[Norman Vincent Peale (1898-1993) e Joseph Murphy (1898-1981)]


Um Breve Ensaio Biográfico-Bibliográfico, à Guisa de Intróito.

A pedido do Espírito Eugênia, começo por me confidenciar, historiando alguns tópicos de minha atual existência no plano material de vida.

No início de 1983, pouco depois de completar 12 anos (outubro de 1982), li, pela primeira vez, o “Mito da Caverna”, de Platão. Uma experiência inesquecível e angustiante. Não só li uma vez, mas duas, três, quatro vezes… e continuei sem entender. Envergonhei-me profundamente de mim mesmo, não disse a ninguém – sigilo absoluto: levaria aquele segredo comigo para o túmulo. Certamente, possuía algum grave distúrbio neurológico: seria muito pouco apenas ter limitada inteligência. As palavras eram claras… e eu, simplesmente, não conseguia decodificar aquela doutrina abstrusa, complexa, hermética, inacessível – foi assim que se me afigurou a metáfora utilizada pelo grande filósofo da Antiguidade Clássica, para descrever o embotado da reflexão do plano das ideias no mundo das formas. Ficou tão evidente, para mim, que padecia algum morbo no cérebro, que cheguei a falar a esse respeito com uma médica a que minha mãe me levou, para tratamento das crises de asma que se me assomaram, na mesma época, no auge da ansiedade que me assolava. Riso escarninho de canto de boca da profissional de saúde, olhar compreensivo de minha mãe, que contemplava a cena das respostas irônicas da tal que seria (ou deveria ser) discípula de Hipócrates.

[Platão (428/427 – 347 a.C.), Aristóteles (384-322 a.C.) e Sócrates (469-399 a.C.)]

Pouco mais tarde – no período que se estendeu entre os meus 14 e 17 anos –, alternei livros de Norman Vincent Peale e, principalmente, de Joseph Murphy (autores dos celebérrimos e clássicos: “O Poder do Pensamento Positivo” e “O Poder do Subconsciente”, respectivamente), com obras que sumariavam os pensamentos de Buda, Confúcio, Lao Tsé e outros sábios da Antiguidade Oriental. De permeio, lia alguma coisa, muito superficialmente embora, de clássicos da filosofia ocidental, como rudimentos de Sócrates e Aristóteles (além de Platão, novamente), e da modernidade (sem me preocupar aqui com cronologia): Descartes (“Discurso do Método” – com a mais bela argumentação da existência de Deus, a partir do estudo matemático da perfeição de uma esfera), Thomas More (“Utopia”) e pitadas de Voltaire (impagável), Schopenhauer (misógino carismático), Immanuel Kant (com sua pontualidade e ordenação de vida perfeitas, como sua teoria), Herbert Spencer (rebelde brilhante), Francis Bacon (outro misógino, com ideias eróticas e esquizoides de submeter “a natureza à ciência, como a mulher se submete ao homem”) e… lamentavelmente… o gênio da desolação satânica, o francês Jean-Paul Sartre, em “O Ser e o Nada” de 1943 (entre outros, com menos profundidade ainda, como: Spinoza, Parmênides, Demócrito, etc.). Enquanto Gautama Buda lecionou, em sua máxima suprema, seis séculos antes de Cristo, que “somos o que pensamos”, Sartre riu-se, desdenhoso: “Existimos pelo fazer”, uma forma disfarçada de dizer: “não somos nada”. Lendo em plena sala de aula (de matemática, no ensino médio), afundei qual pedra para o leito do rio… a rolar e rolar… sem rumo, ao sabor das correntezas da vida…

No início de 1987, março, dia 12, minha mente entrou em colapso, e me recolhi, mais uma vez, à minha fé em Maria Santíssima, no correr de três meses sucessivos. Neste período, que mesclava pânico com desespero, depressão com amargura inenarráveis, eu rezava três rosários (nove terços) por dia e assistia à missa diariamente (às vezes duas, num único dia), meditando e pedindo socorro a Nossa Mãe Maior, a fim de não enlouquecer e não ser arrastado a cometer suicídio – o que, depois, viria a saber tratar-se de uma estratégia obsessiva para suspender a oportunidade preciosíssima da encarnação que desfruto, por misericórdia do Governo Oculto da Terra.

[Siddhartha Gautama Buda (563-483 a.C.), Confúcio (551-479 a.C.), Lao Tsé (Séc. VII a.C.)]

