Benjamin Teixeira
pelo espírito Eugênia
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Eugênia, tem algo a dizer sobre a tragédia dos maremotos que assolaram vários países da Ásia?

Sim. Mais uma vez, estão sendo dados avisos de que se adentrou um tempo de convulsões apocalípticas, que as transformações civilizacionais estão tão profundas e substanciais, que “abalam as estruturas da terra e dos mares” – trata-se, assim, de uma metáfora mesológica do que acontece no nível cultural e social.

Há algo que possamos fazer para amenizar o evento?

Tragédias dessa ordem não são reversíveis – quero dizer o fluxo de acontecimentos que leva até elas – por meio de um apanhado de iniciativas bem intencionadas, que se faça de improviso. Toda uma campanha multidimensional, que atinja todos os tecidos da comunidade planetária, deve ser levada a efeito, no correr de décadas, para que se possa ter um resultado efetivo.

Mas significaria dizer que tais eventos não aconteceriam, caso não houvesse essa crise coletiva no inconsciente das massas?

Claro que sim. Mas as forças tectônicas poderiam ter se manifestado em outra parte. A manifestação mesológica era uma fatalidade, mas por que a Ásia e não a América, neste momento, foi afetada? Porque é do Oriente que partem as maiores incongruências e hediondezes do momento, com o Terrorismo a alardear o perigo do retorno à barbaria. Poderíamos, ainda que com os devidos cuidados, lembrar da sabedoria popular que diria: “castigo de Deus” (melhor sendo dizer: “conseqüências educativas dos atos incorretos dos homens”). Existe a falha de Sant Andreas, no oeste norte-americano, e há décadas espera-se o “Big One”, o gigantesco terremoto que será tão maior quanto mais demorar para ocorrer, como afirmam os metereologistas. O organismo da Terra está doente. Os pontos fracos, como num organismo individual, são os que “exalam” mais intensamente a deficiência do sistema.

As pessoas sempre falam dos inocentes…

Não há mais que dizer quando se coloca em perspectiva a tese da reencarnação. Os expurgos estão acontecendo… em massa. Sofre quem merece e quem precisa sofrer. Deus não comete erros. É a arrogância humana que procura injustiças onde sua inteligência não consegue divisar todas as variáveis.

E as hipocrisias são cada vez mais óbvias. 30.000 crianças morrem de fome na África, todos os dias, e ninguém se dá conta disso, nem se comove. Sequer a mídia dá espaço a essa “matéria rotineira”. Mas quando se trata de criancinhas de outras raças, principalmente quando turistas europeus estão no meio da desgraça, e, por fim, quando hollywoodianos espetáculos da natureza fazem devastação…

A mente coletiva da Terra precisa amadurecer. A dor vem para isso: para estimular o crescimento, pela busca de respostas e soluções que se fazem inadiáveis.

Sim. Que mais teria a dizer sobre o assunto?

Nada mais. Estou satisfeita.

(Diálogo travado em 2 de janeiro de 2005.)