Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eustáquio.


Estás à beira de colapso nervoso, camarada, se pensas que podes pôr a humanidade a teu lado. Se alguém te condena por não te compatibilizares com seu modo de ser, problema da pessoa, não teu. Na medida em que, entrementes, julgas possível impor tua visão própria à maioria, tu é que és o desatinado.

Assim, agradece o ensejo de reflexão, humildade e mesmo de auto-corrigenda, sempre que te deparares com o ataque, gratuito ou pretensamente justificado. Alguém se inflama por te enxergar pontos falhos, olvidando tudo mais que fizeste e fazes de bom, para este alguém inclusive? Ignora a fúria do amigo enlouquecido e segue, fazendo teu melhor, focando o bem, esquecendo o mal, que o mal, ao tempo certo, por ele mesmo se diluirá.

Não almejes estar com a razão o tempo todo, nem seres tratado como alguém especial e amado sempre. Todos, aqui ou ali, são mal-vistos, desprezados ou mesmo injuriados, e, na maioria das vezes, injustamente. Portanto, se alguém não confia em teu caráter, e és bom amigo, quem perde? Se podes fazer o bem a alguém e este alguém te despreza, quem perde?

Se alguém frio te dá as costas, presta-te um favor: libera-te da sua presença nefasta, que, mais cedo ou mais tarde, custar-te-ia muito, tão mais quanto mais tarde, porque, assim, os laços de afeto e de compromissos implicados estariam mais arraigados, e o desenraizamento, por conseguinte, seria mais lesivo.

Por fim, lembra do fundamental: Não estás no plano físico, para curtir maravilhosa estação de férias, mas matriculado em curso avançado de trabalho e aprendizado, que não comporta muita facilidade e deleite. Destarte, entende como natural rajadas periódicas e mesmo um tanto dolorosas de adversidades, a fim de que te adiantes na escola-oficina da vida, para níveis progressivamente mais altos de excelência, de paz e de ventura.

(Texto recebido em 15 de julho de 2005.)