(…Do terceiro dia…)


por Benjamin Teixeira.

Entardecer, na paradisíaca Praia do Saco, em Estância, Sergipe. O sol ainda não se pôs, mas dá seus primeiros sinais de declínio. Dr. Temístocles, psiquiatra desencarnado de nossa Instituição, acompanha-me, inspirando-me neste artigo descontraído, sem aparentes pretensões de propósito (pelo menos para mim, que escrevo, enquanto tento sorver a beleza natural em torno).

Estou em família – a verdadeira família: a espiritual, dos laços de afinidade, pelo coração, pelos valores e ideais partilhados. Wagner e Delano (marido e ex-marido), ao lado do casal Aline e Léo (filhos do coração), divertem-se, pilotando quadriciclos, nas dunas de areia, fora do alcance de minha visão, apesar da privilegiada posição em que me encontro, no primeiro andar de uma confortável casa de praia, cedida pela família de um dos demais presentes. Nada do ruído monocórdio da refrigeração de ar. Embora o pequeno apartamento do primeiro andar em que estou alojado disponha deste recurso indispensável de conforto para nossa região tórrida (é este um dos nomes técnicos para a região entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, cortada ao meio pelo Equador), mantenho-o desativado agora, para me deliciar não só com a brisa fagueira e oscilante (em volume e direção), como também com os ruídos ciclotímicos do marulhar das ondas muito próximas, quebrando, à beira-mar, em rítmicas melodias de um Compositor Invisível… e Inefável!…

Do outro lado da janela, posso contemplar o casal Paulo e Priscilla (também filhos do coração), em campeonato despretensioso (ao menos assim acredito – risos) de “volleyball”, contra Maisa, Liza e Mary (as duas primeiras, irmãs do coração; a última, babá, há quatro anos, do “bebezão” que “vos fala” – risos). Mais além, vejo Ursinha (Úrsula, mãe do espírito), que, como uma freira moderna, sem hábito, desliza suavemente na areia da praia, olhar perdido no infinito, mãozinhas graciosamente entrelaçadas para traz, em prece e meditação, acolitada de algumas freiras desencarnadas, que a acompanham, em lindos hábitos brancos, a reluzirem mais do que as reflexões do Sol suave deste quase-crepúsculo poderia propiciar – porque refletindo as irradiações não do Astro Rei de nosso sistema planetário, mas de seus “sóis” interiores de virtude, amor e sabedoria: estes, inapagáveis…

É impressionante a resistência que nós, ocidentais mais aficionados ao trabalho – não propriamente os brasileiros como um todo, porquanto penso que as elites instruídas do país (em que ouso me inserir) não partilhamos tanto da cultura latina de lazer e repouso, sintonizados que estamos com os ideais estóicos do calvinismo anglo-saxão e ianque –, temos a fazer pausas para descansar, como se estivéssemos sendo irresponsáveis ao sair de férias, deixando de nos preocupar com produtividade e resultados, fugindo de deveres inadiáveis, confiando-nos, por assim dizer, à negligência e à incúria. Basta lembrar que, apesar de todo o empenho em corrigir excessos neste sentido, eu e meus amigos-família que me acompanham, no esforço de não trabalhar por apenas cinco dias, mal conseguimos nos desligar da compulsão ao labor, quando muito, mesmo assim… digamos… por, pelo menos… um turno no dia!…

Parece insano… mas sei que muitos leitores têm empatia com meu texto, escrito sob regímen de vergonha – ou seria de orgulho do ego, no afã de posar de grande e valoroso trabalhador?… Há vários indícios de nossa parcial ligação com o universo do dever profissional, como se fôssemos bebês imersos no líquido amniótico coletivo do estresse por fazer mais, da ansiedade por nos sobressairmos, e da paranóia em nos mantermos atualizados e competitivos no mercado de trabalho, presos pelo “cordão umbilical psíquico” que nos pluga as mentes à histérica e vaidosa mentalidade coletiva de que todos têm obrigação de ser os melhores e sempre viverem a excelência. O mais forte dos sinais, na minha opinião, nesta ocasião, é o de que todos vieram com seus laptops (com exceção de Ursinha, que deixou o seu em casa, para orar mais por aqui) – Wagner trouxe nada menos que dois; e, só porque estamos em lua-de-mel, temos nos divertido bastante… trabalhando lado a lado, madrugadas adentro, cada um em seus PC’s móveis (ele com dois), em nossas atividades respectivas: ele, editando vídeos para o programa e a palestra; eu, digitando cartas e psicografando, supervisionado, à distância, pelos Orientadores Desencarnados.

Havia-me comprometido a dormir mais cedo hoje… “Com fé em Jesus, deito-me no máximo às 3h nesta madrugada!…” – exclamei, em tom solene, empolgado e prenhe de esperança, aos amigos, no jantar de ontem. Fui conciliar sono, encerrando o último trabalho da madrugada… às 7h25… Wagner havia “desmaiado” de esgotamento quarenta minutos antes.

Vocês me perguntariam: o que fizemos no jantar de ontem? Conversamos sobre o site do Salto Quântico e a fase de reconstrução por que atravessa (como os prezados amigos devem estar notando), já que os cinco mais ligados a tarefas neste departamento estavam reunidos, oportunidade que, é claro, não seria de modo algum desperdiçada… melhor dizendo: impossível que alguém não tocasse no assunto… E quem puxou a discussão sobre o tema? Bingo! Lógico que foi o guru-dirigente do grupo… que deveria estar facilitando o descanso de todos… (Ai, teimosia!…)

E depois do jantar? O que fizemos? Um filminho educativo, com pausas para reflexões do professor obcecado, tomando a perspectiva da psicologia profunda, associada à simbologia conceitual do nosso Educandário místico. De quebra, antes e no transcurso do Culto do Evangelho da 0h, assistimos a dois vídeos: um, em homenagem a Eugênia, na condição de Cláudia Prócula; outro, com a Carta ilustrada de Maria Santíssima à Humanidade, em 2007, recebida pela Mestra incomparável (ambos serão postados neste sítio eletrônico, nesta semana ainda).

