(“Maria Cristo – a Tese”, edição revista de 2009.)

[Segundo a Mestra Espiritual Eugênia, o Movimento Internacional de Ascensão do Feminino, no inconsciente coletivo da humanidade terrena, teve início simbólico com as aparições de Maria Santíssima (então denominada de “Nossa Senhora das Graças”) a Catarina Labouré. Observe-se a postura adulta, madura e dadivosa (por isso, voltando seu olhar para baixo) de um Ser Superior que tem poder por Si-Próprio, ou seja: por mérito pessoal justamente adquirido pela evolução. As imagens de Madonas anteriores a 1830 (quando Santa Catarina viu Nossa Senhora pela primeira vez) sempre A apresentavam de olhos voltados para Cima, com toda a linguagem não-verbal da “mulher-súplice-e-humilde” que depende de um Poder-Externo (diga-se: Masculino – Seu Filho Divino). Vale destacar, outrossim, a meia-lua sob Seus Pés, que indica uma serpente estilizada, um dos mais universais símbolos da Antiguidade para sabedoria, representando, por ser concomitantemente “algo” da Lua – metáfora arquetípica do Feminino –, que Maria Santíssima Se eleva por força de Sua Própria Sabedoria, numa versão que respeita, plenamente, Sua feminilidade, e não à moda que o patriarcalismo tem ditado, há milênios: uma sabedoria pragmática, de feição perpetuamente masculina, sem espaço a aspectos psicossexuais femininos, como estesia, intuição e religiosidade!…]

Em 9 de agosto de 1996, escrevi o primeiro artigo-ensaio com o título “Maria Cristo”. Curiosamente, era aniversário da explosão atômica de Nagasaki. Não me parecia estar publicando algo menos bombástico. Logo após compô-lo, levei-o a público, discorrendo sobre a tese, para uma pequena plateia (de, no máximo, cinquenta circunstantes), no intuito de fazer o primeiro experimento, com a reação das pessoas ao assunto. Silêncio completo e enigmático… algo que me fez frear a continuidade da divulgação, por aqueles dias. Engavetei a ideia, então, para que os anos lhe retemperassem os elementos constituintes, e os Bons Espíritos me inspirassem a reformular os conceitos, onde, eventualmente, pudesse haver equívocos.

Anos se passaram. Estava há apenas seis meses com o programa em rede nacional de TV, quando, aos 14 de janeiro de 2002, após uma noite insone e um dia inteiro de trabalho intenso, sob efeito de forte virose, na madrugada da segunda noite indormida – ou seja: com a mente quase colapsando as funções –, vi-me conduzido ao computador, teleguiado por uma Inteligência da outra dimensão de vida, escrevendo, compulsivamente e “sem pensar” (mal conseguia concatenar as ideias, no estado de exaustão em que me encontrava), começando pelo título do artigo, o que não me é comum em mensagens mediúnicas (*1):

“O Maior Buda de Todos os Tempos”, de autoria do Espírito Temístocles – um dos brilhantes (na minha opinião) Orientadores Espirituais de nossas atividades, capitaneadas pela bondosa e sábia Eugênia. Com a experiência de duas décadas de trato diário “técnico” com a ferramenta mediúnica, posso asseverar que aquela situação de profundo abatimento psico-orgânico foi propositalmente aproveitada (se não provocada), a fim de que minha mente (com suas opiniões, prevenções e paradigmas) interferisse o mínimo possível, na recepção, em linhas gerais, da tese Maria Cristo. Em 1996, sob inspiração, mas não propriamente psicografando, havia sido proposto que Maria seria partícipe, ao lado de Jesus, da natureza Crística, em regime de igualdade com Seu Filho Amantíssimo. Mas aquela teoria de 2002 – de Maria ter sido o Maior Buda (ou Cristo) que já reencarnou na Terra – era, no mínimo, revolucionária, e, para mim, em princípio, chocante. Ela, em outras palavras, teria sido, pela condição de destaque hierárquico evolutivo, a Mentora de Jesus! No entanto, mesmo neste particular mais “escandaloso” – digamos assim – do estudo, foram de pronto apresentadas, já naquele primeiro ensaio, diversas passagens bíblicas, endossando a tese, como acontece neste opúsculo (pequeno no tamanho, mas não na importância do que defende), mais minuciosamente.