Em fevereiro de 1988, exatamente três anos depois de iniciada esta magnífica e difícil viagem de busca de sentido, de propósito para viver, de perseguição intensa da sabedoria, caiu-me às mãos, por intervenção de minha mãe biológica, Dorinha, “O Livro dos Espíritos”, obra basilar do educador francês que se ocultou no pseudônimo Mais recentesan Kardec; e, concomitantemente, pelas mãos de meu pai, Benjamin Sobrinho (indiretamente: eu fuçava a biblioteca particular dele – risos –, quando me deparei com o extensíssimo compêndio que me causaria enorme impacto na visão de mundo), conheci o revolucionário, à época, “A Terceira Onda”, de Alvin Toffler – dois grandes racionalistas-pragmáticos, que me ajudaram a descer os pés do âmbito das elucubrações demasiadamente abstratas, para, no campo da realidade, realizar o possível ao meu espírito humano… e humanista. Uma teia curiosa de sincronicidades envolveu meu estudo meditado das duas obras, porque li o primeiro, no Carnaval de 1988, e o segundo, no período de alistamento militar, neste mesmo ano. As metáforas da folia e do quartel, para Kardec e Toffler, respectivamente, com seus gênios ímpares de elucidadores didáticos do complexo, marcaram, profundamente, esta luta de contrastes e o afã de lançar luz sobre as trevas, que têm pautado minha presente encarnação, em todos os sentidos, desde o berço.

[Voltaire (1694-1778), Schopenhauer (1798-1860), Immanuel Kant (1724-1804), Francis Bacon (1561-1626)]

Entrementes, voltemos a 1987, por causa de meu colapso nervoso, sem ter professores ou conselheiros a quem recorrer para tirar minhas dúvidas tortuosas (os que ousei consultar zombaram de meu esforço de ler tais obras e sumária e tão-somente me sugeririam deixasse aquelas ideias de lado – como se fosse possível ignorar um conceito novo que questiona o estabelecido, em nível mais alto de elaboração de raciocínios), imerso, como estava, em dilemas que não só me davam vertigens intelectuais, mas me provocavam assustadores “parafusos” emocionais, em área tão intrincada, como a que imbrica filosofia, paranormalidade e espiritualidade avançada. Resultado: traumatizei-me, com o devastador desta crise pré-suicida de 1987, vinculando, com raízes profundas em minh’alma, todo o mal-estar medonho que vivi (qual uma montanha-russa com passagem de ida sem volta ao inferno –como me senti) à onda do “New Thought” norte-americano, que me parecia, por aqueles dias, fazer acreditar que tudo seria possível, não por ser devido, justo ou decente, mas por ter sido crido, alardeando, assim, ao meu entender, um universo cínico, sem propósito e desprovido de Uma Ordem Supervisora. Sartre e Schopenhauer, sem dúvida, participaram disso, com grande peso…

[Thomas More (1478-1535), Jean-Paul Sartre (1905-1980), René Descartes (1596-1650), Herbert Spencer (1820-1903)]

No correr das duas décadas posteriores aos eventos aqui narrados, fui, paulatinamente, fazendo as pazes com esta corrente filosófica (em acepção ampla), lembrando, porém, as ressalvas trazidas à tona pelo Espírito Eugênia, no diálogo que se segue abaixo. A mestra da Espiritualidade Sublime reconhece a presença de charlatães e autores excessivamente simplistas, que ignoram a teia de complexidades da vida e, principalmente, a existência de um supraordenamento, neste universo inteligente e concatenado por Grandes Gênios do Plano Excelso. Por fim, na palestra que proferi há algumas horas, a Sábia desencarnada que me dirige as atividades, como divulgador dos ideais da Espiritualidade Sublime (por pura misericórdia d’Eles e nenhum louvor da minha parte), determinou endossasse, em nome d’Ela e de nossa Escola de Pensamento, um dos autores do “Novo Pensamento”, pela abordagem espiritual, ética, completa, multifacetada, transdisciplinar, apesar da simplicidade quase proverbial de que se reveste: a ianque todo-coração Louise Hay (1926-).

