por Benjamin Teixeira.

Sozinho, em meio à ventania, foi-me mostrado um soldado, chefe da guarda pessoal de antiga autoridade medieval. Companheiros de vários séculos, progressivamente estreitando seus laços de intimidade, confiança e partilha, participaram de sociedade secreta, de natureza esotérica, e também dividiram campos de batalha. Irmãos pelo espírito, gêmeos pelo ideal, sentem-se felizes e completos na presença um do outro, vivendo um pedaço do paraíso que, como dito pelos Espíritos de Escol, é constituído pelo encontro de almas boas profundamente afins.

A ventania estava forte e o soldado voltou ao campo de batalha, um grande e valente cavaleiro. Os soldados da guarda pessoal do antigo senhor feudal estão retornando, um a um. Mas um, em particular, é o chefe de todos os cavaleiros, aquele que foi mais estreitamente achegado a seu senhor, e que, mais uma vez, vem dar a segurança necessária a seus passos de líder.

A ventania continua, ameaçadora… mas a borrasca vai passar, assim como também toda a escuridão do momento… e, juntos, os companheiros de jornada mítica estarão de retorno à senda da felicidade e da paz, nos braços da inspiração de um Anjo Maior, luminar de todos, que, de altiplanos indevassáveis, vela por seus destinos e condu-los em seus caminhos (*).

(Texto redigido em 5 de outubro de 2004.)


(*) Dados históricos imiscuídos a linguagem metafórica protegem a privacidade das personagens envolvidas, neste rápido e despretensioso texto poético. Todavia, a mensagem fundamental é a de que, em meio às grandes tempestades da vida, se Deus não concede, ao viajor angustiado, imediata calmaria dos elementos da natureza em torvelinho, oferece segura embarcação, para a travessia da intempérie. Para dar-se conta disso, basta ter, como disse Jesus: “Olhos de ver e ouvidos de ouvir”. Ou seja: ter-se o foco mental correto do otimismo, da fé e da esperança.

(Nota do Autor).