(Culto do Evangelho com Eugênia – 16.)

 

por Benjamin Teixeira.

Sentei-me para a realização de nosso segundo “Culto do Evangelho” diário (fazemo-lo às 14h e à 0h), com um atraso de pouco mais de quinze minutos (procuramos não ultrapassar esta marca de tolerância), acompanhado de Delano Mothé, amigo-irmão e revisor das mensagens do site, o único colaborador que me acompanhava as atividades a esta altura do dia. Eram, pontualmente, 0h20min do domingo 9 de dezembro.

Ainda nos arrumávamos à mesa, reunindo os livros para estudo, quando a voz de Eugênia ressoou à minha acústica mediúnica, indicando a leitura para início das atividades: “Capítulo 175 de ‘Caminho, Verdade e Vida’.” Para constar aqui, extraio o quarto parágrafo das considerações emmanuelinas, na mensagem intitulada “Cooperação”:

“Ninguém guarde a presunção de elevar-se sem o auxílio dos outros, embora não deva buscar a condição parasitária para a ascensão. Referimo-nos à solidariedade, ao amparo proveitoso, ao concurso edificante. Os que aprendem alguma coisa sempre se valem dos homens que já passaram, e não seguem além se lhes falta o interesse dos contemporâneos, ainda que esse interesse seja mínimo.”

Eu mesmo fiz a prece inicial do culto, e, em seguida, a mentora espiritual pediu compulsássemos os Atos dos Apóstolos (livro componente do Novo Testamento da Bíblia), na passagem sugerida por Emmanuel (na citação de abertura da referida mensagem, constante de sua obra publicada em 1948): “Conversão do ministro da rainha da Etiópia” (Atos, 8:26-40). Ilustrando esta resenha, destaco o versículo 39:

“Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou o seu caminho.”

Mais adiante, Delano abriu ao acaso “O Livro dos Espíritos”, na pergunta 525, ao que indiquei, de minha parte, uma outra, que julguei apropriado fosse entrelaçada na reflexão, pela forte paridade de conteúdo: a 459. Deste momento de nosso culto, respigo a questão que me veio por associação mnemônica:

“(Pergunta) – Os espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos?

(Resposta) – Muito mais do que imaginais, pois frequentemente são eles que vos dirigem.”

Concluindo, abrimos, ainda pelo sistema de consulta aleatória, uma passagem de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, e foi-nos dado a considerações filosóficas e educativas, por “Força” da sincronicidade, o parágrafo 3º do item 16 do capítulo XXIII:

“Então, quando o campo estiver preparado, eu vos enviarei o Consolador, o Espírito da Verdade, que virá restabelecer todas as coisas, ou seja, que, dando a conhecer o verdadeiro sentido das minhas palavras, que os homens mais esclarecidos poderão enfim compreender, porá termo à luta fratricida que divide os filhos de um mesmo Deus (…).”

Que todos reconheçamos o poder da fraternidade e da relação transpessoal que nos une a todos, horizontal e verticalmente. Com um vanguardismo que só pode se explicar pela interferência de inteligências muito à frente do tempo em que se manifestaram, na Paris do século XIX, está contido, ainda em “O Livro dos Espíritos”, ao fim da resposta à questão 540:

“É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, da qual o vosso Espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto.”

Fazendo uso de conceitos e raciocínios modernos, conforme a ciência hoje nos propicia entender este campo de elucubrações de alta envergadura filosófica, guardamos elos de interinfluenciação psíquica com aqueles que partilham, num aspecto ou n’outro, alguma similaridade evolutiva conosco, bem como com os que, para cima ou para baixo, na escala infinita da hierarquia de estágios de complexidade mental, sofrem-nos a influência e nos influenciam, concomitante e ininterruptamente.

A Física Quântica nos tem revelado, há um século, que estamos todos imersos num mesmo oceano de conexão e comunhão consciencial ou “informacional”, no âmbito quase místico que alguns estudiosos do setor denominam de “vácuo quântico”. Prodígios podem acontecer, por interferência – ou, melhor dizendo: intermediação – deste campo subjacente aos fenômenos físicos ou biológicos, considerados “miraculosos”, quando não conhecemos as leis indefectíveis que os regem, como a comunicação psicográfica, os eventos extraordinários da sincronicidade e do Socorro Divino, por inúmeros meios, desde os mais prosaicos, qual a consulta “sorteada” de uma obra espiritual que se “encaixa” à perfeição no que precisávamos, até os mais fabulosos, como a materialização de espíritos em sessões de ectoplasmia.

Nossos destinos são regidos por avançadíssimas inteligências, muito acima de nosso nível de compreensão e concepção, seres que estão num patamar de organização psíquica posterior ao humano, criaturas ontologicamente diversas e mais aprimoradas que nós. Alguns destes Gênios do Plano Sublime de Vida guardam uma relação de distância-superioridade “funcional” – se é que assim nos podemos exprimir –, como a que separa a inteligência animal da humana, ou quiçá a que distingue esta da que subjaz em um ser unicelular.

É certo que, como a natureza se organiza em camadas de complexificação cumulativa, denominadas, por alguns autores da comunidade científica, de “hólons”, existem, indiscutivelmente, tais estratos de inteligência “superior”, conformados pela coletividade dos indivíduos que somos. Por exemplo: átomos formam moléculas, que formam células, que formam tecidos, que formam corpos humanos, que formam sociedades, que formam as mentes coletivas, que formam (?)… E assim “ad eternum”, porque as cadeias de complexidade, até onde nossos instrumentais de sondagem científica podem alcançar – tanto no sentido do micro, quanto do macrocósmico –, nunca se rompem, e prosseguem, assombrosamente, ao infinito… Mas não estou sequer me referindo a isso, que seriam as tais individualidades coletivas, como o conceito do “inconsciente coletivo”, do egrégio psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, ou o de “campos morfogenéticos”, do biólogo britânico Rupert Sheldrake. Aqui, aludo à existência de seres que estão em níveis de desenvolvimento psicoespiritual superior ao nosso, em muitos evos, assim como distamos de nossos irmãos menos desenvolvidos filogeneticamente, os animais irracionais, em alguns milhões de anos de progresso neurofisiológico acumulado.

Saibamos ser receptivos a estes seres “residentes” nos Domínios Excelsos de Consciência, que sempre nos assistem, principalmente se nos permeabilizamos à sua influência, pela súplica sincera e sistemática desta colaboração solidária, tão dispostos que são Eles a isso, pois que avançadíssimos não só em inteligência, mas também em santidade. Agindo assim, contaremos com um padrão de sabedoria exponencialmente superior ao nosso, para nos conduzir e nos inspirar, neste mundo de tanta incerteza e caos, de modo a que façamos escolhas mais apropriadas à nossa felicidade e plena realização pessoal, bem como às de nossos entes queridos e de quantos estejam sob nossa responsabilidade individual, direta ou indireta, seja por influência de nosso trabalho profissional, seja por força de nossas atividades de quaisquer ordens, desde as desportivas, acadêmicas, políticas, até, tão-somente, as que consideramos fúteis, inúteis e ociosas, mas que sempre pesam, na subliminaridade do continuum quântico de seres, existências, pensamentos e corações… paradoxalmente a todos nos integrando, enquanto nos preserva a individualidade, a consciência e a responsabilidade, tanto quanto o poder de gerar, na nossa e na vida de muitos espíritos, encarnados ou desencarnados, elementos genéticos de bem-estar e prosperidade, em todos os sentidos!…

Salve a Sabedoria da Criação Divina!!!…

(Texto redigido na madrugada de 9 de dezembro de 2007. Revisão de Delano Mothé.)