Benjamin Teixeira
pelo espírito Eugênia.

Este é um mundo em que o egoísmo ainda impera.

O ciúme, a inveja e toda sorte de mesquinharia imperam, quando as pessoas se sentem fracas e almejam atingir posições que sua capacidade não lhes permite gozar naturalmente. Assim, nos ambientes de trabalho, nas famílias, entre casais e mesmo em agremiações religiosas, as pessoas adulam, amiúde, e tratam bem, em função de terem seus interesses egóicos atendidos, mas, sempre que se sugere ponderação, bom senso e renúncia ao interesse pessoal em prol do coletivo, mesmo apenas de um pouco de trabalho em função de atender a carência dos mais desespeados, rapidamente correm as pessoas espavoridas, preocupadas com seus “negócios particulares”. Muitas vezes, tal postura aparece mascarada em racionalizações pouco elaboradas, como a desculpa de se estar ocupado demais ou de “não se estar à altura” dos encargos que lhe são confiados ou a que são convidadas.

Tenha você também cuidado com tal tipo de postura psicológica. E, de sua parte, embora apure o seu senso de avaliação de pessoas, para não levar “gato por lebre” para casa, não se torne, de sua parte, defensivo demais. Apenas, não espere muito das pessoas. A vaidade, o interesse material mesquinho e a conveniência pessoal ainda imperarão na humanidade terrestre por muitos séculos. Não com isto queremos ratificar a opinião pessimista de que a maior parte dos seres humanos no planeta seja constituída de monstros maquiavélicos, mas a maior parte da humanidade terrena, de fato, não está disposta a sacrificar seu “umbigo” por quem quer que seja. Em suma: não há santidade na Terra, mas uma dignidade bem adstrita aos parâmetros da conveniência estudada e partilhada, para que ninguém invada o espaço alheio. Eis porque a educação e a mesura social visam a disfarçar estes ímpetos bestiais de egoísmo e agressividade (na defesa de território), e que, sem dúvida, antecipam a fraternidade genuína de tempos futuros, pela disciplina dos impulsos primitivos que efetua em os indivíduos.

De sua parte, como indivíduo mais consciente e esclarecido, enquanto vir que muitos estão na luta pela sobrevivência e pelo destaque à custa dos outros, faça o caminho reverso: invista na solidariedade genuína, faça coro com os que se esforçam por semear os brotos de padrões de comportamento e sentimento de uma humanidade melhor. Empenhe-se em quebrar o ciclo vicioso do mal, vivenciando boas intenções, realizando boas obras e emitindo sinceras vibrações de paz e de amor ao próximo. Não são muitas as pessoas, em termos de percentuais, dispostas a compartilhar desta sua escolha superior, mas você as encontrará, cedo ou tarde, sentindo-se extremamente feliz, na companhia delas, ainda que não possa ser contínua. Contará, assim, nos dedos das mãos, os amigos genuínos, e poderá conviver, em pequenas assembléias de pessoas assim devotadas ao amor universal, apesar das próprias deficiências que elas e você descubram em si próprios. Entre vocês, já não subsistirá a hipocrisia, o interesse subalterno e a violência dissimulada de bom trato, porque todos estarão honestamente tentando dar o melhor de si mesmos, em prol do grupo a que pertencem.

Assim devem ser os grupos de religiosos sinceros. Seja qual for o partido de crença a que pertença, estes expoentes autênticos da caridade jamais serão, todavia, amigos do sentido de seita. Não só não serão sectaristas, como nunca ostentarão posturas discriminatórias e arrogantes, e primarão pelo desejo genuíno de se melhorarem e se tornarem mais úteis ao bem comum. Estas pessoas existem, quero reforçar, e já existem na Terra como um grande oceano sem bordas, muito embora estejam bem longe de constituir maioria da população.

Quer encontrá-los? Torne-se, você mesmo, um deles. Porque, no campo dos relacionamentos interpessoais, de fato, cada um atrai conforme o padrão de onda mental em que gravite cotidianamente. É assim que semalhante atrai semelhante, seja no campo da dissimulação ou da transparência e dignidade. É assim que quem exige santidade e pureza dos outros, sem as ter, chama para si apenas decepções maiores, ao passo que quem sinceramente se empenha em se aprimorar, movimenta-se, sem o notar, para a esfera de influência de personalidades semelhantes, igualmente honestas em seu propósito de se tornarem melhores seres humanos e servirem ao bem comum com apuro e excelência.

(Texto recebido em 18 de dezembro de 2005.)