Se, entretanto, eu havia posto “de molho”, pelo transcurso de seis anos, a tese Maria Cristo – em sua versão mais modesta e pudica de 1996, que equiparava Maria a Jesus –, para que o tempo chancelasse ou denegasse conceitos que fossem impróprios, ali expostos, mais ainda me senti, em 2002, compelido a “engavetar” a nova “teoria”, quando se afirmou a supremacia de Nossa Mãe Santíssima sobre Seu Filho, Nosso Senhor Jesus.

Em novembro de 2004, contudo, os Bons Espíritos me incumbiram da tarefa de trazer a lume a tese, de modo mais formal e consistente. Dizer que entrei numa crise existencial foi pouco. Tão bom ficar falando apenas para minha terrinha e meus conterrâneos!… Tão confortável me ater a divulgar as ideias espíritas e tão-somente elas (ainda que numa abordagem moderna e controversa para meus confrades, em muitos pontos – eis por que, então, nos desligamos, eu e a Instituição, por ordem de Eugênia, do Movimento Espírita e de qualquer definição religiosa convencional, em dezembro de 2008), através da televisão, da internet e dos livros psicografados!… O novo empreendimento, por outro lado, era-me assustador, pelas implicações fortíssimas que carreava em seu bojo. Pôr em cheque um dos princípios basilares de dois milênios de história do Cristianismo (a saber: o de que Jesus é a Autoridade Espiritual máxima da Terra) soou-me, a dizer por baixo, estultícia e insensatez, ainda que os Mestres Desencarnados várias vezes asseverassem que a Autoridade de Jesus em nenhum momento estivesse sendo questionada, mesmo porque Ele seria o Porta-Voz d’Ela, sempre, como tem sido, no correr dos últimos vinte séculos – e não só d’Ela, como também do Conselho dos Cristos, presidido por Gabriel Cristo ou “Arcanjo Gabriel” (O Mesmo que anunciou a Maria o nascimento de Jesus; Aquele que era alcunhado de Pai, pelo Mestre, já adulto; ou, ainda, O que deu origem, através do profeta Maomé, ao Islã, no século VII) (*2).

Havia, chegado, todavia, a um ponto crítico de não me ser mais possível postergar o que sentia como dever de consciência, ante mim mesmo, diante de Deus e perante meus semelhantes. Orei para que os Bons Espíritos me desencarnassem antes de publicar o livro. Que Eles me convencessem, por qualquer meio, de estar errado, obsediado ou simplesmente desatinado. Mas, lamentavelmente, à medida que orava e tentava, por todos os expedientes, me pôr a descoberto ante minha própria consciência, em um enorme engano nas leituras mediúnicas, num sofisma bem urdido, pelos que são chamamos, nas incomparáveis terminologia e metodologia kardecistas de trato com a mediunidade (que continuamos a seguir, pela qualidade ímpar do Mestre lionês, no quesito comunicabilidade interdimensões, mesmo depois de nosso desligamento do Movimento Espírita formal), de “pseudossábios” desencarnados, a audaciosa proposição se mostrava progressivamente mais sólida e indiscutível, como, em muito poucos capítulos, estará apresentada ao(à) prezado(a) leitor(a), pela sapientíssima e santíssima Eugênia, que, sozinha, dá o acabamento final e assume a autoria da tese para o plano físico de vida.

Os capítulos 1, 3, 7 e 8 são os meus prediletos, sobremaneira os dois últimos. Um espetáculo invulgar de argumentação muito bem fundamentada – principalmente para os questionadores da fé no mundo espiritual, que se arrogam a condição de “doutores” do saber científico, para lastrear seus sofismas negativistas, asneiras mal-racionalizadas, contra religiosos e espiritualistas de todas as definições –, com um rigor de raciocínio legitimamente científico, e não cientificista ou pseudocientífico, como costumam se apresentar os ateus materialistas, detratores da fé na imortalidade da alma humana, na existência do Mundo Espiritual e, em última análise, na do Próprio Criador.