Amanhã, terça-feira, 22 de setembro, uma edição em vídeo aqui será postada – com comentários em áudio realizados por mim, sob condução inspirativa dos Bons Espíritos, por ocasião da conferência de ontem, que proferi aqui mesmo, na capital sergipana, Aracaju. Esta edição, que constitui um terço do filme “Você Pode Curar sua Vida”, apresentará, aos amigos, esta grande dama do Domínio do Bem, reencarnada em missão na Terra, atualmente já na casa de seus oitenta anos de vida física muito bem vivida, em todos os sentidos – incluindo os trágicos lances que ela soube tão bem reverter para o seu e o benefício de milhões de pessoas, pelo mundo inteiro, que lhe seguem as proposições simples e salvadoras, qual se fora uma vovozinha amorosa e otimista, enérgica e pragmática. Por fim, hoje, conforme prometido na preleção noturna finda há poucas horas, trago a lume, em nome da Instituição, o diálogo que travei com a Mestra Espiritual Eugênia, a respeito da delicada temática, que já foi abordada em tom bem mais áspero, em ocasiões pretéritas.

Se algum dos amigos se empolgar com o vídeo e quiser encomendar o filme original ou o livro de Louise Hay, pode entrar em contato com a equipe de atendimento ao público do Instituto Salto Quântico (que fará o link com nossa livraria), pelo telefone (79) 3041-4405 ou pelo e-mail perguntas@saltoquantico.com.br. Se não, ou enquanto isso, aproveite o material gratuito que oferecemos a você, tanto em texto como em vídeo, fruto do conteúdo de 9 anos de atividade em nosso site, 17 anos de palestras, 15 de programas de TV, 21 de existência do Instituto na crosta do orbe.

Irmão em Cristo, Jesus e Maria Cristos,
Benjamin Teixeira,
Aracaju, madrugada de 21 de setembro de 2009
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[Mais recentesan Kardec (1804-1869), Alvin Toffler (1928-) e Louise Hay (1926-)]


O Diálogo com o Espírito Eugênia.


Benjamin Teixeira,
em diálogo com o Espírito Eugênia.

(Benjamin Teixeira) – Eugênia, você nos poderia dizer alguma coisa, mais uma vez, sobre a linha filosófica do “Novo Pensamento”, que eclodiu, nos EUA e no mundo inteiro, em novo “revival”, nesta década?

(Espírito Eugênia) – Sim. Que as pessoas procurem ser felizes. Este é o alicerce fundamental de nossa Escola de Pensamento – não é verdade? Observe-se que, basicamente, Jesus nos falou que “buscássemos o Reino dos Céus”, já que, com isso: “as demais coisas se nos seriam acrescentadas”. Na linha do New Thought, é dito que buscar o bem-estar é o basilar. Todas as correntes de psicologia dizem o mesmo: que a constituição da autoestima (fomentadora de intraduzível e intransferível sensação de bem-aventurança) é a “lapis philosophorum”, a pedra fundamental para a resolução de todos os transtornos da personalidade e mesmo do caráter (para os mais ousados, sobremaneira os reencarnacionistas); que as pessoas devem se afastar do estresse, a fim de usufruírem maior qualidade de vida, etc.

Todavia, para que se consiga essa felicidade-plenitude, conforme asseveram enfaticamente as tradições religiosas e espirituais de todos os tempos e culturas, é imprescindível se alcancem certas precondições (infelizmente negligenciadas por alguns autores desta nova “doutrina”), que poderiam ser sintetizadas nesta quaternidade: desapego e solidariedade, perdão e gratidão – princípios que os bons representantes desta corrente contemporânea de filosofia comportamental compreendem como constituintes viscerais de seu cânone ideológico. Em outras palavras, estão-se dizendo aparentemente coisas novas, mas apenas as tintas são novas – o conteúdo permanece intocado. Afinal de contas, não foi Nosso Senhor, a Voz da Verdade para a Terra, Quem nos propôs: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e a porta vos será aberta”? O lamentável, no entanto, é que não só não se concede, em esmagadora parte do material publicado dentro da literatura denominada de “autoajuda”, o devido destaque aos itens espirituais que resumimos acima, como sequer chegam a ser citados os limites principiológicos irretorquíveis que devemos considerar, sob pena de não lograrmos êxito no atingir nossos objetivos, por meio do empenho de viver o “pensamento positivo”; ou, de outra sorte, em conseguindo alcançar nossas metas – o que, ironicamente, pode-se afigurar muito pior nas implicações –, sofrermos graves consequências cármicas (n’outras palavras: de destino), decorrentes de nossa invasão na esfera do que não nos era devido, porque não designado por Deus e Seus Representantes no Campo Sublime de Vida. E que limites-filtros do Bem são estes? Eis alguns:

1) Não se pode invadir o espaço do livre-arbítrio alheio – ninguém pode fazer uso de expedientes psíquicos para perpetrar ingerências no espaço mental d’outras pessoas, por melhores que sejam as intenções pretextadas.

