Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

 

Devemos romper os padrões psicológicos sofríveis de apego, medo e dúvida, que vimos entretecendo nos últimos tempos, e gerar o renascimento, após a morte deste padrão psicológico, depois do término de um ciclo, de uma fase que se encerra. Embora, é bem verdade, não possamos decidir, sozinhos, pela ocorrência de tais processos dramáticos de revolução em nossas vidas, devemos propiciar, como possível, tais eventos.

Deparamo-nos, agora, com uma sugestão: tornarmos o nosso caminhar existencial uma busca contínua de integração da sombra psicológica – os aspectos menos desejáveis, menos lisonjeiros, e outros tantos, inclusive positivos, que nos caracterizam as personalidades ainda atadas à retaguarda evolutiva. Deste modo, descubramos, enfrentemos, destrinchemos e assimilemos todos esses traços destrutivos ou construtivos de nosso ser, sem paranóia, sem estresse, sem angústia, e, ao superar a tentação à ansiedade e à auto-depreciação, a que fortemente nos sentiremos compelidos nesse processo de confrontação com a sombra, que comumente acontecem àqueles que se dispõem a se enxergar em profundidade. Mantendo a serenidade, lograremos divisar a Luz… a Luz Divina que, por detrás das trevas de nossa própria ignorância, do embotamento de nossa sensibilidade, descortina-nos universos novos de possibilidades de crescimento, felicidade e paz.

Compreendamo-nos ante uma grande conclamação, a de que, a partir de hoje, estejamos compenetrados da responsabilidade de não só aprofundar o auto-conhecimento, mas, sobremaneira, engajarmo-nos no processo de aplicação, no dia-a-dia, da transformação em atos do que tem sido teorizado e percebido no plano meramente intelectual.

Hoje é dia de recomeço! – 1º de maio… não só pelo fato de ser o primeiro dia do mês, cultuado, em nossa sociedade, como sendo o mês de Maria, Nossa Mãe Maior, justamente no primeiro ano da Revelação oficial do Maria Cristo, mas também convencionado como o “dia do trabalho e do trabalhador”. Para todos que somos “trabalhadores da última hora” (*2), entendamos nesta “aparente coincidência”, nesta sincronicidade, um convite de Deus a que nos integremos na militância de espiritualização não só nossa, mas, outrossim, na campanha de cooperação efetiva no trabalho de iluminação de outras pessoas, nossos entes queridos, aqueles com quem convivemos no trabalho e em nossas agremiações religiosas, entre outras, e, por fim, da humanidade como um todo, não importando quantas pessoas consigamos alcançar.

Neste 1º de maio, não por acaso também, comemoramos, trabalhadores encarnados e desencarnados do Projeto Salto Quântico, os 14 anos da primeira preleção pública do nosso intermediário encarnado. Há 14 anos transatos, estávamos numa cidade do interior (*3) de Sergipe D’El Rey (*4), trazendo, a lume, a tese de que todos nós funcionamos, em termos evolucionais, qual um foguete aeroespacial, que se desacopla de partes constitutivas de seu “corpo total”, à medida que se impulsiona para cima, qual nós mesmos, que, na proporção em que rumamos para o Alto, na direção dos grandes anjos e gênios que nos aguardam, há milênios, pelo nosso despertar definitivo para a Luz Divina, também vamos perdendo apegos e outros elementos e aparatos da psique, que nos prendem aos planos inferiores de consciência.

Destarte, nesta ocasião em que estamos na iminência de completar três lustros inteiramente vividos nas atividades psicofônicas públicas, tenham sido ostensivas, intuitivas ou inspirativas (*5), falando à humanidade por meios mediúnicos, pedimos a vocês participem também deste esforço comum de levar a mensagem da espiritualidade adiante, da imortalidade da alma, de que todos somos seres eternos e fadados à felicidade perfeita, no seio de Deus. Não precisamos ser luminares da eloqüência, grandes na retórica, brilhantes na oratória, em todas as técnicas da persuasão. Basta que façamos a transmissão, de coração, daquilo que sabemos essencial, para a nossa e a felicidade de outras pessoas. Uma palavra adequada, no instante oportuno, é capaz de gerar milagres, nas vidas de muitos… Uma palavra afetuosa, prenhe de sentimento fraterno, solidário… Os olhos que flamejam a vibração sincera do desejo de prestar socorro e de expandir e extravasar amor… Isto transforma vidas, mais do que o brilhantismo na eloqüência de qualquer orador… O amor das almas ignoradas, estejam vivendo no anonimato ou passem desapercebidas nessa grandeza d’alma, em pleno martírio do carma da vida pública… O amor que salva a humanidade, as pequenas atribuições divinas de ternura, bondade, gentileza, porque somos ainda ínfimas bolotas espirituais, sementes diminutas de anjo a germinar e medrar, no plano da eternidade… E… neste esforço de salvação alheia, estaremos nos salvando a nós mesmos, porque ninguém levanta quem quer que seja, sem estar de pé, primeiramente.

Salvemos os outros, para nos salvar! Disseminemos a paz, para que nos impregnemos com a Paz do Cristo! E, com isto, ao nos esquecermos de nós mesmos, no serviço ao semelhante, paradoxalmente nos encontraremos, num nível mais profundo de felicidade, paz e lucidez!

