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[Theodore Bevry Olson (1940- )]

Benjamin Teixeira
em diálogo com o
Espírito Eugênia.

(Benjamin Teixeira) – Eugênia, fiquei muito impressionado com o espocar da defesa ferrenha aos gays (no ponto específico do direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo), em considerando que um “monstro sagrado” do conservadorismo norte-americano, Ted Olson, um brilhante advogado de 69 anos, com 45 vitórias em 56 processos na Suprema Corte ianque, estaria, conforme relatos de íntimos, empolgado com a causa, a ponto de dizer ser a mais importante de sua vida. O que haveria por trás disso?

(Espírito Eugênia) – Ocorreu, neste assunto, uma espécie de ultrapassagem do “ponto crítico”, que leva o preconceito a ser encurralado, concomitantemente, em diversos segmentos da sociedade. A frase de Victor Hugo ressoa ainda aos nossos ouvidos: “Nada é tão irresistível quanto uma ideia cujo tempo é chegado” (*2). Outrora, vimos isso se dar em relação à causa abolicionista e, mais recentemente, à causa dos direitos humanos dos negros, com seus mártires respectivos, nos séculos XIX e XX: Abraham Lincoln e Martin Luther King Jr. Mais suave, paralela (embora sem menos impacto e importância), foi a causa feminista, tão disseminada em seus efeitos construtivos, que ganhou, de certo modo, uma relativa invisibilidade (por demais precoce – a opressão feminina está longe de haver desaparecido do orbe), nos discursos políticos e acadêmicos, cívicos e culturais, de uma forma geral, em todos os países desenvolvidos do Ocidente.

A causa gay, em particular, tem conotações muito próprias que a aproximam das ambiguidades e complexidades do mundo moderno, entre elas o fato de envolver um debate entre ciência e religião (já que a maior parte das vozes desta última condena a prática homossexual, enquanto todas as opiniões da primeira dizem o contrário) e o confronto entre as civilizações do Oriente e Ocidente (a primeira, extremamente refratária à questão – fazendo alusão ao Islã –; a segunda, em vários de seus departamentos, demonstrando praças de guerra abertas à discussão do combate à homofobia.

Por estas características emoldurarem-na, fazendo-a emblemática da campanha geral de libertação das consciências humanas sobre o jugo arquimilenar do medo e da opressão, grandes gênios do Plano Sublime estão deveras interessados na questão. O dogmatismo cristão (quanto o muçulmano) está travando, nela, uma pugna que se fará referencial, para os destinos dos povos humanos. Esta peleja se distende em várias áreas do universo social, simultaneamente, como o campo dos costumes, da legislação, dos valores sociais.

Inadiável se faz a reconsideração e ressignificação de velhos preceitos religiosos – seja o de bases bíblicas, seja o assentado no Alcorão –, a fim de que o fanatismo e o fundamentalismo percam força, ante a verdade autoevidente da necessidade, indiscutibilidade e universalidade dos direitos humanos. Este digladiar secular de forças antagônicas deixará óbvio o imperioso dever de cuidado na interpretação de textos tidos como sagrados, de quaisquer tradições espirituais, de molde a que não sejam eles utilizados como lastros para a perpetração de atentados contra as denominadas “liberdades individuais”, e, por conseguinte, possa-se preservar, no mundo contemporâneo, a respeitabilidade dos segmentos religiosos, como um todo, estabelecendo-se, dentro de limites razoáveis, uma comunicação entre os setores científicos e espirituais da sociedade, imprescindível numa era qual a em que viemos, de embate entre etnias, culturas e mesmo civilizações, confronto que se pode tornar fratricida, quiçá apocalíptico, se as pendências e conflitos mais cruentos entre os povos e suas culturas não forem devidamente solvidos.

A urgência deste processo de superação dos tabus se faz tal, que muitas personalidades influentes encarnadas têm sido trazidas, fora do corpo, a contactar seus guias espirituais e destacadas Inteligências do Domínio Excelso, que as têm “trabalhado”, no sentido de as levarem a rever seus pontos de vista (inobstante o inviolável respeito ao livre-arbítrio e ao discernimento pessoal), para que se abreviem muitas dores no futuro, que se farão decorrentes do radicalismo e da injustiça inerentes à negação de dignidade e civilidade a minorias discriminadas, em função da enormidade de implicações destrutivas e autodestrutivas que normatizações discriminatórias costumam ter, não só nas sociedades que lhes são berço, como nas que lhes são alvo das projeções psicológicas e culturais de tirania, selvageria e “caça às bruxas” – o famoso processo de “perseguição ao bode expiatório”, qual o ataque às Torres Gêmeas em Manhattan, no ano de 2001.

(Diálogo mediúnico travado em 10 de fevereiro de 2010.)

(*1) Quando supomos que Eugênia e a Espiritualidade Sublime já disseram tudo sobre o assunto homossexualidade e homofobia, vêm-nos Eles nos surpreender, novamente – o que, por sinal, acompanhamos acontecer com todos os demais temas por Eles ventilados. Os Mestres do Plano Superior de Consciência são de uma criatividade e de uma sabedoria, por assim dizer, inesgotáveis.

(*2) A mestra espiritual Eugênia utiliza uma adaptação, para o Português, da expressão francesa: “Il n’y a qu’une seule chose plus puissante que toutes les armées du monde, une idée dont le temps est venu” (“Existe uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: uma ideia cujo tempo é chegado”), que é atribuída ao grande literato Victor Hugo, endossando-lhe, com isso, a procedência, com um detalhe-curiosidade adicional: utilizou Ela a versão, “ipsis litteris”, verbalizada pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro, Carlos Ayres Britto, o que presumo constitua uma homenagem indireta ao grande jurista, pelo carinho e respeito que, em duas ocasiões diretas e expressas, a ínclita Mestra desencarnada lhe demonstrou, dizendo tê-lo conhecido em Roma Antiga, nos estertores do Império, oportunidade em que o célebre jurisfilósofo pátrio foi um senador respeitado e influente, mas logrando fazer muito pouco do que seus ideais lhe pediam realizasse. Hoje, retornou com mais poder e circunstância sociopolítica, que lhe favorecem a ação no bem. As palavras mais seguras e provavelmente literais de Victor Hugo, para os mais puristas, seriam aquelas extraídas de “Histoire d’un Crime”, de 1877: “On résiste à l’invasion des armées; on ne résiste pas à l’invasion des idées” (”Resistimos à invasão dos exércitos; não resistimos à invasão das ideias”).

(Notas do Médium)


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