Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

É bom que os prezados amigos aqui congregados considerem a importância desta experimentação (*), não como sendo tão-somente um compromisso na semana, mas sim um momento de exercitar a capacidade de sintonia com o melhor. Se, ao sairmos desta sala e desta agremiação fraterna, vivenciarmos a lama psicológico-moral própria e de terceiros, sem a transmutarmos para fatores benevolentes e produtivos, educativos e espirituais, qual fazemos aqui, estaremos defenestrando oportunidade preciosa de crescimento e ascese. Assim, a nossa sugestão mui enfática é que os queridos confrades e confreiras, em ideal espiritista e em atividades mediúnicas, façam a aplicação sistemática do autodomínio que aqui treinam em suas existências, seja no ambiente profissional, seja no seio familiar, ou em quaisquer outros agrupamentos de que façam parte, a fim de que possamos nos tornar mais felizes.

O que estamos aprendendo aqui é a felicidade. Felicidade como sendo harmonia dentro do feixe complexo de vetores psíquicos que constitui nossas mentes (os fragmentos vivos que compõem nosso psiquismo); mas felicidade também significando harmonia nos processos intrincados que nossa própria consciência entretece com agentes psíquicos externos, formadores de individualidades coletivas, por “fora” – família, grupo profissional, religioso, político, etc.

Se fizermos o esforço de aprender, nestes instantes especialíssimos em que aqui nos encontramos semanalmente, a arte de sintonizar com o melhor, embora percebendo o pior, estaremos entesourando todo o bem que podemos auferir desta dádiva do Céu. Em outras palavras, indubitavelmente precisamos perceber – analítica, realística, racionalmente – o mal que acontece em torno de nós, para que nos precatemos de sua influência deletéria (não nos deixando envolver, envenenar, intoxicar por essas forças destrutivas, tanto dentro quanto fora de nós), focando sempre o bem que podemos realizar e viver, laborando por expandir nossa consciência na direção das metas que nos inflamam o coração, dos ideais que nos exortam a saltar de nível de expressão intelecto-moral. Fazendo isso, estaremos concretizando a meta educativa que é colimada nestes encontros semanais.

Devemos nos precatar da suposição de que, pelo simples fato de estabelecermos assiduidade a estas tarefas rotineiras – vejamo-las como ritos ou métodos de comunhão com o espiritual e o Divino –, não nos enveredando ou resvalando pelo absenteísmo, estaremos já cumprindo completamente nossas obrigações morais e espirituais perante Deus e Seus representantes do Plano Sublime de vida. Somos monitorados por tudo que fazemos, 24 horas ao dia. Muito acima de nós, desencarnados, e de vocês, encarnados, somos observados e supervisionados por grandes Autoridades Angelicais, que nos endossam o processo de atuação no mundo físico, através das janelas psíquicas da mediunidade. A vocês, destarte, cabe o esforço constante de aumento de sua vibração em direção a nós, que continuamente trabalhamos no sentido de auxiliá-los a se alinharem com a freqüência de nosso diapasão mental mais alto.

Façamos uma aplicação construtiva de tudo que aqui estamos vivendo, para que nos capacitemos a dar grandes saltos de evolução, a desferir magníficos vôos na rota da eternidade – ou seja: que nos tornemos imperturbáveis às influências externas perniciosas, ou mesmo àquel’outras, autodestrutivas, que partem de nossa própria interioridade. Se desenvolvemos essa imperturbabilidade às oscilações do momento, estamos começando a imergir na eternidade, passando a ser, de fato, como afirmavam os grandes mestres da Grécia Antiga: sábios, sábias.

Que vivamos a busca da verdadeira felicidade, da bem-aventurança, afastando-nos da dor, buscando o prazer, conforme disse o mestre Epicuro – mas que se entenda o fugir à dor e procurar o prazer não na acepção superficial, imediatista, hedonista, e sim na conotação de escolhermos e empenharmo-nos em vivenciar uma satisfação profunda de alma, de espírito.

Que cada um, portanto, busque o seu núcleo, seu eixo, seu centro, para que, deste ponto axial de si, possa estabelecer alicerce seguro a edificar o prédio de sua felicidade, realização pessoal, criatividade, produtividade, flexibilidade, disposição a realizar o novo e até a transgredir, em nome de Deus – isto é, apresentar, quando necessário, a audácia de não respeitar convenções, tabus, preconceitos, tradições fossilizadas, se estes contradisserem princípios intemporais, que a própria consciência aponte como necessários. Sigamos, pois, a nossa intuição, a vontade de viver plenamente, fazer o bem e gerar a felicidade na vida de outras pessoas e na nossa própria, por conseqüência. Buscar manter este padrão constitui a maior e mais completa aplicação dos recursos mediúnicos e anímicos que toda criatura porta em si.


(Mensagem recebida pela psicofonia de Benjamin Teixeira, em reunião mediúnica fechada de 15 de janeiro de 2008. Transcrição de Úrsula Rangel. Revisão de Delano Mothé.)

(*) Eugênia alude ao trabalho dentro da reunião mediúnica, em que foi recebido este comunicado. Importa considerar que o raciocínio da mestra desencarnada pode ser estendido para cultos religiosos de uma forma geral, razão por que tem aplicação universal a todo leitor, ainda que não participe, diretamente, de sessões de intercâmbio psíquico com o domínio extrafísico de existência.

(Nota do Médium)