A sabedoria e o amor virão para aqueles que estiverem preparados a divisar horizontes mais largos. Preparemo-nos, portanto, porque, como disse Jesus: “Vou antes de vós, para vos preparar um lugar ao Lado do Pai”. Nós somos estes que receberam a promessa do Cristo de termos um lugar reservado no “Reino dos Céus”.

Animemo-nos, “regozijemo-nos”, diria a linguagem evangélica; “rejubilemo-nos”, porque somos todos “eleitos”, porque se agora não nos elegemos, para os altos padrões de consciência do paraíso, pelo mau uso do nosso livre-arbítrio, em futuras existências estaremos cansados, saturados de errar, e, então, teremos maior probabilidade de acerto, nesta decisão de seguir Jesus e Sua Mãe Amantíssima, que nos disseram: “Este é o caminho da bem-aventurança, da vida em abundância” (*6).

Podemos e devemos, e, sem nos darmos conta muito claramente, todos nós involuntariamente já estamos incursos, nesta trajetória luminífera, que nos conduzirá ao Eliseu, onde as almas dos “eleitos” auto-eleitos estarão eternamente no usufruto das delícias intraduzíveis do Reino de Deus…

Nestes momentos finais de nossa fala, queremos voltar nossos olhos e nossos corações à Mãe Amantíssima da Humanidade, e assim dizer:

Mãe Celeste e amorável, Nossa grande e maior intercessora ante Deus (*7), suplicamos a Sua inspiração, para que, a partir de agora, nunca mais incorramos – ao menos não por muito tempo – nos deslizes que ainda nos caracterizam os seres semi-animalizados que ainda somos.

Deprecamos, Mãe Celeste, intervenha para que não chafurdemos por mais tempo, no paul de nossas viciações e neuroses atávicas.

Século após século, encarnação após encarnação, temos resvalado nos mesmos desvãos do crime, da negligência e da insensibilidade. Há tantos séculos de séculos arrastamo-nos, lentamente, qual répteis espirituais, em direção aos píncaros da montanha da iluminação, que, em verdade, constitui cratera gigantesca de vulcão em erupção, o fogo sagrado da transformação, o fogo divino que um dia irá crestar as sujidades peculiares às nossas almas enlameadas pelo erro.

Mãe Santíssima, seja este fogo abrasador, que consome nossa inferioridade, para que Sua Luz e a Luz de Deus façam-se, de hoje para sempre, em nossas almas…

Mãe Santa, Mãe Pura, Mãe Sábia, Mãe Todo-Poderosa, auxilie-nos a sair destas trevas arquimilenares de inconsciência, para que adentremos, definitivamente, o cenáculo da lucidez, o tabernáculo da responsabilidade coletiva, de nos sentirmos obrigados ao serviço e ao amor uns dos outros, sem distinções, e, por fim, da plenitude, na comunhão “ad eternum” com Deus, vivendo, assim, em Deus, apesar de imersos no ramerrão da rotina, e, destarte, encontremos a paz, como disse Seu Filho, “estando no mundo, sem ser do mundo”. Assim seja.

Estes são os votos que nós, da Espiritualidade Amiga (*8), registramos aqui, desejos de felicidade e progresso para todos, a fim de que, deste instante para todo o sempre, potencializemos o aproveitamento de nossas existências – estejamos encarnados ou desencarnados – maximizando os recursos para a felicidade, que já pode ser usufruída, desde já, por quem tem, como lecionou o Mestre, “olhos de ver e ouvidos de ouvir”…


(*1) Recebido psicofonicamente, no dia 1º de maio de 2005, no transcurso da 21ª Jornada Holística do Projeto Salto Quântico, diante dos participantes deste retiro espiritual realizado, trimestralmente, na Praia do Saco, Estância, Sergipe.

(*2) Expressão do texto evangélico que nós, espíritas, entendemos como alusão ao nosso grupo de tarefeiros modernos da seara do Cristo.

(*3) Itabaiana.

(*4) Nome clássico do Estado de Sergipe.

(*5) Eugênia, portanto, estava, desde os primeiros tempos de minha atividade pública no Espiritismo, conduzindo os trabalhos, ainda que incompletamente, por conta de minhas numerosas imperfeições, principalmente nos primeiros tempos, que por sinal, tiveram início bem antes, em 1988, quando Eugênia me apareceu pela primeira vez e fiz minhas primeiras “pregações” individuais, digamos assim, tendo um ponto-marco importante, em 26 de abril de 1990, quando publiquei meu primeiro artigo na imprensa.

(*6) Esta frase não consta literalmente nos evangelhos sinópticos, constituindo uma espécie de súmula, conforme visão de Eugênia, do que Maria e principalmente Jesus deixaram exarado no texto sagrado.

(*7) Eugênia não dá propriamente a conotação católica da expressão, mas sim de o Maior Espírito do globo terrestre, e, portanto, nossa maior intermediária para o Criador, já que, em tese, todo espírito mais elevado que outro constitui, para o menos desenvolvido, um elo na “corrente que o ata” a Deus, embora, paradoxalmente, o Ser Supremo possa se irradiar até todas as criaturas.

(*8) Modestamente, Eugênia priva-se de se apresentar como representante da “Espiritualidade Superior”, com este eufemismo de “Espiritualidade Amiga”.

(*9) Pela extensão e importância desta fala de Eugênia (o texto foi, de fato, como dito acima, originalmente, psicofonado), esta mensagem figurará como correspondente tanto à quinta como à sexta-feira desta semana.

(Notas do Médium)