Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Quando a criatura nega a suspensão do prazer, segue-se o colapso do sistema orgânico, como os toxicômanos bem o revelam, no próprio teatro de tragédia e decadência de si mesmos. Se a atividade não dá lugar ao repouso, a vida se extingue, em curtíssimo espaço de tempo. Se, ao pólo positivo, não se contrapõe o negativo, imediatamente o fluxo da energia é interrompido.

Não fujas, companheiro, da inevitabilidade cósmica da dor. Para onde fores, deparar-te-ás, inelutavelmente, com este fenômeno, que, paradoxalmente, nada tem de mórbido e desagradável, em última essência; nem de destrutivo, em seus propósitos mais profundos e ulteriores.

Vê que da morte surge a vida – a semente, comprimida na escuridão fria e úmida do ventre da terra, arrebentada, em suas entranhas, no processo de germinação, faz espocar, de sua intimidade destroçada, o broto viril, que trará fonte à vida no globo, seja na fotossíntese ou na alimentação de herbívoros, base imprescindível da cadeia alimentar. Medita, outrossim, na dor do parto, lacerante para a fêmea-mãe, que traz a vida, pujante, ao concerto da criação.

Observa, irmão em Cristo, que, de modo algum, propomos-te culto à dor sistemática, nas neuroses do masoquismo autopunitivo, nem fuga à responsabilidade de pugnar e trabalhar, continuamente, por tornar o mais satisfatória e rica possível, em todos os sentidos, a tua como a existência de teus semelhantes. Aludimos, sim, exatamente ao contrário: à necessidade de permitir a manifestação do fenômeno da felicidade, pelo único meio através de que esta materialização pode ser propiciada: mediante a canalização do Fluxo da Vida, que inclui, inarredavelmente, os elementos sombrios, ou vazios, ou negativos, como se queira denominar a parte menos palatável ou imediatamente prazerosa da totalidade unificada e indivisível do Existir.

Quebra, definitivamente, teu pacto com a suspensão da tensão, o drama da Queda do Jardim do Éden, encenado na mitologia bíblica, como em inúmeros outros mitos e lendas das culturas primitivas. Aceita a tensão dos contrários, qual o Cristo, no Alto da Cruz, que Se propeliu à Ressurreição. Só há salto de qualidade, nos processos do existir e crescer, se há autorização para o sacrifício do inferior, em função do superior; para a renúncia ao menos extenso, pelo mais amplo, que, ironicamente, todavia, o abarca. Jesus, elevado do chão, mas não tocando o Céu, na tortura da levitação forçada, nos pregos do madeiro infamante, como Representante da Humanidade encarnada, constitui o símbolo vivo do que é estar entre os pólos de opostos, a fim de que haja a possibilidade de se fazer canal, para a Fonte da Vida.

Maria Santíssima, como Mãe de pé, aos pés da Cruz, assistindo ao martirológio inenarrável de Seu Puro Filho Único, idem, é alegoria dramática da observação contemplativa de Deus, sem paixões ou escolhas polarizadas, da inexorabilidade deste processo, como mecanismo fertilizante da vida e sua vocação criacional.

Cogita, prezado irmão em espírito, com profundidade e isenção, em torno desta temática proposta, na abordagem que te alvitramos, e rapidamente concordarás com nosso postulado. O aluno aplicado, que aufere prazer no ato de se empenhar em seus estudos, não vê propriamente dor na disciplina acerba a que se submete, cansando o aparelho visual, a ponto de exigir-lhe o recurso de apêndices não-naturais.

O atleta, aficionado por determinada modalidade esportiva, de forma alguma se sente sujeito a tortura afligente, por se impor longas jornadas de treino, amiúde conduzindo a máquina orgânica às raias da falência, com a anóxia, impregnando de tóxicos e venenos mortais o veículo de carne que, por este meio, de modo aparentemente contraditório, é conduzido à excelência funcional – pelo processo da hormese, paradoxalmente, propelem-se os mesmos tecidos e órgãos, parcial e provisoriamente lesionados, a níveis muito mais avultados de força, resistência e funcionalidade.

O profissional de talento e sucesso, que envida esforços, tempo e vida ao labor de seu ideal, de maneira alguma interpreta, como martírio e injustiça, o investimento que faz em seu próprio triunfo e competência, no ofício d’onde aufere a máxima alegria que pode conceber, apesar de, não raro, sua vida conjugal, familiar, espiritual e física serem arrastadas, quase que sem questionamentos íntimos, à total bancarrota.

Atenta-te, amigo, que o que te propomos, hoje, é quebrares, em ínfima medida que seja, tua escravidão aos padrões hipnóticos da cultura hedonista que pervaga na civilização ocidental moderna, que se faz hegemônica, no orbe inteiro, neste raiar do século XXI.

Verifica que, por detrás de todo ganho, há perdas; tanto quanto, implicada em toda perda, de reversa maneira, há alguma ordem de ganho.

Supera o paradigma mecanicista e medieval do maniqueísmo. Enxerga além das aparências, e percebe como, acima do que teus olhos alcançam, no firmamento, há mundos indevassáveis, pululando ao infinito.

