Há pessoas que dizem: “Estou com a consciência em paz”. Não estão: apenas, às vezes, sentem menos conflito, por abafarem a voz da consciência, provisoriamente, lastreando-se na “certeza de estarem certas”, o escape ironicamente típico de quem está sem razão.

Enfeixam argumentos, para si e para terceiros, sem os apresentarem diretamente à fonte da Sabedoria que tentam menosprezar – porque, no plano inconsciente, já sabem que estão em erro, e não suportariam os contra-argumentos que lhes fraquejariam ou arruinariam, de pronto, em alguns casos, a “paz” e a “certeza” frágeis em que se sustentam.

Passam anos arquitetando conceitos distorcidos e/ou sendo intoxicadas por ideias de procedência maligna, que as anestesiam para tudo que implique ideal, confiança, respeito e gratidão, paulatinamente vendo como mentiras as verdades mais autoevidentes, porquanto elas mesmas se acostumaram, gradativa e profundamente, a viver num mundo de dissimulações e justificativas para o que lhes convém. Eram fronteiriças entre o bem e o mal e não aparentavam ser.

Depois de desistirem de lutar contra as insuflações malevolentes, rendem-se gostosamente ao mal e seus cariciosos tentáculos de sedução, rumo ao fundo do abismo que não enxergam, desatando gargalhadas sinistras, quais presas dopadas por venenos que impregnam as teias urdidas pelas aranhas mentais em que consistem os gênios diabólicos.

Quando encontrares dessas figuras, tão bizarras quanto tragicamente comuns, nos seios sociais da atual comunidade humana terrena, ignora-as, amigo(a), sem prolongares explicações desnecessárias e, em última análise, inúteis – elas já fizeram sua escolha.

Sim, natural que te sintas quedar em perplexidade angustiosa, amiúde pejada de indignação, ao observares criaturas aparentemente inteligentes e “esclarecidas” enredarem-se em tão óbvias armadilhas de agentes demoníacos.

Adiciona a isso, entretanto, de tua parte, o empenho de blindar-te contra o delírio mefistofélico de que estão acometidas. E reflete em tuas próprias fraquezas, a fim de que tu mesmo(a) não venhas a ser tragado(a) para fossos de insensatez semelhantes, com suas nefastas e inevitáveis consequências.

Deixa que esses vultos estranhos se afastem de ti, parcial ou completamente. Se realmente quiserem ajuda ou se dispuserem a ser mais autocríticos, procurar-te-ão, cedo ou tarde…

Não nutras muita expectativa em relação a isso, entrementes. Tais palhaços(as) tristes já estão vivendo a sina por que se decidiram e que tende a piorar, revelando-se mais tenebrosa: a do buraco negro espiritual da negação d’O que provém do Alto, o que fatalmente resulta em desastre, embora não se possa avaliar, de antemão, nem a extensão nem a variedade de acidentes evitáveis de destino em que incorrerão.

Se alguém se arma de sofismas contra axiomas, precata-te e releva. Este é o Universo livre de Deus, que criou o paraíso, mas também autoriza a existência de regiões infernais, e não te cabe, nem a ninguém, por melhores te sejam as intenções, salvar quem não queira ser salvo(a).

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Matheus-Anacleto (Espírito)
Ashburn, Virgínia, região metropolitana de Washington, D.C., EUA
9 de fevereiro de 2022