A Sedutora Carinhosa.

(Correspondência do Padre Rafael – 16.)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

O ilustre sacerdote – coberto por um halo de pudores santos – sentou-se à máquina, e começou a digitar, rapidamente, lembrando-se do que presenciara na noite anterior, tomando a decisão, qual sempre o fazia em casos que tais (envolvendo elementos íntimos de sua paróquia), de falar abertamente, repreendendo a quem percebesse incorrendo em faltas graves. Como de costume, os conceitos espíritas permeavam o texto do enviado de Deus, despreocupado, pelo adiantado da idade e a fama de “doidinho problemático”, ante a cúpula de sua Igreja – que o considerava, de certo modo, inofensivo –, para verbalizar, à vontade, o que sabia seria necessário para a destinatária da carta eletrônica:

“Minha prezada Eduarda:

Você é uma mulher muito bonita e atraente. Por isso, deve ter bastante cuidado com a forma como age com o sexo oposto. Já ouvi numerosas reclamações quanto a você tocar excessiva e intimamente os rapazes. Não se pode brincar com o coração das pessoas. Sedução é uma porta aberta para o carma. Quando estiver conversando com homens héteros ou bissexuais, bem como com mulheres gays, não pode se esquecer de que é uma jovem bela e sexualmente vistosa. Na solenidade de ontem, vi você agir assim, com pelo menos dois moços. Sou responsável por estas almas, inclusive a sua. Isso não é certo, e vai-lhe atrair grandes sofrimentos, se não for de pronto suspenso. Pode-se ser carinhoso, sem se apelar para o erótico. O carinho mais físico você deve reservar para mulheres heterossexuais ou para homens gays. Faça um esforço neste sentido. Continue lendo