Quando digo isso, aproveitando para narrar apenas um trecho de nossa rotina, minha e de meu núcleo mais próximo de amigos-irmãos, neste retiro de repouso e refazimento de forças, a pedido dos médicos da Espiritualidade Amiga, tão-só de ontem para cá – claro que pulei a parte de mim mesmo pilotando um quadriciclo, com meu recém-casado maridinho na garupa, gritando como um índio à beira-mar (eu, não ele), para não perder, definitivamente, a reputação, ante a ilustre plateia de internautas assíduos de nosso site (risos) –, não há o propósito, como alguns de nossos leitores à distância (no espaço e no tempo) talvez hajam pensado, de criticar a compulsão ao trabalho, aparentemente irresistível para seus apaixonados viciados. Ironicamente, estou propondo, por vias indiretas, que, se não conseguirmos repousar e nos divertir ao modo dos “reles mortais” (traduza-se: gente mais sã mentalmente… risos… que logra soltar-se das amarras dos deveres para se entregar ao lazer, sem remorsos), podemos, ao menos, fazer o que o sociólogo do trabalho italiano Domenico de Masi chama de “ócio criativo”, no seu impagável homônimo best-seller de alguns poucos anos: um padrão de ocupações que conjuga tanto trabalho, quanto estudo e divertimento. Ou seja: atividades profissionais ou correlatas ao trabalho que, ao mesmo tempo, constituam-nos aprendizado e nos concedam prazer em sua prática. Esta seria a fórmula perfeita para a manutenção da competitividade e do crescimento constante e exponencial de nosso coeficiente de empregabilidade, já que não precisaríamos interromper nossas atividades para descansar, enquanto nossos concorrentes necessitariam parar volta e meia, ou colapsariam física e emocionalmente – um diferencial e tanto, não? Tragicômica ou dramática, embora irônica, realidade, para os dias de grande agressividade, nos mercados de trabalho atuais?

Seja como for, reforço, aqui, sob influxo do egrégio psiquiatra-psicólogo desencarnado (na Espiritualidade Sublime, as duas categorias de especialidade acadêmica e terapêutica da saúde psíquica imbricam-se, para que se trate o cérebro e a mente simultaneamente, seja no corpo material ou no perispirítico) Dr. Temístocles, a fim de que, como propõe Eugênia, durante um mínimo de uma hora a uma hora e meia por dia, dediquemo-nos a alguma ocupação de nosso profundo agrado – ainda que a sintonizemos com a ótica do “ócio criativo”, para nos sentirmos trabalhando e aprendendo, enquanto nos divertimos e renovamos as forças físicas e psicológicas.

Paro por aqui… Acho-me numa varandinha à luz natural, e o Sol está-se indo… Recuso-me a fazer uso de luz artificial, neste cômodo aberto em frente ao mar. Prefiro, a isso, confinar-me em ambiente climatizado e vedado a pernilongos, que, neste instante, picando-me, mimosamente, a epiderme exposta das pernas… (risos) funcionam como sirenas de alarme, acordando-me para a premente necessidade de mudar de recinto.

Que Deus abençoe a todos nós, inspirando-nos a adquirir plenamente bom senso e ampliar o juízo pouco que temos, e que julgamos, quase sempre, bem maior do que é, para que aproveitemos, integralmente, os preciosíssimos e irrepetíveis (na exata conjuntura de aprendizados evolutivos que vivemos – permitam o neologismo) ensejos ao crescimento íntimo que desfrutamos na presente circunstância de vida, pelo meio paradoxal de equilibrar períodos de esforço com momentos de lazer e repouso, de molde a que a inspiração e expiração psicofísicas (que metaforicamente os dois movimentos representam) propiciem a plena oxigenação dos tecidos d’alma, turbinando-nos a motivação a realizar, nos transformar e servir ao bem comum, na máxima medida ao nosso alcance, em devoção contrita a Deus e Seus Representantes, na fraternidade irrestrita e mobilização de nossos talentos pessoais, em prol da felicidade de nossos irmãos em humanidade.

Irmão em Cristo… já todo picado (risos)… pelos pernilongos (risos novamente),
Benjamin Teixeira,

Praia do Saco, Estância, Sergipe, ao cair da tarde de quinta-feira, 25 de junho de 2009.


Um lembrete e dois avisos:

1. Foi postado hoje outro material, em vídeo: uma linda homenagem ao Espírito Eugênia, na condição de Cláudia Prócula, esposa de Pôncio Pilatos, procurador romano na Judéia, à época da existência física de Jesus. Para colher o arquivo e assistir a esta produção ao seu agrado, basta que role a interface de nosso site um pouco para baixo.

2. A pedido dos Orientadores Espirituais, tornamos à publicação diária (incluindo dias não-úteis da semana) de novos arquivos de texto, áudio ou audiovisuais, neste site.

3. Porque trouxemos a lume dois trabalhos hoje, consideramos que adiantamos um dia nas publicações, de molde que, como pretendemos fazer uma publicação no domingo, pularemos, provavelmente, a segunda-feira e só tornaremos a trazer conteúdo novo, neste nosso sítio eletrônico, na próxima terça-feira.

(Revisão de Delano Mothé)