Benjamin Teixeira
pelo espírito Anacleto.

Procure estabelecer balizas claras, para si, do certo e do errado, e siga-as. Nem sempre será fácil intuir exatamente onde está essa baliza de discernimento, mas quando conseguir descobri-la e onde descobri-la, seja a ela fiel, ou estará traindo a si próprio. E ninguém engana a si mesmo.

Nunca contrarie sua consciência: é uma grande regra de verdade, das poucas que poderíamos dizer universais, nesse mundo de tantas relatividades. Com freqüência, ser-lhe-á difícil distinguir verdade de impostura, entre sua consciência e o preconceito, mas você não terá alternativa a não ser seguir a voz de sua alma, enquanto ela falar da forma que falar. Questione depois. Reflita em torno e questione suas bases de argumentação, seus valores, suas motivações, para modificar seus postulados, se for o caso, após extenuante trabalho de reformulação íntima. Mas enquanto imperar um certo código moral interno, respeite-o, a bem de si mesmo, de sua saúde física, emocional e mesmo mental. A maior e verdadeira, e, em realidade, única traição que existe é a traição de si. Ninguém trai companheiros: trai a própria consciência, que nunca perdoa (enquanto uma reparação num nível real ou simbólico não for levada a cabo) e da qual jamais se pode evadir. Eis a resposta para o paradoxo de gente que se atormenta por ter feito nada, porque acha ter feito algo de grave; e gente que perpetra horrores e tem a alma aparentemente em paz, porque julga, em seu discernimento de sociopata, que não fez nada, ainda que mais tarde venha a ter que dar contas pelos crimes que cometeu.

Faça um inventário rigoroso de seus princípios, e siga-os, como a uma lei férrea. Nada lhe fará bem maior. Sentir-se-á em paz, seguro e feliz, em medidas que não imaginava possíveis. Nenhuma terapia no mundo, nem qualquer compensação, do dinheiro mais farto ao poder mais estonteante, anulará os efeitos da consciência em turbilhão. Por outro lado, por fora tudo pode estar correndo mal, se você estiver em harmonia com seu núcleo mais profundo de ser, nada conseguirá afetá-lo em profundidade, e você terá forças, criatividade e alegria, para reconstruir toda sua vida, quiçá de modo muito melhor do que antes da ruína.

Seja senhor em sua casa mental e servo dos deveres com sua consciência. Notará, muito cedo, que essa auto-escravidão voluntária é a mais plena forma de liberdade e paz que pode existir.

Faça o teste e verá. Eis porque a virtude é o melhor caminho para a felicidade. Eis porque o mal e o crime, de fato, nunca compensam.

 

(Texto recebido em 19 de abril de 2001.)