A maldade, embora em seus fundamentos mais profundos seja inacessível à cognição humana, pode ser relativamente compreendida em seus aspectos mais superficiais, que aqui dividiremos em dois grupos: 1) perversidade ou sadismo e 2) indiferença e psicopatia.

O sadismo consiste em uma degradação da agressividade animal – uma função originalmente voltada à sobrevivência na selva, presente tanto no impulso à caça quanto no ímpeto de defesa de si e sua prole e/ou de fuga de predadores(as).

A indiferença – em sua expressão mais grave: a psicopatia – representa etapa primitiva de desenvolvimento dos sentimentos e, por conseguinte, de tudo o que mais caracteriza e dignifica a condição humana: a empatia, a compaixão, o juízo de valor, o sentido de dever, a capacidade de intuir propósitos para a vida e de entrever significados em situações difíceis ou crises existenciais.

A psicologia profunda está certa em afirmar que o mal existe, como uma entidade, por assim dizer, ou, em outras palavras, um padrão de consciência, um plano de pensar e sentir degradados. E, não importando a terminologia religiosa ou espiritual que se prefira utilizar, há seres tenebrosos – alguns geniais – que mobilizam colossais forças psíquicas e vitais, dentro do domínio do mal.

Nada acontece sem permissão de Deus, entretanto.

A eclosão de guerras, o surgimento de epidemias, cataclismos naturais (apesar de gerados ou potencializados pela própria incúria e inconsciência humanas), tragédias individuais e coletivas, de toda monta e variedade…

Enfermidades, “acidentes”, falências, demissões, divórcios, decepções e frustrações de diversa ordem – tudo que parece caótico e sem sentido fomenta a criatividade e a sensibilidade das criaturas, propelindo-as à transcendência, ao desenvolvimento de novas aptidões, à ampliação da habilidade de gerenciar a própria vida e de descobrir soluções inovadoras e mais complexas para problemas progressivamente mais intrincados.

Indivíduos que se rendem às sugestões da malevolência pagam altíssimo preço, padecendo consequências imprevisíveis, normalmente múltiplas, em efeito dominó, na encarnação que ora desfrutam e em posteriores. E tais desastres inexoráveis serão, pelo poder cumulativo do carma, tão mais severos quanto mais demorarem a ocorrer, quer os(as) incautos(as) acreditem ou não nessa inescapável Lei Divina.

Em contrapartida, os(as) sinceros(as) buscadores(as) da Luz que enfrentam circunstâncias sombrias e destrutivas, com galhardia e lucidez, responsabilidade e espírito resolutivo, transformando estímulos negativos em desafios a fazer o bem, mais profunda e largamente, têm oportunidade de catalisar seu processo evolutivo, assim promovendo, em si e em torno de seus passos, saltos antecipados de percepção, aprendizado e realização, a seu próprio benefício e de todos(as) que estejam dentro de seu raio de influência pessoal.

Sempre há suprimentos de inspiração, forças íntimas e recursos externos – os realmente necessários –, para quem se determina a focar a sintonia da solidariedade sem fronteiras, em todos os departamentos de sua existência. Os anjos, a Espiritualidade Sublime, a Divindade, em última análise, jamais abandonam aqueles(as) que se devotam à prática benemerente. Muito pelo contrário: concedem especial atenção ao(à) discípulo(a) da Verdade que de fato se empenha na luta por se converter em um(a) agente-combatente do bem, em consonância com as Potestades Celestes.

A prática diária da oração e/ou meditação constitui ferramenta indispensável para estabelecer um canal de reforço e manutenção das energias e padrões da benevolência. Todavia, somente a ação disciplinada e sistemática, por meio do serviço persistente ao bem comum, torna a conexão com o Céu – ou com a Faixa de Consciência da Supraordenação – segura, contínua e definitiva.

Eugênia-Aspásia (Espírito) 
em Nome de Maria Cristo
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Bethel, CT, região metropolitana de Nova York, EUA
23 de setembro de 2020