Uma particularidade desta Obra me chamou a atenção, à medida que ia sendo produzida, em parceria psíquica com a Mentora Espiritual: imaginava que este livro-tese seria um megacalhamaço, maçante como uma dissertação voltada ao público acadêmico, prenhe de referências históricas e científicas, e mesmo carregado pelos tons soturnos da erudição. Em vez disso, além de apresentá-lo em tamanho modesto, na minha limitada opinião, em considerando o caráter insólito e a revolução de conceitos que propõe, a grande Mestra Espiritual exorta o(a) leitor(a) ao engajamento numa – pasme-se: é isto mesmo! – campanha para salvar a Terra, que tinha tudo para soar delirante, infantil, megalomaníaca ou, simplesmente, inconsistente, mas que é brilhantemente delineada e respaldada pela Sábia desencarnada (que foi Aspásia de Mileto, fundadora de uma escola de filosofia na Grécia Antiga, mestra de retórica de Sócrates – isso dito por ele mesmo), com o auxílio de impressionantes referências à Física Quântica e ao novo paradigma das ciências: o Holográfico, sem contar as magníficas argumentações em prol da tese imortalista de vida (autorizo-me reiterar), discorrendo, com gênio e didatismo, sobre incógnitas do evolucionismo darwiniano e outras questões nas fronteiras atuais da vanguarda científica.

Creio necessário registrar, aqui (mormente pensando nos que não conhecem ainda a Autora Espiritual), que, além de sua passagem marcante pelo “século de Péricles”, levando o próprio Péricles a modificar a legislação em vigor na Atenas da época, sua pátria (cidade-Estado), para que pudesse ele desposá-la, a despeito da condição de estrangeira (Mileto era a famosa pólis d’onde surgiu ao mundo outro vulto famoso da antiguidade grega: Tales), o espírito Eugênia participou, no decorrer de séculos sucessivos, de uma “instituição” que, da Espiritualidade, dirige os movimentos filosóficos e ideológicos no nosso orbe – denominada, por alguns, de “Escola da Sabedoria” –, sendo que, em sua última existência, esteve entre nós na condição da santa vidente Bernadette Soubirous, aquela que viu Nossa Mãe Santíssima, na cidade francesa de Lourdes. Interessante notar ter ela trabalhado no campo filosófico por muito tempo, pedindo, por fim, em sua última passagem pela crosta, um cérebro restritivo nas aptidões intelectuais, na condição da vidente francesa, a fim de demonstrar apenas sua grandeza de sentimento, que a tornasse canal vivo da Mãe Celeste. Hoje, sintetiza a venerável Mestra as funções destas duas reencarnações passadas mais célebres (quão, coincidentemente, relevantes para seu histórico evolutivo), numa só personalidade rutilante, grandiosa e bombástica, vindo falar de Maria Santíssima, mas de modo elaborado, profundo e transformador, e não só tocante, qual o fez como Bernadette, ou apenas inteligente e sem um ideal mais elevado, como quando foi Aspásia.

Gostaria de deixar claro, neste intróito, que, de modo algum, deve o(a) estimado(a) leitor(a) sentir-se coagido(a) a aquiescer conosco, no que concerne à tese defendida neste livreto – não só porque Jesus continua sendo a Voz da Verdade para o mundo, o médium da Palavra Divina (tendo Maria sido convocada ao silêncio, por Sua condição feminina, em época de máxima opressão ao gênero feminil da espécie), mas também porque, se Ela não for quem Se revela nesta obra, Nosso Senhor nunca ficará “enciumado” com o culto à Sua Mãe, tanto quanto Nossa Senhora mesma jamais se aborrecerá, em sendo o Grande Buda, se alguém preferir continuar tendo Jesus como referencial maior de perfeição, quando Ela própria nos pediu seguirmo-l’O e fazermos tudo que Ele nos dissesse (João, 2:5 ). Curiosamente, não me lembro, em meus hábitos diários de oração, de ter invocado tanto a ajuda e inspiração do Nosso Mestre Jesus, quanto nestes últimos meses que antecederam a publicação deste opúsculo. Anuir ou não à tese é uma questão eminentemente de foro íntimo, cabendo-nos, tão-somente, respeitar e ler, com mente e coração abertos, as espetaculares e bem lastreadas exposições de motivos de Eugênia, já que, indubitavelmente, vivemos numa era crítica da história humana, com dramática carência do ressurgimento do Feminino Espiritual, sob risco de extinguirmos nossa espécie e toda a biosfera da face deste orbe, com os tão graves conflitos entre etnias, nações e blocos civilizacionais, além do contínuo ataque aos ecossistemas.

