Benjamin Teixeira
pelo espírito Eugênia.

1. Deus é Infinita Bondade. Isto não se pode negar. Logo, não poderia enviar nenhuma de Suas criaturas para o suplício perpétuo, como preconizado pelas antigas religiões cristãs. Mas Deus é Justiça e deve, sim, permitir que cada um sofra as conseqüências de seus maus atos, não para ser punido propriamente, mas para se emendar. A justiça punitiva é considerada, há muito tempo, como uma abordagem primitiva de Direito e Moral, por jurisfilósofos humanos, que propugnam pela existência de um sistema carcerário reeducativo, que reintegre o indivíduo ao organismo social. E se o ser humano pode fazer uma interpretação misericordiosa como esta, a respeito da complexa temática da justiça, como o Ser Supremo do Universo estaria num nível inferior de avaliação, sentenciando Seus próprios filhos à condenação eterna?

2. Por outro lado, há que se convir que Deus, sendo pré-ciente de tudo, saberia que uma certa criatura cometeria erros passíveis de condenação perene às geenas infernais. Então, tê-la-ia criado, mesmo assim, quase, em outras palavras, gerando-a destinada, desde o princípio, para o sofrimento eterno nas “caldeiras do inferno”? Por idéias como esta, nada plausíveis para o senso comum, quanto menos coerentes com a Imagem de um Deus Infinita Sabedoria e Amor, muitos se fizeram incréus, e ainda têm-se feito.

3. De que forma, então, conciliar estes aparentes opostos do princípio de perfeição divina: Sua Justiça e Sua Bondade? Primeiro, entendamos que o Amor preside a Natureza Divina, se é que assim podemos nos expressar, pois que, conforme qualquer perspectiva religiosa ou espiritual que se avente, do Oriente ou do Ocidente, do passado ou do presente, ao resumir Deus num conceito moral, constitui pacífico ponto comum asseverar-se que Deus “é” Amor. Não pode haver justiça verdadeira, sem que o amor a inspire. Logo, Deus autorizará que uma criatura sofra os efeitos de seus equívocos, para que aprenda com sua própria experiência, a fim de que, mais amadurecida, não torne a errar. Jamais, porém – como alguns acreditam, sabe-se lá Deus como (!) –, relegará um filho da ignorância a uma sentença de suplício perpétuo, sem remissão. Nenhum pai, nenhuma mãe humanos seriam capazes disso, ainda que seu filho houvesse errado além de todas as medidas concebíveis. Por que raciocínio blasfemo, destarte, supõe-se que o Ser Todo-Amor seria capaz de lançar um filho Seu ao tormento infindo?

4. E como se daria o equilíbrio-fusão destas duas funções morais do Divino – permitam-nos assim nos expressemos: Amor e Justiça? Conforme pregado para a maior parte da humanidade, ainda nos dias que correm, e de acordo com evidências científicas, em centros avançados de pesquisa psicológico-transpessoal em todo o mundo civilizado, a reencarnação tem o poder de propiciar a plena manifestação do mal, sem que o bem perca força. Assim, o indivíduo que se decida por uma rota errada, por ignorância ou opção malevolente, sofre os efeitos de sua escolha ruim, até que se canse de padecer e, livremente, tome o rumo do bem. Como seria possível isto no espaço de uma única existência humana? Já com a tese palingenética, temos a infinitude da Misericórdia Divina a se dilatar pelo tempo necessário a que a criatura se aperceba da própria estultícia e se resolva por se alinhar com os Desígnios Divinos, encontrando, deste modo, a paz, o equilíbrio, a felicidade.

5. Alguém poderia cogitar da desnecessidade da reencarnação, já que tais processamentos psicológicos poderiam se dar no plano espiritual mesmo. Mas como suportar, na condição humana, a pressão da culpa, das neuroses, das angústias acumuladas, em anos sucessivos de tentativas frustradas e erros clamorosos? Gente encarnada, mal-entrada na casa dos 20 ou 30 anos, amiúde deseja desfazer toda a teia de erros em que se enredou. Outros, até bem mais velhos, nem sequer se dão conta da enormidade de convicções ilusórias e vícios emocionais em que se cristalizaram. Como se libertar de toda esta canga pesada e opressiva de anos, de décadas consecutivos de delusões sistemáticas? Como se livrar de remorsos atordoantes, transtornos renitentes e certezas enlouquecedoras, totalmente infundadas? Somente por meio do renascimento, com o mergulho do psiquismo num aparelho cerebral completamente novo e num ambiente humano e cultural totalmente diverso, para que se possa propiciar, efetivamente, um reinício, com o esquecimento de tudo que seja prescindível e prejudicial, mas com a preservação dos elementos indispensáveis do ser: suas conquistas evolutivas no campo da inteligência e do sentimento, que lhe favoreçam a continuidade de seu aprendizado e crescimento interiores. Quebrados os ciclos viciosos e os paradigmas fossilizados, o indivíduo, então, pode vir a tomar conhecimento de tudo que lhe aconteceu em pregressas existências, sem com isso soçobrar psicologicamente.

6. Importa considerar, por fim, que os renascimentos podem e devem acontecer dentro de uma mesma reencarnação. Nesta moderna civilização pós-industrial, nesta era de celeríssimas transformações, a velocidade dos acontecimentos sociais, dos progressos tecnológicos e do amadurecimento dos costumes propicia e praticamente exige, como pré-condição não só à competitividade, como até à sobrevivência, que o indivíduo evolua continuamente, em todos os aspectos de sua existência. Mudanças de carreira, de casamento, de religião, de partido político, de hobbies, de estilo de lazer, de práticas esportivas, de cidade, de país… de sexo! Obviamente que o indivíduo deve ter uma profunda consciência de si mesmo, para não perder o norte da própria alma, no fluxo vertiginoso das modificações que é levado a suportar e engendrar em si e em torno de si, vida afora – eis, então, mais que nunca, a necessidade de introspecção de qualidade, na busca de psicoterapias e práticas meditativas e oracionais genuínas, de estudo constante da natureza humana e de si próprio –, mas está fora de dúvida que é imprescindível renascer inúmeras vezes no espaço de uma mesma vida, para galgar patamares mínimos de realização e de sabedoria, na velocíssima realidade humana do século XXI.

(Texto psicografado pelo médium Benjamin Teixeira em 1º de novembro de 2006. Revisão de Delano Mothé.)

Observação:

A página: “Notícia da Semana” foi atualizada no final da madrugada desta quarta-feira, 1º de novembro de 2006.

 

Fonte: http://www.saltoquantico.com.br