Benjamin Teixeira
pelo
Espírito Gustavo Henrique.

O médium recolheu-se, entristecido. Não podia acreditar que fora expulso do ambiente que colaborara, efetivamente, por edificar, desde as suas bases, por portar tendência sexual diferente da maioria. Fora compreensivo com pessoas que abandonaram amigos, filhos, pais e até a língua do berço, para adquirir condições financeiras melhores. Para muitos, constituía isso muito bem-acabada manifestação de prostituição: plena, profunda, porque não adstrita ao quesito do sexo e da vida afetiva, mas expandindo-se para os elementos sagrados do afeto, da cultura, da nacionalidade, às vezes até da própria espiritualidade. Para ele, porém, eram almas desesperadas, em busca de “Algo” que não sabiam o quê, e, “pobres coitados”, entendiam que este “Algo” seria ter um carro de melhor qualidade, uma casa mais confortável, eletrônicos mais modernos, etc.

Ironicamente, porém, aqueles por ele tratados com indulgência e abertura d’alma foram os mesmos que aplicaram de conservadorismo e implacabilidade, no julgamento de sua pessoa, por apenas portar um organismo diferente, com necessidades psicológicas, no campo afetivo, igualmente diversas, tendo, numa sociedade homofóbica, que agir, de certa maneira, na clandestinidade.

Um dos amigos envolvidos, que ficara do seu lado, teve acesso a curiosa reunião mediúnica, levada a cabo na própria Casa Espírita que enxotara o “Missionário da Luz” – como denominava André Luiz/Chico Xavier, no clássico homônimo (no plural), os portadores de faculdades mediúnicas ostensivas. A revelação, que ocorrera por meio de incorporação, afirmava que os integrantes da campanha nefanda houveram-se unido, em passado longínquo, para a prática da Caça às Bruxas, na mesma pátria estrangeira, que ora os albergava, e que estavam incorrendo no mesmo deslize, resvalando para a mesma tentação.

O medianeiro julgou tudo muito interessante, e quedou-se reflexivo, em prece, antes de se recolher a dormir. Conciliado o sono, despertou fora do corpo, com relativa autonomia e lucidez, sendo, ato contínuo, conduzido, por Orientador Espiritual, a magnífica experiência de regressão de memória. Escolhendo, para o retrospecto elucidativo, as personalidades de oito dos principais agentes encarnados da trama mesquinha, o Mentor Ilustre disse ao jovem sensível, que lhe colhia, atento e reverente, as instruções:

– A revelação mediúnica que lhe chegou aos ouvidos está prenhe de conteúdo metafórico, para melhor impressionar os ouvidos que precisam despertar. Mas não se trata de uma reprodução exata do que aconteceu outrora. Seria muito interessante que estes seus ex-companheiros de atividade no Bem estivessem incursos em grandes espetáculos de carma coletivo, no quesito da heresia e do fanatismo religioso. Estariam, assim, há muitos séculos já, sob a bênção de crises de consciência e conflitos de vulto, no campo das cogitações de ordem espiritual e filosófica. Seus antigos colaboradores em ideal e, principalmente, beneficiários do seu concurso fraterno, na condição de Canal de nosso Plano, não foram comparsas de perseguições religiosas e políticas, na nação que ora os acolhe, misericordiosa, e sim ladrões de diligência e, com ousadia, dos primeiros trens de longo curso, que singraram a grande pátria de leste a oeste. Ladinos e amorais, foram seduzidos pelo vil metal, há pouco mais de 13 décadas. Presentemente, tornaram à mesma nação, de que fizeram parte, como filhos revéis, desta vez pelas vias transversas da imigração, para reconquistarem, ao suor de trabalho e humilhações diversas, por meios dignos, embora apenas parcialmente legais, a decência perdida, na última existência de entrega e dedicação ao crime do latrocínio em série. É tão claro este seu traço de caráter, que foram atraídos a imigrar exatamente pela mesma inclinação do passado: a ambição financeira. E é de tal modo evidente que não se trata de religiosos nos séculos passados, que a questão espiritual só lhes foi chamar a atenção, a ponto de os envolver na militância e na cooperação sistemática, quando já instalados na nova nação. Se fossem grandes fanáticos do passado, seriam ases do Bem desde o berço, e não quase-mercenários que deram as costas a tudo, atrás do eufemismo para essa prostituição plena que denominam “buscar uma vida melhor”, referindo-se quase que tão-só a questões materiais.

Ouvirão, sim, falas de outros médiuns e entidades espirituais, naturalmente truncadas – porque todo médium se equivoca e porque se têm como guias espirituais, amiúde, entidades pseudossábias, que cultuam o ego de seus ouvintes, para melhor controlá-los em seus planos de desagregação, asseverando-os certos em seus desatinos de poder e preconceito, descaminhos morais óbvios a qualquer observador externo isento. No entanto, por dentro, seguem enregelando-se, progressivamente, com a estranha sensação de paraíso perdido… ou, como melhor seria dizer: esperança perdida, porque só começavam a prelibar os primeiros esboços de atividade missionária de que foram misericordiosamente convidados a participar, com você e seu companheiro leal de serviço fraterno no estrangeiro, antes de reencarnarem – e você mesmo os foi resgatar nas furnas das regiões de sofrimento em que chafurdavam, pois que o Anjo que nos protege a todos, de Altiplanos Sublimes, não lograria buscá-los em zonas tão baixas onde se encontravam.