Por fim, quero lembrar, como costumo dizer em público, frequentemente (o que constitui tão-só meu dever e um traço de lucidez), no que tange a meu trabalho mediúnico, que todo erro que porventura se encontre neste título deve ser atribuído, exclusivamente, à minha pessoa e às numerosas limitações que me caracterizam, não só nos aspectos intelectomorais, quanto, mais ainda, na condição de intérprete dos Mestres desencarnados, para o mundo físico – pois que vejo limites muito estreitos em minhas aptidões mediúnicas, para a extensão de responsabilidades que me foram conferidas ante o vulgo, nesta área. Sinto-me, segundo já afirmei alhures, um indivíduo decente, bem-intencionado e até relativamente sensato, mas jamais me consideraria à altura de uma delegação desta envergadura de responsabilidade, de tal modo que, se não deneguei a realização da obra de intérprete psíquico da Sábia do âmbito extrafísico de vida, isso se deve a dois fatores: primeiramente, não me vejo em condições de avaliar-Lhe os motivos transcendentes; segundo, decerto, deseja Ela, conforme asseverou n’outra ocasião, com bastante ênfase, demonstrar, publicamente, que um ser humano comum pode realizar coisas incomuns, e que não é imprescindível ser uma alma santa ou iluminada, para refletir, ainda que com distorções óbvias, a Luz imarcescível da Espiritualidade Sublime.

Agradecido por sua atenção e pela honra de nos supor dignos de ser lidos,
Irmão em Cristo, Jesus e Maria Cristos,
Benjamin Teixeira.
Aracaju, 8 de julho de 2005.

(Revisão mediúnica, por orientação do Espírito Eugênia, em 17 de julho de 2009.)

(*1) Com Chico Xavier, acontecia isso também: os títulos dos artigos lavrados mediunicamente só costumavam aparecer depois de sua recepção psicográfica.

(*2) Para mais esclarecimentos sobre esta curiosa revelação, ouça ou leia a Carta de Nossa Senhora à Humanidade, em 2007, acessável neste mesmo site. Gabriel é o maior dentre todos os Cristos, na direção mística de nosso planeta. Entretanto, entre Os que chegaram a reencarnar, Maria Santíssima foi O mais evoluído d’Eles.

(Notas do Autor, para a edição revisada de 2009)

(Seguindo a interpretação artística do Espírito Eugênia, que retrata a evolução dos conceitos humanos, no terreno da discriminação histórica para com o gênero feminino, veja agora (em cotejo com a gravura que abre este Preâmbulo) Nossa Mãe Maior, como “Nossa Senhora da Conceição”: uma Imagem que traduz a fase anterior ao princípio da ascensão do Feminino, nos subterrâneos da mente coletiva da humanidade terrestre. Note-se a postura frágil e a expressão facial lânguida e infantil da menina-mulher dominada e suspensa pela Força de um Poder Masculino-Maduro – eis por que a Imagem de Deus-Pai com barbas brancas. Ela parece não ostentar qualquer mérito no movimento de subida, mas, sim, ser elevada, pela iniciativa de uma Potestade Viril que A atrai para Cima. Tudo isso, por não ser pensado e interpretado conscientemente, qual agora o fazemos, segue direto para a mente inconsciente. É o que os especialistas denominam de “mensagem subliminar”, altamente perigosa, com poder hipnótico, porque não filtrada pela mente racional-consciente, condicionando, portanto, mais facilmente, conceitos – diga-se: infiltrando prejulgamentos – em quem a recebe. Eis, assim, a importância de exegeses de mensagens imagéticas como esta, muito fomentadas pela sábia desencarnada, Autora Espiritual desta obra.)