Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Minha querida filha Sophia¹:

Os homens são difíceis – oh, se são! Mas nós também, de modo diferente, porém. Na aproximação dos sexos e dos caracteres, descobrimos das mais magníficas oportunidades de crescimento e de comunhão. Eles são o estímulo, cheios de vida e ação; nós: a fermentação salutar, que propicia a germinação, o crescimento e o aprofundamento de todos os processos de criação e realização.

Que seríamos de nós, mulheres, sem eles, e vice-versa? A sociedade amadurece. Os pólos psicossexuais já não são tão claros. As mulheres são mais dinâmicas, assertivas e ativas. Os homens, mais sensíveis, intuitivos e pacatos. Entretanto, a polarização ainda existe, e mais do que se imagina. A nós mulheres, ainda hoje, em pleno terceiro milênio, cabe a maior parcela de compreensão, sacrifício e devotamento, pelas nossas naturais propensões ao sentimento, à abnegação, ao silêncio e ao amor incondicional. Sei que isso pode soar extremamente anacrônico, em plena era pós-revolução sexual, mas, se me ouvir com a voz do coração, compreender-me-á. Mesmo se avaliar o que digo de uma perspectiva mais profunda, ainda que meramente intelectiva, também apreenderá o que quero dizer. E isso porque não estou sendo machista, justamente porque, ao dizer que nos cabe, como almas femininas, maior parcela de responsabilidade nos relacionamentos interpessoais, digo-o exatamente por sermos mais amadurecidas psicológica e moralmente e por portamos, inclusive, maior envergadura evolutiva que a média de nossos pares masculinos na Terra.

Não vou entrar em detalhes, porque você é uma moça inteligente e dispensa que estabeleça, aqui, programas de ação ou de melhoria na relação. Mas peço-lhe, tão-somente, que além das naturais posturas enérgicas de defesa do próprio ponto de vistas e dos direitos inalienáveis pessoais que dele emanam, não descure do elemento indispensável de renúncia, concessão, abdicação, e até de sacrifício, que todo relacionamento exige, de parte a parte, mas, quase sempre, bem mais à mulher.

Estou certa de que me compreenderá e alcançará as sutilezas de meu recado. Estarei orando por você e peço que faça o mesmo, por si, por seu querido esposo e por seu casamento, já que constitui união de almas e sério compromisso do espírito para os dois, com grandes frutos de realização e crescimento para ambos, se persistirem na trilha assumida ante a sociedade e Deus. Mas, esteja certa: os benefícios galardoarão, principalmente, você, porque, como revela a origem etimológica da palavra “sacrifício”, “saccer”, do grego, significando “sagrado”, aquele que se sacrifica introduz-se num caminho de se tornar sagrado. Sem excessos, sem atitudes auto-destrutivas, mas com muito espírito de serviço e abnegação, dê-se, minha filha, dê-se muito, e, no amor que der, encontrará a paz… e a plenitude, porque foi sempre dando sem esperar nada em troca, que lentamente deixamos a lama escura e fétida do passado animal e adejamos, ainda que lentamente, em direção ao firmamento infindo de angelitude que nos aguarda a todos…

Sua mãe espiritual

Eugênia.
Aracaju, 27 de julho de 2004.

 

1 Nome fictício. Esta mensagem, originalmente recebida para uma única destinatária, foi , por sua qualidade e por tangenciar assunto de interesse universal (e com expressa autorização da mesma), transformada em artigo dirigido à coletividade, sem nenhuma alteração do texto. Tê-la-íamos que proteger, naturalmente, entretanto, ocultando sua identidade, sob a alcunha de um pseudônimo.
(Nota do Médium)