(Episódios com o professor Gerard – 4)

Era tarde da noite, perto do início da madrugada. Aproximei-me da atual residência de nosso caro professor Gerard.

Cumprimentei vários(as) tarefeiros(as) e assistentes, nos umbrais e nos primeiros compartimentos da Instituição viva de ação no bem em que se convertia qualquer lugar onde estivesse albergado nosso caro professor.

Em poucos minutos, habituado ao trânsito interno, no núcleo geratriz de nossa Organização-Movimento, estava diante de nossa venerável mestra Sophia de Aquitânia, que, sumária e imediatamente, revelou-me:

– Haverá o desvio e o arrefecimento da fúria de um novo furacão…

– Como? – perguntei, presumindo não haver compreendido corretamente o que ela pretendia dizer. Sabia que um ciclópico furacão recentemente havia sido afastado da região metropolitana de Nova York, de modo similar ao que ocorrera em 2012. E prossegui:

– A senhora quis dizer o que acabou de acontecer, repetindo o evento de oito anos passados?

– Não – sorriu, distinta e lacônica, completando: – outro, dentro deste mês ainda.

– Incrível! A mesma coisa? A alteração do trajeto de outro colosso meteorológico da região metropolitana de Nova York?

– Tentaremos. Mas vamos garantir, ao menos, que se afaste da localidade onde presentemente se encontra alojado nosso porta-voz encarnado.

– Necessário ocorrer outro fenômeno dessas proporções? – indaguei, ainda perplexo.

A nobilíssima mestra inspirou lentamente, e, quase em tom de desabafo, rememorou, balbuciando, olhar perdido no infinito:

– Nem com o Mestre Supremo encarnado, realizando um prodígio empós outro, direta e imediatamente, as pessoas se convenceram da Origem Sagrada do Discurso que Ele Mesmo corporificava. Não foi por outra razão que foi sentenciado à morte e executado de modo ignominioso. Imaginemos o quanto precisamos realizar, no sentido de conferir maior credibilidade às canalizações que fazemos, no plano físico dos dias de hoje, com mentes tão pejadas de incredulidade, ceticismo exacerbado e, em boa medida, lamentavelmente: cinismo ególatra, sobremaneira em torno de alguém que combate tantas formas de preconceito, simultânea e incansavelmente, década sobre década, sem a menor preocupação com a opinião que se faça dele. No entanto, defendemos, com um ardor especial, o nosso representante. Nossa Mãe Maior, Maria Cristo, pediu que providenciássemos o próximo evento, assinalando que mantém Sua Mão sobre nossa embaixada espiritual. Quer que distingamos o nosso Instituto dos(as) aventureiros(as) da religião reacionária, num extremo, e do esoterismo vulgar, n’outro.

– Incrível como a cascata de eventos extraordinários, em torno de seu mensageiro, é ignorada de modo quase blasfemo… Sem contar a obviedade ululante da qualidade das abordagens feitas sobre assuntos tão importantes… E nem podemos dimensionar os desmantelamentos terríveis, não raro de modo trágico e imediato, de caráter cármico, como seriam de se esperar, que acontecem nas vidas dos(as) que se colocam contra Esta Obra.

– Não é novidade, meu caro Gustavo. É esta humanidade terrena… Esta humanidade pela qual labutamos, há tantos milênios, no intuito de salvá-la da bancarrota completa. Estamos otimistas(as), entrementes, de que não serão tão sérios os cataclismos desta era apocalíptica, como poderiam ser, sem a Intervenção Superior da Mãe Santíssima.

– Graças a Deus que há, ao menos, a promessa de que o salvamento do orbe é um fato certo, não é mesmo?

Sophia pareceu distante, por um momento, como que absorta com visões do Empíreo. Aguardei, respeitosamente, porquanto nunca se sabe quando ela está em comunicação mais intensa com os Domínios Excelsos de Vida. Passados breves segundos, respondeu-me apenas:

– Apressemo-nos, amigo querido. Chegou a hora. Vou enviar algumas mensagens a pessoas encarnadas, através do medianeiro.

A movimentação era grande, embora atenta e silenciosa, de amigos(as) de nossa dimensão, no cômodo de porte médio, com mobília simples, onde havia a cama do orientador encarnado, a de seu consorte e uma minúscula escrivaninha, onde Gerard deixara preparado, para gravação em áudio, um pequeno dispositivo eletrônico.

Sophia cerrou os olhos, pousou a destra no ombro direito do irmão imerso na matéria densa, que estava focado em sentida prece; e, poucos minutos depois, vimos o maravilhoso de sempre espocar: o professor de multidões, sem oferecer resistência nenhuma, começou a canalizar uma psicofonia da Mentora, com uma profusão de detalhes a respeito da rotina e dos pensamentos íntimos, nas últimas 24 horas, dos destinatários (três cavalheiros e uma dama) a que nenhum indivíduo encarnado poderia ter acesso.

Terminado o processo de gravação e envio da fala mediúnica aos logo comovidos e muito felizardos companheiros da superfície terrena, Sophia abriu os olhos e girou-os ao Alto, candidamente, fazendo brotar, como que por encanto, um caudal luminoso, que se assemelhava a um túnel psíquico, por onde, à distância, via-Se o Vulto Sagrado da Mãe planetária, Maria de Nazaré.

Gerard, estimulado na psicovidência por Sophia, vislumbrava, nitidamente, a Figura da Mãe Celeste, que, em poucos segundos, comunicou-lhe uma Mensagem de caráter exclusivo, sem que nós outros(as), os(as) livres de corpos físicos que acompanhávamos a cena, pudéssemos tomar notícia do conteúdo da missiva mental.

Sophia, logo em seguida, parecendo sair de um transe profundo, sussurrou mais uma orientação breve à acústica psíquica de seu filho eterno e voltou-se para nós.

– Gerard não mais nos percebe com clareza. Retirei-o da condição de maior ostensividade mediúnica. Ocupar-se-á com outras incumbências que lhe deleguei.

– Nossa Mãe Sacratíssima…

– Sim, falou com ele sobre o novo Sinal do Céu. Ela nos solicitou que gostaria de Ela Própria lho dizer.

– E, de sua parte, a senhora gostaria de me solicitar alguma coisa?

– Sim, que você narre este nosso encontro e o que testemunhou ao grande público, logo haja ocasião propícia a tanto.

– Com toda satisfação. Mas, respeitável mestra… a senhora sabe da resistência do médium em transmitir esse gênero de descrição de nossa esfera de ação.

– Sim. Tomarei providências para torná-lo mais receptivo. Nessa época de tanta hipocrisia sendo desmascarada, temos que fazer rutilar, com Indícios inequívocos, aqueles(as) que realmente nos representam.

Chegou o tal momento, prezado(a) leitor(a), a que aludira a grande mestra da Antiga Grécia. Fiz aqui quanto me foi possível, de acordo com o que a própria Orientadora do Plano Sublime sugeriu revelasse e de conformidade com o que o médium autorizou falasse.

Espero haver cumprido, ao menos relativa e parcialmente, a tarefa que me foi designada de Mais Alto. E, principalmente, faço votos de que cada um(a) que me leia este ensaio singelo tire o melhor proveito para si e faça as interpretações que considerar mais judiciosas, diante de tão excepcionais prodígios do Céu sobre a Terra…

Gustavo Henrique (Espírito)
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Bethel, CT, região metropolitana de Nova York, EUA.
Psicografia de 28 de agosto de 2020.

[Furacões citados nesta psicografia: Sandy (2012), Isaías e Laura (agosto de 2020) – Nota da Equipe]