Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

A bem-aventurança constitui-se não só de um elemento, mas de todos os fatores-fios componentes da tessitura da existência. Não é possível estar em paz e feliz, se departamentos essenciais da psique estão sendo ignorados, quando não maltratados. Por isso, propugnamos se faça a busca da serenidade e da ventura, em todos os sentidos: se não considerarmos a totalidade do indivíduo, o desequilíbrio se instalará, e a frustração de setores determinados da mente repercutir-se-á em outros âmbitos da alma, num efeito dominó prejudicial ao conjunto inteiro da personalidade em foco.

Logo, querido amigo, não acredite em felicidade, em regímen de desarmonia íntima. O domínio físico do ser, quanto o espiritual; o profissional, quanto o vocacional; o social, quanto o cultural, devem todos estar em uníssono, a fim de que possa a criatura atingir a plenipotência de suas possibilidades, colocando-as, desdobradas e galvanizadas, no nível máximo de manifestação.

Por outro lado, não lograremos a abundância de transbordamento de graças, no curso de nossas existências, se, primeiramente, não nos alinharmos com o Fluxo de Deus – este é outro ponto axial, para que ativemos o núcleo gerador da bem-aventurança nas entranhas de nós próprios. Que cada um, portanto, busque a conexão com Deus, a seu modo, sem ferir seus princípios, nem suas estruturas figadais de personalidade – o que nosso amigo porta-voz (*) gosta de nominar como “idiossincrasias” –, ao que aditaríamos o elemento visceralmente estratégico do respeito às linhas gerais de ideologia esposadas pelo indivíduo, as quais não podem ser confrontadas, sob pena de o psiquismo entrar em conflito consigo mesmo, já que os valores mais altos da alma refletem a própria imagem do Self – o arquétipo da totalidade (segundo a nomenclatura junguiana), a Centelha Sagrada (como compreendido na terminologia kardecista), o Cristo Interior (conforme as correntes de cristianismo esotérico preferem denominar), ou seja: o anjo em semente, a potencialidade divina, em latência, que jaz adormecida, no imo de toda criatura –, que precisa ser ativado ou, melhor dizendo, ter seus caminhos de ativação liberados, uma vez que o impulso de transcendência não pode ser conduzido pelo ego ou personalidade consciente, mas sim pelo anjo em gérmen, que, em suas intrínsecas estruturas de identidade, guarda o programa da autotranscendência para o ser em evolução.


(Texto psicografado em 13 de julho de 2008. Revisão de Delano Mothé.)

(*) Forma como Eugênia mais comumente se refere à minha pessoa, quando em manifestações públicas.
(Nota do Médium)