Jamais te rendas a compactuar com sistemas de manipulação sadomasoquistas, tão comuns, lamentavelmente, nas relações familiares, profissionais, religiosas, sociais. Insurge-te contra toda forma de espoliação do mais fraco pelo mais forte, ou de opressão do direito de agir, pensar, sentir e falar livremente de todo irmão teu, em humanidade. Reforça, com ênfase, teu alinhamento com o compromisso da felicidade e da plenitude. Mas não traduzas nenhuma dessas premissas inquestionáveis, no corolário superficial, obtuso e imaturo da negação da dor. O sofrimento é parte indissociável do estar vivo. Aceita-o, porque, onde há amor, há dor, e Deus é Amor. Permite-nos, mais uma vez, porém, apelar para o conceito, oximoro dos oximoros: onde há amor, há tanta bênção e graça, que o padecimento perde seu colorido, para constituir um elemento condimentar, semelhante ao ácido, num suco cítrico, ou ao sal, num prato quente apetitoso.

Remete-te a estas metáforas poderosas, e rompe, definitivamente, tua sujeição à tirania amesquinhadora, castrante e estupidificadora (admite-nos o neologismo) da cultura consumista e narcisista do prazer do ego, do corpo e do agora – estes três monstros, inimigos mortais da Espiritualidade Genuína: o egoísmo, o materialismo e o imediatismo, que se jungem ao quarto que os introduziu, indiretamente, e que, em verdade, sintetiza, magnificamente, a salvação e a transcendência de todo o sistema de alienação da natureza última do ser humano: o hedonismo, pois que não passa de uma deturpação da busca fundamental da ventura, da felicidade, da plenitude, que se não pode manifestar num mero programa de prazeres físicos sistemáticos (embora não os rejeite), e sim num amplo espectro de possibilidades morais, intelectivas, espirituais, emotivas e relacionais, que englobam, despertam, dignificam e maximizam a completude do potencial à abundância, à lucidez e à bem-aventurança que a consciência humana é apta a experienciar. E isso, amigo, em resumo, é o portal para o paraíso…

(Texto recebido em 3 de julho de 2008.)

(1) Eugênia, guia espiritual autora desta mensagem, pediu-me mantivesse-a exposta, durante todo o fim de semana, como “mensagem do dia”, dado o grau de importância nela contido. Anuí entusiasticamente, já que tomaria, por mim mesmo, essa iniciativa (pedindo-lhe vênia para tanto, é claro). Isso porque, se este não for o mais rico e impactante dos artigos que a sábia orientadora redigiu, por intermédio de minha psicografia, certamente está entre as peças mais raras e primorosas de nossa parceria psíquica. Veio a calhar essa “coincidência”, visto que estarei me ausentando, por dois dias, da capital sergipana, para a realização, com um pequeno grupo de pessoas, de nosso retiro espiritual episódico, que denominamos “Jornada Holística”. E lá, como me imerjo, completamente, nas múltiplas atividades e vivências terapêutico-espirituais, não seria possível providenciar mensagens novas – talvez programasse, ao menos, trazer a lume páginas mediúnicas antigas, que, todavia, fossem inéditas neste sítio eletrônico da internet. Leia, medite, estude, deguste, apregoe em seu gabinete profissional, emoldure na sala de visitas ou fixe na geladeira da cozinha, em sua residência; introduza debaixo do vidro protetor de seu birô, no trabalho. Esta, sem dúvida, é daquelas falas seminais, da Espiritualidade Sublime, que precisamos ler, reler, e tornar a rever, a vida inteira, a fim de lhe assimilar todas as idéias, intuir as entrelinhas e cogitar meios de aplicá-la em nossas existências.

(Nota do Médium)

Convite:

Prevendo e Construindo o Futuro.

Premonição ou precognição, profetismo e bruxaria, futurologia e planejamento estratégico. Misticismo e Ciência, entrelaçando-se, para potencializar o aproveitamento do projeto humano na Terra. As linhas gerais do que se precisa saber, para maximizar os próprios talentos e as oportunidades da vida física. Ilustrações cinematográficas impressionantes e a fala sábia do espírito Eugênia, a mestra santa desencarnada, que, ao final das preleções do médium Benjamin Teixeira, tem deixado, por meio de comoventes incorporações completas, seu parecer tocante e transformador, sobre todas as temáticas abordadas na palestra.
Domingo, 06 de julho, às 19h, Mega Espaço, Rua Nossa Senhora das Dores, 588. Entrada: R$10,00 (angariando fundos para a transmissão, em rede nacional, do programa de televisão Salto Quântico, que divulga a salvadora mensagem da imortalidade, gratuitamente, para milhões de pessoas, em todo o país.) Informações: (079) 3041-4405.

Equipe Salto Quântico.


Cabe seja destacada a efeméride espírita ocorrida na segunda-feira próxima passada: 30 de junho, data do desencarne do maior médium do século XX, certamente o maior da história do Espiritismo, um dos mais famosos de todos os tempos, Francisco Cândido Xavier, mais conhecido, tão-só, pela alcunha carinhosa: Chico Xavier (1910-2002).

(Nota do Médium)