pelo espírito Eugênia.

No universo das relações humanas, costumamos confundir amigos com outras categorias relacionais, como colegas de trabalho ou companheiros de vida acadêmica. Amigo, na mais pura acepção da palavra, é irmão, sócio de destino, parceiro de todas as horas, em suma: um familiar fora da consangüinidade. Entretanto, como o povo faz o idioma, não podemos remar contra a maré das realidades lingüísticas, e, diante de tal práxis verbal, consideremos o que os léxicos poderiam enumerar como psicotipos de amigos, negativos e positivos:

Os Amigos Negativos:

Amigos-desgraça.
Chegam apenas para falar de misérias, próprias ou dos outros, emanando horrendas vibrações e energias de angústia e pessimismo.

Amigos-decadência.
Estão sempre prontos a participar de negócios ou ocupações viciosas, quando não imorais ou ilícitas, que nos alimentam os aspectos menos construtivos da própria personalidade.

Amigos-problema.
Vêm para nos onerar com assuntos a serem resolvidos por nós, nunca para fazer parte da solução de problemáticas que vivemos.

Amigos-interesseiros.
Só estão solícitos porque desejam algo obter de nós, desaparecendo todo vínculo quando a possibilidade de se beneficiarem desaparece.

Amigos-das-horas-felizes.
Estão sempre dispostos a festejar e rir conosco, mas, quando os “ventos” da sorte não vão bem por nossos caminhos, correm espavoridos de nossa presença, cheios de variados pretextos.

Amigos-abutres.
Estes, capciosamente, parecem amigos verdadeiros, porque nos aparecem nas horas amargas, mas, embora se nos afigurem estar ajudando, apenas se comprazem, internamente, com nosso “azar”, sumindo de nossos caminhos, quando a existência nos sorri com novas possibilidades de crescimento e realização. Exalam um sombrio ar de derrota quando “almejam” socorrer. Rompem relações e nos consideram “vaidosos” ou “esnobes”, quando retornamos à linha ascendente do sucesso.

Amigos-circunstanciais:
Jornadeiam ao nosso lado, aparentando elos sinceros de ternura, mas permanecem em nossas vidas por força de contingências de trabalho ou de estudo, ocupação familiar ou social, imediatamente tomando outros rumos, quando tais conjunturas deixam de existir.

Apesar desta lista lamentável de falsos amigos, há os que, realmente, vêm para agregar valores e favorecer a felicidade e a paz:

Os Amigos Positivos:

Amigos-bênção.
Surgem do nada, apresentados por alguém ou por conta própria, para nos trazer graças de crescimento, pela palavra esclarecedora, pelo ombro fraterno a ofertar consolação, por oportunidades novas de trabalho e aprendizado.

Amigos-solução.
Fazem-se vórtices de resolução de questões pendentes em nossas vidas, e entre estes estão terapeutas, conselheiros espirituais ou mesmo companheiros de destino que sempre adentram nossas existências para dissipar nuvens de destrutividade e favorecer o melhor.

Amigos-amparo.
São portadores de consolo e auxílio em momentos amargos, pelo espírito sincero de solidariedade humana, derramando bálsamos em feridas abertas, tornando-se pontos de luz na escuridão dos instantes mais difíceis.

Amigos-de-profissão.
Embora nem sempre apresentem afinidades especiais com nosso coração, fazem-se escoras importantes no desempenho de nossos deveres para com a coletividade, oferecendo-nos complementação para as nossas aptidões e competências – freqüentemente incompletas – na execução de tarefas sob nossa responsabilidade. Compõem, normalmente, as equipes de trabalho de que participamos.

Amigos-de-ideal.
Constituem almas irmãs, na mais elevada conotação do vocábulo. Podem ser colegas de trabalho, confrades de corrente religiosa, companheiros de agremiação desportiva, de organização cultural ou ecológica, política ou acadêmica, ou mesmo, com relativa freqüência, componentes de nossa parentela biológica. São aqueles que se compatibilizam com nossas mais elevadas expressões vocacionais, evolutivas e espirituais. Estão muito próximos do que se pode chamar, pela profunda sintonia de valores, princípios e metas, de “almas gêmeas”.

Amigos-responsáveis.
Assumem compromisso conosco e, amiúde, mesmo quando a sintonia de valores desapareceu, ainda quando nunca existiu afinidade de idéias ou sentimentos, velam por nossos interesses como gardiães prestimosos de nossa paz. Pais, cônjuges, mestres e guias espirituais costumam estar entre estes tipos divinos de amigos.

Partícipes de todos estas classes excelsas de amigos (estes últimos que qualificamos como “positivos”) podem até se converter em companheiros permanentes de nosso trajeto existencial, ou irem-se, tão misteriosa e suavemente como apareceram em nossa rota de vida. Mas, de qualquer forma, serão sempre dos maiores tesouros que a Divina Providência nos concede, favorecendo a maximização do aproveitamento de lições evolutivas da existência e o abrandamento de todas as provações, quando não da cessação de muitas delas. São, de um certo modo literal (em considerando a origem etimológica do verbete), anjos em nossas vidas, na medida em que “anjo” significa: “mensageiro de Deus”.

Obviamente que, na prática, não encontraremos quem se encaixe, à perfeição, em nenhum perfil psicológico específico, como os que apresentamos acima. Podemos mesmo asseverar que cada pessoa com quem convivemos constitui um misto de tipos-amigos que nos dará uma resultante personalíssima de caráter. A divisão nestes padrões gerais segmentados proporciona, contudo, uma maior didática na compreensão da complexa realidade com que nos deparamos, nas relações interpessoais.

Importantíssimo entendermos a responsabilidade que nos cabe de propiciar os relacionamentos com os “tipos positivos” de amigos e neles investir, para que floresçam, em vez de morrerem, por nossa negligência; e, por outro lado, gerenciar nossa vida psicológica, para aproveitarmos os elementos construtivos-educativos do convívio inevitável com os “tipos negativos” (haverá sempre situações nas quais não nos poderemos evadir de tais contatos); já que, quando Deus permite que alguém se aproxime de nós, ou este alguém reflete traços de nossa própria personalidade, ou nos estimula o desenvolvimento de outros.

Por fim, tomemos a perspectiva invertida e verifiquemos que natureza de amigo temos sido para as diversas pessoas que trafegam por nossas veredas existenciais. Muito justo avaliarmos o quanto os outros têm a oferecer de benefícios para nós: isso indica responsabilidade com nossa própria pessoa. Determo-nos neste lado da moeda relacional, todavia, indicará egoísmo exacerbado e, irônica e inexoravelmente, atrair-nos-á pessoas igualmente egoístas e interesseiras, pela lei fatal das afinidades. Com um pouco de autocrítica, poderemos tomar sustos lamentáveis (ou felizes, se nos gerarem mudança de conduta) sobre quem de fato somos na vida de outras pessoas. Por conseguinte, é de nossa responsabilidade, outrossim, melhorar a qualidade do amigo que fazemos de nós mesmos para os outros, prestando serviços relevantes à felicidade de indivíduos e grupos.

(Texto psicografado pelo médium Benjamin Teixeira, em 8 de maio de 2006. Revisão de Delano Mothé.)