Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Tua ilusão, tua felicidade.
Tua ignorância, tua paz.
Não forces amealhar informações extemporâneas ou adquirir conhecimento além de tuas possibilidades psicomorais de absorção, ou:

1) Serás ludibriado por peça pregada por teu inconsciente;

2) Truncarás os dados, por impossibilidade de compreendê-los;

3) Sofrerás mistificação por entidades malevolentes ou enganadoras, que se aproveitarão do ensejo de tua atitude insubmissa e inconseqüente, para te injetarem idéias destrutivas na mente;

4) Darás aplicação equivocada ao descoberto, subvertendo a ordem dos valores;

5) Entrarias, caso fosse possível uma revelação genuína por parte do Plano Sublime, numa crise existencial impensável, altamente lesiva e de implicações dificilmente reparáveis no espaço de uma existência física;

6) Mais provavelmente, padecerias um resultado que miscigenaria um pouco dos quatro primeiros itens, com traços longínquos de conhecimento apropriado, embora não revelado pelo Domínio Superior de Existência (item 5).

A ilusão, por princípio, deve ser sempre desfeita; e a ignorância constitui, indiscutivelmente, um flagelo a ser debelado, no seio da humanidade. Todavia, assim como a luz excessiva pode crestar a retina dos olhos ou a dose medicamentosa extravagante converter-se em veneno mortífero ao paciente de saúde fragilizada, igualmente o conhecimento, quando em proporções que superem as condições de entendimento e assimilação por parte de quem o ouve ou lê, pode se transfundir num dos mais perigosos tóxicos ao espírito.

Lembra-te da tecnologia bélico-nuclear e da ciência materialista e atéia, ou mesmo da patológica iniciação da criança na sexualidade, com sérios distúrbios psicológicos conseqüentes, e terás uma imagem próxima do que queremos transmitir.

Aceita, humildemente, teu nível de ignorância e estupidez, para que possas galgar, legitimamente, mais degraus na escada infinita da lucidez. E, sobremaneira, fixa a lição inolvidável do grande filósofo grego (*), que delineia as balizas-mestras da verdadeira sabedoria: “Quanto mais sei, mais sei que nada sei.”

(Texto recebido em 31 de julho de 2007. Revisão de Delano Mothé.)

(*) Sócrates, de quem Eugênia foi amiga íntima, quando de sua reencarnação como Aspásia de Mileto – que, conforme dito pelo próprio filósofo, foi sua mestra na arte da retórica.
(Nota do Médium)