(Como enxergar a Luz do Plano Sublime.)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Deus se faz invisível, em sentido literal, para a criatura simples ou descrente, tanto quanto o Plano Sublime se mostra inaudível ao sensório vulgar dos encarnados e desencarnados em baixa freqüência mental, a fim de que os seres humanos sejam estimulados a germinar a semente de Espiritualidade Superior que habita em sua própria intimidade.

Desgraças, injustiças, pressões de todas as ordens, necessidades das mais prementes e dramáticas – tais quais se vêem, em larga medida e variada natureza, no orbe terráqueo – conclamam a criatura a se indignar, mobilizar-se, agir a serviço do próprio e do bem dos seus semelhantes, a começar dos mais amados.

O Ser Supremo do Universo jamais se prestaria a agir como ama-seca, mimando e atendendo a todo reclamo de pedinchões pueris, ainda que estes estejam convictos de que suas reivindicações são justas e seriíssimas (da perspectiva de quem sofre é sempre assim). Relega-os à frustração; deixa-os, se preferirem, até enlouquecerem na fúria bizarra e imatura do ateísmo, mas não os vicia, jamais, substituindo-os no que devem fazer por si mesmos. Se um pai ou um professor conscienciosos já agem assim, como supor que a Maior Inteligência do Cosmos procederia de modo mais primário?

Destarte, amigo, quando sentir um vácuo incompreensível, aparentemente cruel, entre suas necessidades e a assistência que esperava fosse prestada pela Divindade e Seus representantes, não estranhe. Deus nunca erra. A Divina Providência e Seus porta-vozes estão, através deste aparente descaso para com sua situação, dando um voto de crédito à sua própria capacidade de solucionar as pendências que o aturdem.

Ademais, no que tange ao quesito estrito da fé, em meio à amargura do momento crítico, há graça e milagres por toda parte, não havendo, em princípio, necessidade de que novos fenômenos extraordinários venham assombrar o coração devoto. O crente sincero consegue divisar, em cada particularidade aparentemente insignificante da existência, manifestações diretas da Graça Intérmina do Criador.

Lembremo-nos de Paulo, o apóstolo: “Desperta, ó tu, que dormes; levanta-te dentre os mortos, e o Cristo te iluminará”. Recordemos, outrossim, os grandes místicos e luminares orientais, que igualmente asseveraram, como precondição a adentrar o “nirvana” ou o “narodhi”, ser imprescindível iluminarmos as próprias consciências, no sentido de acordarmos (*) para um nível mais alto de entendimento do mundo e de hierarquia de valores e prioridades de vida. Poderíamos especificar, mais didaticamente: ninguém colhe o fruto da iluminação sem a semeadura de ação, muita ação, tanto dentro como fora de si mesmo – isto é: sem mobilização caritativa externamente, nem reflexão construtiva internamente, no correr de muito tempo, persistentemente.

A luz de solução para os dramas mais complexos da existência está em percebermos a Luz Divina já agora, dentro de nós mesmos e em torno de nossos passos. Se estivermos, portanto, exercitando a atentividade – para utilizar o termo oriental – ou a vigilância – fazendo uso do verbete bíblico –, auscultando a intuição e a voz da própria consciência, de modo a que alinhemos nossa conduta aos desígnios da Divina Providência, estaremos, progressivamente, fazendo-nos aptos a vislumbrar, diretamente, esta Luz Imarcescível.

Eis o motivo por que somente divisam seres luminosos os que já começaram a acender, ainda que mui simploriamente, a centelha sagrada no âmago de si próprios: uma questão muito lógica de sintonia, de se estar em uma faixa vibratória correlata.  Isso implica dizer que quem quiser enxergar a Luz do Plano Sublime, mais nitidamente, deve empenhar-se por entrever esta luz em si mesmo, sobremaneira no que tange à prática do bem no dia-a-dia, esforçando-se por manifestar, no próprio comportamento, o quanto possível, a Bondade Infinita de Deus.

(Texto recebido psicofonicamente, na reunião mediúnica fechada de 21 de agosto de 2007. Revisão de Delano Mothé.)

(*) “Buda”, expressão utilizada, no Tibet, para “iluminado”, significa: “aquele que despertou”.
(Nota do Médium)