(Trabalho e repouso – equilíbrio e distúrbios nesta relação.)

Benjamin Teixeira e o espírito Eugênia.

Conversávamos descontraidamente, a respeito de banalidades do cotidiano, no correr de nosso almoço. Ao término do tempo estipulado para a refeição, um dos amigos se lamentou de que perdera a hora de acordar, pelo haver esquecido de acionar o despertador, confessando-se surpreso com o quanto estava cansado, para ter dormido duas horas a mais que o programado. Declarava-se também confuso quanto a estar ou não exigindo muito de si, no quesito trabalho.

O culto não se fez por esperar, com as elucidações cabíveis para este tema final de nosso encontro entre amigos, e capital para todos nós, que vivemos muito de perto este drama, nesta civilização com forte foco na velocidade e na produção.  Foram lidos, todos abertos ao acaso: o capítulo 122 de “Vinha de Luz” (Chico Xavier/Emmanuel, 1952), a questão 682 de “O Livro dos Espíritos” e o capítulo XXVII, item 21, de “O Evangelho segundo o Espiritismo” (com uma prece de abertura, logo após a leitura inicial do livro de Emmanuel, e outra de encerramento do culto, ao fim de todas as psicografias).

Concentrando-me para o intercâmbio mediúnico, recebi, primeiramente, da própria orientadora Eugênia, páginas de esclarecimentos pessoais a cada um dos presentes – com os dados íntimos fora de meu conhecimento, como de habitual –, após o que a sábia mestra desencarnada grafou o artigo que se segue abaixo, comentando-nos os assuntos principais que foram abordados no almoço e/ou suscitados na leitura das páginas clássicas sorteadas na tarde.


Trabalho e Repouso.


Com relação às temáticas hoje sugeridas em nosso culto, caber-me-ia enumerar, destacando, alguns tópicos que me pareceram essenciais:

1) É indispensável darmos andamento aos trabalhos de Deus, no instante que se chama “hoje”, conforme o texto “emmanuelino”; ou seja, nunca adiando o que se pode fazer, no momento em que a oportunidade de serviço se delineia, porque poderá não se repetir, ou não mais favorecer a cadeia de eventos que seria gerada, caso o ensejo fosse aproveitado na ocasião exata em que surgiu.

2) Não se pode descurar, porém, da inarredável necessidade de repouso, a fim de que o próprio rendimento no trabalho seja otimizado, de acordo com o que foi assinalado na questão escolhida ao acaso, de “O Livro dos Espíritos”.

E, por fim:

3) O desequilíbrio na obediência às exigências deste princípio de oscilação criativa, viva, entre descanso e ação, esforço e repouso, semeadura e incubação, gera sempre distúrbios correlatos, seja na inércia angustiante, frustrante e desesperadora, seja na ação desordenada e histérica, a devastar os patrimônios da própria vida, sem a aplicação justa de seus tesouros. No primeiro caso, a depressão e o desgosto dos que não lutam por se realizar; na segunda categoria de erro, as enfermidades físicas e emocionais, bem como os desgastes familiares, conjugais e a falência da própria espiritualidade, quando se vive exclusivamente para a vida profissional.

Eugênia.

(Texto composto em 26 de março de 2007. Redação e psicografia de Benjamin Teixeira. Revisão de Delano Mothé.)