Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Aí, pertinho de você: é onde estamos. Entrando e passando por entre as cadeiras, ouvindo os mais moucos e sutis sussurros de suas almas…

Nós, amigos desencarnados dos prezados companheiros que ora nos ouvem ou lêem, somos tidos à conta de uma vaga ilusão na mente dos que crêem. Outros nos vêem como uma bem elaborada fantasia de psiques criativas. Outros ainda nos encaram como complexas abstrações conceituais, que correm no intelecto de gente instruída e perspicaz. Não, mais uma vez não. Somos, tão-somente, uma maravilhosa realidade, tão real como a existência de vocês mesmos, apenas em condição extrafísica.

Não é fácil, para todo mundo, na Terra de hoje, conceber essa idéia. Muita gente ainda continuará nos compreendendo como uma possibilidade, uma hipótese, uma teoria, um resultado de crença, bem construída, mas apenas isso: nada mais que uma crença. Todavia, enquanto tais cogitações – quase absurdas, por um lado; hilárias, por outro, mas muito tragicômicas, em suas conseqüências e implicações finais – seguem, nós seguimos ao lado de vocês, lamentando a tremenda ignorância em curso, que os impede de usufruir a fabulosa felicidade de estar acompanhados, da dimensão de cá, por seres amorosos e gentis, sábios e protetorais, que velam pela paz e pelo bem-estar de seus pupilos, desde as mais comezinhas questões materiais, até as mais escatológicas elucubrações do espírito.

Assim, antes que nos delonguemos demais, no que não passa de um chamado à realidade, sugerimos, queridos amigos que nos ouvem ou nos lêem: considerem essa possibilidade, e vivam-na a partir de agora; experimentem-na ao menos, com uma certa medida de boa vontade, qual se ela realmente fosse um fato, e vejam como se sentem e o que lhes ocorre. A simples abertura a essa conjectura, mesmo que prenhe de dúvidas, fornecerá espaço mental suficiente para que todas as evidências e raciocínios límpidos emerjam, em favor da tese que advogamos (quase risível, já que agora falamos com vocês): a de que nós existimos.

Não somos fumaça ou abstrações, nem fantasias ou fantasmas; somos amigos, bons amigos, que lhes querem muito bem, um pouco mais instruídos e lúcidos; somos os que lhes guiamos, aos que estagiam, um pouco mais carentes e sofredores, na condição de alienação espiritual, mas, de qualquer forma, todos unidos, numa magnífica teia de fraternidade universal, interligados em todos os níveis de evolução, dos pródromos da inconsciência bruta dos minerais aos píncaros da superconsciência na angelitude. E, acima de todos nós, maravilha das maravilhas, um Ser Todo-Amor vaza abundância em todos os sentidos e prodigaliza-nos bondade e oportunidades infinitas, para nossa felicidade, nosso crescimento ininterrupto e a glória, que nos é direito inalienável e certeza indefectível, de que estaremos um dia, cada vez mais próximos desse dia, imersos num oceano de completa realização íntima: a plenitude.


(Texto recebido em 15 de julho de 2000. Revisão de Delano Mothé.)