Devemos procurar desenvolver, o máximo possível, auto-suficiência nas questões psíquicas e espirituais. Precisamos, como todos sabemos, apelar para o expediente da psicoterapia ou do aconselhamento espiritual, a fim de obtermos subsídios para nossas questões mais complexas. Entrementes, ainda que utilizemos este recurso da procura de orientação externa – artifício indispensável até, ousaríamos dizer –, jamais o compreendamos como substitutivo da ausculta cuidadosa da própria consciência e intuição. Imprescindível que façamos, cada vez mais, uma escuta aberta dos sentimentos e impressões mais profundos que clamam em nossos corações.

Não aguardemos o espetáculo extraordinário da fenomenologia mediúnica, pois que os fenômenos podem e de fato são utilizados, freqüentemente, para deslumbrar e desviar a atenção dos incautos do foco essencial da espiritualidade genuína. A vida já apresenta milagres em todos os sentidos e em todas as circunstâncias da existência. Fenômenos biológicos dos mais elementares representam arremates fabulosos de intrincada organização, constituindo, ainda hoje, enigmas indevassáveis à ciência. Não precisamos ir longe para nos assombrar.

Assim, como foi dito em palestra recente (*1), sobre os graus da agudização do sinal mediúnico, a ninguém está vedado o acesso à canalização do Sublime, no que concerne a uma comunicação espiritual – embora não-psíquica – com os Altiplanos da Espiritualidade Superior, através da inspiração. A inspiração pode ser acionada em situações rotineiras e funcionar como uma espécie de espelho ou refletor das luminescências das Esferas Sublimes de Vida, por meio, tão-somente, da escolha criteriosa que o indivíduo faça de sentimento, idéia, conduta. Onde  estejam presentes o amor, a ponderação, o bom senso, a lógica e o desejo de ser útil, crescer e servir, as ressonâncias do Céu poder-se-ão fazer presentes, igualmente.

Que cada um procure viver serenamente, a fim de que, nos instantes de crise, em que somos convocados a apresentar resoluções efetivas a dramas emergentes, muitos deles prementes, façamos, assim, a sintonização desta ferramenta espiritual íntima (a inspiração) que pode retratar, ainda que palidamente, as proposições excelsas dos nossos Maiores das freqüências mais altas de consciência.

Não busquemos fora a solução que deve vir de dentro. Se insistirmos em criar dependência em relação a figuras de orientadores encarnados ou desencarnados, tropeçaremos muitas vezes, para que assim alarguemos nosso potencial de maturidade psicológica. É um sinal de humildade, mesmo de sabedoria, o ouvir e buscar o aconselhamento daqueles que são vistos como mais experientes ou abalizados para apresentarem panoramas melhores de percepção e de avaliação. Entretanto, jamais transfiramos o poder de decisão a personalidades outras que não a nossa própria. É a recomendação enfática do amigo responsável pela condução das lições no campo mediúnico em nosso grupo.

Não reincidam em erros nessa área nevrálgica da evolução, porque descaminhos muito sérios podem acontecer com aqueles que divinizam figuras desencarnadas e encarnadas. Vejamos nossa grande mestra Eugênia, e até mesmo Nossa Senhora ou Jesus, como modelos excelsos que devemos procurar reproduzir, acanhadamente que seja, em nosso dia-a-dia. Eles são referenciais e não propriamente objetos de culto, a não ser que a reverência constitua respeito e abertura a mais ouvir e aprender. Quem idolatra julga-se irremissivelmente inferior e, com isso, isenta-se do esforço por se aprimorar, deixando de atender ao apelo visceral à evolução que palpita no universo inteiro. Recordemos das palavras de Jesus, o Mestre dos Mestres, quando nos asseverou que deveríamos ser perfeitos como o Pai Celestial o é. Logo, não há verdadeira humildade no reclamo racionalizador da preguiça e da fuga, ao nos dizermos inferiores demais para sermos cristãos plenamente. Esta negligência é indesculpável.

Ninguém se converterá, da noite para o dia, em um ás de santidade, como muito bem traz arrazoados a este respeito, nossa orientadora Eugênia, propondo vivamos em pequenos percentuais nosso esforço de melhoria progressiva. Assim, podemos reconhecer, para nós mesmos, estarmos a anos-luz de distância evolutiva de muitos de nossos ícones de pureza e sabedoria. No entanto, tentemos, continuamente, acertar o passo íntimo com o Fluxo da Divina Vontade, que, por meio de sincronicidades, sinais intuitivos, comunicados mediúnicos e da fala madura de mentores abalizados, encarnados ou desencarnados, exorta-nos sempre ao pleno aproveitamento de todos os ensejos de aprendizado e realização, que nos são oferecidos pela existência, seja enquanto nos encontramos imersos em corpos físicos, seja quando despojados do arcabouço biológico, no período intermissivo (*2).

Agradecido pela honra da escuta atenciosa, despede-se, amigo e professor limitado,

Temístocles.

(Mensagem recebida pela psicofonia do médium Benjamin Teixeira, na reunião mediúnica fechada do dia 16 de janeiro de 2007, na sede do Salto Quântico. Gravação e transcrição de Úrsula Rangel. Revisão de Delano Mothé.)

(*1) Palestra que eu mesmo proferi, sob inspiração dos bondosos orientadores espirituais, em 7 de janeiro de 2007, na habitual reunião pública domingueira que tem início às 19h30min e acontece no Espaço Emes, Aracaju-SE.

(*2) Período entre encarnações.

(Notas do Médium)

Aviso Importante:

No próximo domingo, a reunião pública do Salto Quântico, que tem como viga mestra a palestra do líder espírita Benjamin Teixeira, será realizada no salão de festas Mega Espaço, em virtude da prévia carnavalesca sergipana Pré-Caju, que lança um volume de decibéis que inviabilizariam nosso encontro no Espaço Emes, demasiadamente próximo ao epicentro da folia. O Mega Espaço se localiza à Rua Nossa Senhora das Dores, 588. Bairro Suíssa (Sim, é assim mesmo que o bairro aracajuano é grafado), entre a Av. Desembargador Maynard e a Rua Ribeirópolis.

Departamento de Divulgação do Salto Quântico.