conteúdo que escrevia (no estilo clássico das psicografias semimecânicas, que Chico Xavier tornou célebre). Surgiu, destarte, outra missiva psíquica de ordem íntima, tocante e bela, mas tão repleta de elementos delicados e particulares, que não sobrou qualquer chance de ser trazida a lume. Telefonei para a amiga a quem era dirigido o texto de “além-túmulo”. Assim como as anteriores, a confreira ficou emocionada e agradecida às lágrimas (o que, obviamente, é muito natural, ante tal deferência do Domínio Superior de Vida), e postei-me, novamente, às ordens de Eugênia e dos bons espíritos sob seu comando. Neste comenos, em sua gesticulação comedida e majestosa de sempre, projetando, à distância, sua imagem e voz, a grande mestra espiritual encerrou a parte de correspondência pessoal da minha tarde de tarefas mediúnicas, com esta pérola de sabedoria pragmática (mais uma vez, alijado o conteúdo identificador do amigo que teve a honra de receber a atenção direta da inolvidável santa-orientadora):

“Chegou a hora de eu falar para seu amigo (…).

Diga-lhe que não é necessário se estressar com a questão ‘rendimento’ do trabalho. Este quesito está muito sujeito a avaliação preconceituosa, em função da hipnose da cultura hodierna, no plano físico, no sentido da ‘produtividade’.

O busílis, entrementes, é o conceito de produtividade. Seria a utilidade ao bem comum? E a utilidade pode ser medida mais em termos de quantidade de resultados ou de qualidade destes? E como definiríamos um resultado como superior ou inferior? Quem produz mais(?): a fábrica ou a universidade, o laboratório ou o templo religioso?

Atente-se, querido amigo, para não incorrer em falhas de percepção características de nossa época de esquizoidias coletivas. Você não é um relapso negligente de suas responsabilidades. Muito pelo contrário: dispôs-se a tudo largar, pelo ideal, pela fé, pela vocação, pelo serviço de amor ao próximo, à humanidade, à Espiritualidade. Logo, seu perfil de personalidade não comporta avaliações desta ordem de autodepreciação.

Feliz com seu trabalho, como sempre, mas lhe sugerindo não relaxe nas orações, o que, lamentavelmente, vem acontecendo nas últimas semanas,

Sua mãezinha e mestra espiritual,

Eugênia.”

A partir daí, dei início às tarefas de natureza coletiva, recebendo orientações do guia espiritual, filósofa da Grécia Antiga, com relação a publicações a serem feitas no transcurso desta semana.

(Mensagens recebidas e comentários redigidos pelo médium Benjamin Teixeira, em 20 de janeiro de 2008. Revisão de Delano Mothé.)

(*1) Mesmo os melhores médiuns – categoria em que não me incluo, lamentavelmente – percebem, no máximo, algo em torno de 20% do que acontece, na outra dimensão de vida, em seu derredor.

(*2) Todos os itens da carta mediúnica estavam fora de meu conhecimento e foram corroborados (tanto quanto os das outras) como precisos pela destinatária.

(Notas do Médium)