Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Dê, sem esperar nada em troca. Toda forma de comércio de amor é nefanda, porque afasta o indivíduo do verdadeiro sentido da generosidade – aquele que diz respeito a se haver transcendido toda idéia de separação entre o tu e o eu. Não se precisa sacrificar nada para dar ao outro, porque simplesmente se vê o outro como uma continuação de si.

Supere o princípio da separatividade. Veja além das divisões primárias entre o eu e o resto do universo.

Sim, você deve evitar posturas patológicas de dependência emocional de quem recebe – porque tornar o outro dependente não é amar verdadeiramente, tanto quanto aquel’outras situações igualmente mórbidas, dos complexos de inferioridade confirmados por rejeições masoquistamente sofridas, já que não se consegue entender valorização de si senão na forma de se dar a quem não retribui.

Todavia, se está certo de haver transposto a escala das morbidezes basilares do espírito, gravite, seguramente, para as expressões mais subidas da alma: aquelas que tangem à transpessoalidade e que, portanto, revelam estar você adentrando um novo nível de consciência.

Sim, eu sei, você não tem grandes ambições da alma – mas deveria ter. E, por outro lado, o progresso do espírito é inexorável, de modo que se você atingiu as culminâncias do estágio de aprendizado humano, em que tem que dar as primeiras inequívocas mostras de amor incondicional, nada lhe fará fugir de tais provações, muito embora possa falir fragorosamente em todas elas, mas com estipêndio altíssimo para seu espírito.

Agora, que busca afinidades além do tatibitate do cotidiano, que quer exprimir sua personalidade além dos grosseiros e primários interesses imediatos do ego, pense, com coração, em ir além de si, e, no universo infinito do Alter Ego, onde até a Divindade reside, entregue-se, relaxe e siga o fluxo: Deus estará com você, como Companheiro Invisível mas sempre Presente, auxiliando-o, amparando-o, sustentando-o.

Você pode vencer a dura expiação da ingratidão e da descompensação psicológica e energética, se quiser. A verdadeira e duradoura felicidade vem de um sentido de plena auto-suficiência, que só pode ser alcançada por meio do total desapego de entes queridos, circunstâncias e posses materiais. Sendo assim, essa dor que lhe parece cruciante, pode ser, sim, lancinante, mas lhe está capacitando a ser feliz num plano realmente seguro de bem-aventurança e paz, sem estar sujeito às oscilações e rupturas imprevisíveis dos compromissos interpessoais. Portanto, em vez de estar vivenciando uma tragédia pessoal, pode estar sendo agraciado pela Divina Bondade, no sentido de adentrar um plano mais profundo de felicidade e paz. Cabe a você, tão-somente, fazer a leitura de sua situação, de modo a encontrar a glória em vez da desgraça. A opção, como sempre, é sua.

(Texto recebido em 30 de março de 2003.)