Um casamento tóxico, uma amizade imprópria, um(a) parente vicioso(a), um(a) colega pérfido(a).

Em todo relacionamento, há um limite para negociação, para exercitar o perdão e conceder oportunidades renovadas de refazimento e fortalecimento dos laços.

Passado um certo ponto de tentativas fracassadas, quando o bom senso revela que o outro lado não está disposto a utilizar o próprio livre-arbítrio no sentido de respeitar o espaço alheio, chega o instante de você praticar a outra regra cristã, correlata à da indulgência: a do desapego.

Não se permita violentar por quem o(a) apoquenta, invade seu coração e lhe destroça as esperanças, minando-lhe a autoestima e lhe inviabilizando a alegria de viver.

Jesus disse que perdoássemos “setenta vezes sete vezes”¹, mas nunca esse preceito implicou que nos forçássemos a manter vínculos íntimos parasitários ou destrutivos.

Muito pelo contrário: afirmou que seriam premiados(as), com o cêntuplo do que houvessem “perdido”, aqueles(as) que abandonassem liames familiares ou posses materiais para segui-l’O² – o Cristo aqui representando, basicamente, um Ideal ou Chamado vocacional.

Foi além: registrou que o fenômeno não seria uma possibilidade, mas uma consequência natural do discipulado espiritual autêntico, porquanto, onde Ele adentrasse, poria, numa casa, “dois(duas) contra três, três contra dois(duas)”³

Podemos e devemos perdoar, ainda que à distância… Basta que não desejemos mal ao indivíduo agressor da véspera.

Submeter-nos a conviver com inimigos(as), sem que graves razões morais no-lo exijam, constitui uma atitude suicida.

Tomar providências de defesa pessoal é um pressuposto fundamental de responsabilidade para consigo e de mínima maturidade psicológica.

O próprio Mestre dos mestres nos aconselhou, com dramática metáfora, que não atirássemos pérolas a porcos(as), porque, depois de as calcarem na lama de sua própria mesquinharia, voltar-se-iam contra nós, qual se fossem vítimas de um ataque, em vez de beneficiários(as) do tesouro de nossos mais caros sentimentos.

Afaste-se da criatura que lhe faz mal, ou deixe que ela se vá espontaneamente. Assim, poderá se abrir a novos afetos, mais sintonizados com sua genuína maneira de ser, com seus valores, propósitos e interesses mais nobres.

Esse princípio vai além de elos interpessoais e aplica-se a situações, podendo ser utilizado, por exemplo, como parâmetro de avaliação de um emprego ou profissão, de uma carreira acadêmica, de uma adesão religiosa ou filiação político-partidária e, quiçá, até de uma cidade ou país em que se fixe residência.

Liberte-se do que lhe furta a paz e lhe dificulta (ou mesmo trava) a realização do que seu coração e sua consciência lhe indicam como essencial.

E, somente depois disso, poderá, duma perspectiva lógica, prática e adulta, cogitar em felicidade.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Gustavo Henrique (Espírito)
LaGrange, Nova York, EUA
16 de julho de 2021
 

1. Mateus 18:21-22.
2. Mateus 19:29.
3. Lucas 12:52.
4. Mateus 7:6.