2) Não se devem colocar os valores materiais acima dos espirituais, como fazer uso da lei de atração para acumular fortuna ou prestígio, sem dar o realce de-vi-do às questões do espírito, em detrimento das do ego, que devem estar submetidas às daquele e não o contrário.

3) E, principalmente: não somos, como indivíduos, o centro do universo; não estamos no planeta, encarnados ou desencarnados, para realizar desejos pessoais, e, sim, para atender a um propósito de serviço ao bem comum, para vivermos em função de um Todo-Maior – o que, paradoxalmente, nos conduz à verdadeira liberdade, à genuína felicidade. Obedecemos a uma Ordem Intrincada, de tal modo que devemos buscar esta Orientação Profunda, para que não ousemos desejar o que não é para nós. Isso não significa que estamos chegando a esta ilação por força da falta de fé ou pela crença preconceituosa de que não merecemos isso ou aquilo, mas porque, realmente, não nos foi designado, como missão, pela Inteligência Suprema, desdobrar determinada atividade, desempenhar certa função, no concerto da sociedade, dos relacionamentos interpessoais que entretecemos, por Divina Vontade.


(Precursor de todo o Movimento New Thought, Ralph Waldo Emerson, a cujas obras tive acesso apenas na casa de vinte anos, foi o Pai da denominada Escola Transcendentalista norte-americana do século XIX. Aqui, num ensaio fotográfico da juventude à velhice, de 1803 a 1882, quase 80 anos de prolífera existência no âmbito material de vida, portanto – longevo que foi, para uma época em que as pessoas, mesmo em nações ricas como já eram os E.U.A., viviam mal e muito pouco.
)

Eis, portanto, enfeixados, os motivos principais para as reservas que publicamos n’outras ocasiões, a respeito da temática, por escrito ou em pronunciamentos falados e/ou televisados.

O princípio da atração existe, o pensamento é a matriz de tudo. Contudo, há outro óbvio a considerar: o princípio evolutivo, que também existe. Assim, nem tudo é acessível a qualquer um, porque nem toda consciência tem a mesma idade espiritual, e, por conseguinte, por diferenças idiossincráticas sutilíssimas e complexíssimas, fora do alcance, em muitas nuances, do poder de escrutínio humano da Terra dos dias que correm, nem todos nasceram com as mesmas delegações de responsabilidade. É por isso que, muitas vezes, quem mentaliza demais o que não é para si pode, em o merecendo, adoecer ou falir, em vez de atingir o seu objetivo, tendo que pagar caro, a posteriori, por se arrogar o direito de ser ou fazer o que lhe não era de incumbência pessoal.

Sumamente, ninguém imagine que exista algo fácil de ser conquistado, porque o estado de “fluxo” é decorrente, sim, da eliminação das amarras egoicas, bem como de todas as programações familiares e educacionais destrutivas e autodestrutivas. No entanto, parar por aí a reflexão, em torno deste estado de alinhamento profundo (de fluxo) com o universo, é pecar por um simplismo leviano e perigosíssimo, ao inspirar a viciosa suposição de que não é necessário trabalho, esforço, disciplina e sacrifício no adiar gratificações, para que se realizem as conquistas, para que se desdobre a edificação do melhor, em qualquer departamento da existência, confundindo (e muito) mentes menos amadurecidas, favorecendo-lhes perdas irreparáveis de oportunidades de crescimento e realização pessoal.

Não se pode esquecer que o “estado de zona”, a excelência que flui das mãos, da boca, da mente de gênios e sumidades de determinadas áreas, é resultado de anos sucessivos (em verdade séculos consecutivos, em inúmeras reencarnações) de trabalho e empenho por expandir as próprias habilidades. Logo, dizer-se que não se faça esforço algum, em razão da ideia de que quem realiza algo, no melhor nível de desempenho, não sente estar fazendo qualquer esforço quando o executa, é tão absurdo como sugerir a um iniciante no estudo de piano: “O seu problema de não tocar como aquele virtuose é que você se esforça muito, e ele, como nota, não parece realizar qualquer esforço para interpretar a peça”. Não por acaso, a par dos momentos em que parecem não fazer investimento algum de esforço, os grandes realizadores, de qualquer área do saber ou do agir humanos, dedicam horas incontáveis, em anos e décadas que dobram sobre si, submetendo-se a exaustiva disciplina de estudo, treinamento e trabalho… muito trabalho!!!

É tudo que, por ora, desejamos publicar em torno do assunto.
(Diálogo travado em 16 de setembro de 2009.)