O médium, pasmo com todos os dados novos, tão bem fundamentados nos fatos que conhecia sobre a personalidade dos descritos, atalhou:

– É… é curioso… porque uma pessoa que participou menos diretamente (apenas concordava com o movimento), e que se transferiu para grande metrópole brasileira, mudou completamente de opinião sobre o ocorrido, quase pedindo desculpas a nosso amigo ainda residente na região em que os fatos se deram, por haver partilhado, d’algum modo, das opiniões correntes contrárias a nós dois…

– Evidentemente, porque, num grande centro urbano, ou para quem se instrui, não é possível suportar tamanha incompreensível carga de tabus retrógrados e movimentos de perseguição neles baseados. Esses ex-colaboradores de nossa Causa, porém, exilados econômicos que também se decretaram degredados da informação atualizada, agindo como se ainda fossem residentes de provincianas cidades brasileiras, prosseguem, em ambientes refinados do exterior, reproduzindo clichês culturais e preconceitos anacrônicos que logo cairão por terra… em poucos decênios, no máximo, e hoje não desfrutam de qualquer respeitabilidade nos meios mais cultos da Terra. Perceberão, então, tarde demais, que perseguiram os genuínos representantes da Espiritualidade, preferindo engodos passageiros de discriminação e “caça ao bode expiatório”, num mui nítido movimento de injustiça e ingratidão com você e seu amigo na pátria estrangeira.

E se estavam se julgando tão certos, por que não estenderam a mão para ajudar, alertar, cuidar, tratar, orientar? Como podem se sentir mais sintonizados com o Bem, dando as costas a quem lhes estendeu as mãos, para tramar contra seus maiores benfeitores, por trás, expulsando-os (você e seu amigo) do próprio ambiente que criaram? Se de fato o houvessem flagrado em erro, ou a ele, não seria o momento de exercitar o perdão e a indulgência? Onde está esta altura moral a condenar, que foi incapaz de ser compreensiva com quem os servia? Ou seja: o erro é escandalosamente crasso, por qualquer ângulo de avaliação…

O médium foi, a esta altura do diálogo, trazido velozmente de retorno ao corpo físico. Enquanto rememorava a rica experiência extracorpórea, recordou-se, sob influência do mesmo Mestre da Espiritualidade que o conduzira à lição no domínio extrafísico de vida, de uma série de sutilezas curiosas, relacionadas ao próprio grupo, cheio de disputas intestinas de ordem sexual, além das abjetas questões financeiras abordadas há pouco. E, então, compreendeu, mais claramente ainda, o porquê de tanta preocupação em persegui-los e expulsá-los da congregação. Eles dois conheciam segredos demais de muitos que viviam antigas e viciosas relações extraconjugais e outros movimentos sub-reptícios de sedução de condiscípulos enlaçados em matrimônio ou não, e não queriam ser descobertos em sua astúcia, pois supunham que seriam tratados com deslealdade, como eles mesmos eram desleais com os companheiros de alcova e de ideal. Por que estranhar, então, agirem deste modo? Não se pode esperar conduta de caráter dos que ainda não o portam como conquista evolutiva.

Quem é “monstro” sente enorme necessidade de ver mostruosidade fora de si, porque seu ego não suporta a percepção do que é. Enxerga-o, então, de modo especular, projetando sua natureza em lugar seguro para seu emocional frágil e imaturo, para sua mente desligada da realidade externa e de si mesmo: em outra pessoa, precisamente aquela que percebe sua natureza malevolente, quem, por isso, ele quer garantir que todos vejam como errada.

“Que Deus os melhore, na parte que houver, sincera, em seu empenho religioso” – disse, para dentro de si, em prece sincera, o medianeiro devotado.

O professor da Espiritualidade que o conduzia nos solilóquios aditou, em resposta, concluindo a meditação:

– Há, sim, uma parcela de sinceridade, amigo… Mas esta é apenas a primeira vez que eles a vivem, na área delicada e complexa da Espiritualidade, por isso em caráter primitivo, dado a fanatismo e a dogmatismo, bem como a “caça às bruxas”. A reencarnação para pagar o carma extenso, por este grave equívoco, portanto, ainda está reservada para o futuro…

Que o Criador se apiede deles, no entanto… para que haja condições vibratórias no planeta, de molde a que venham a fazer este estágio evolutivo por aqui, porque a probabilidade maior é de que sejam expurgados para um mundo primitivo, onde possa existir espaço, nos séculos que virão, às tramas insidiosas que eles teceram, neste século, contra você e seu companheiro de lides espirituais, e as quais terão que padecer, inexoravelmente, de futuro, sendo eles então as vítimas… todavia… bem longe daqui…

(Texto recebido em 7 de dezembro de 2009.)


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