Benjamin Teixeira de Aguiar
Em diálogo com o Espírito Eugênia-Aspásia
27 de janeiro de 2007

Espírito Eugênia-Aspásia – O aprendizado acontece por etapas numerosas de repetição de um dado conhecimento, a fim de que seu conteúdo possa ser fixado adequadamente nas estruturas mais profundas do psiquismo. Logo, quando o indivíduo notar dificuldades em vencer determinadas fraquezas íntimas, deve compreender que ocorre, em verdade, um processo gradativo de autossuperação. Os preconceitos, por exemplo, não se derribam da noite para o dia; amiúde, consomem séculos para serem integralmente crestados pela luz do esclarecimento digno, justo e, antes de tudo, sumamente racional.

Benjamin Teixeira de Aguiar – E quando alguém já teve provas sobejas de que uma fraqueza e/ou um mau comportamento não lhe convêm, sofrendo-lhes sucessivas vezes as consequências, mas, ainda assim, insiste em se deixar arrastar nesse sentido?

EEA – Frequentemente, trata-se de uma atitude involuntária, como você inclusive deu a entender com o uso do verbo “arrastar”. Há casos – e copiosos exemplos a vida nos apresenta – de viciados completamente dominados pelos tentáculos da dependência, apesar de muitos já estarem de todo convencidos da malevolência e destrutividade implicadas no vício. Para melhor clarear este tópico fundamental da autoadministração, sugerimos a leitura de nosso texto “Controle sobre si: mito e verdade” (1).

Importante considerar, por outro lado, que é comum encontrarmos pessoas que supõem ter mais compensações do que prejuízos com aquilo que lhes pareça ou de fato seja um malfeito. Esses caracteres padecerão, dessarte, maiores provações, até que se rendam à própria necessidade de mudança.

Problematizando um pouco mais a questão, adicionemos este fato: a medição de dor e prazer, de ganhos e perdas auferidos com uma atitude indevida, além de ser extremamente subjetiva e relativa, ainda está sujeita à curiosa característica de o cérebro humano não registrar, com a nitidez que se imagina, memória de dor, em virtude de poderosos mecanismos de defesa da espécie. Tal peculiaridade neurológica impede, por exemplo, que mulheres desistam de engravidar, pelo receio de sofrerem as lancinantes dores do parto, no estado natural – sem os recursos da analgesia e anestesia avançadas dos modernos centros hospitalares.

Diante desse breve quadro, conclui-se facilmente que certas experiências nefastas precisam se repetir muito mais do que a mente analítico-racional julga ser necessário, de modo que a personalidade em processo de aprendizado e transformação inculque, profundamente, em suas matrizes psicológicas, a dimensão das implicações destrutivas relacionadas à(s) sua(s) escolha(s) inapropriada(s) de conduta.

BTA – Gostaria de aditar algo mais ao assunto, neste momento?

EEA – Não, satisfeita.

(1) Artigo publicado em 13/11/2006, neste site.