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Benjamin Teixeira, (Benjamin) – Querida Eugênia, em nossa palestra para hoje, escolhemos, sob inspiração de sua equipe, tema que confronta ego e transpessoalidade, em pares de fatores psicológicos semelhantes, na função imediata, mas muito diferentes nas motivações profundas, como: a segurança da arrogância presunçosa e a convicção da fé sincera e bem fundamenta. Teria algo a nos falar a respeito? Quero dizer: o que nós, seres humanos, podemos fazer, no sentido de desenvolver a autoconfiança, sem resvalarmos para os desatinos do ego e suas mil armadilhas disfarçadas, como muito bem exarado no ditado bíblico: “Vaidade, vaidade – tudo não passa de vaidade”. Continue lendo Benjamin Teixeira
A mediunidade é um sistema psíquico complexo, já que implica imbricações da mente comunicante com a mente receptora, fulcrando-se no já complexo sistema mental humano, em situações não-mediúnicas. Você já deve ter passado inúmeras vezes por aquela situação corriqueira, em que pára no meio de uma fala qualquer, para voltar sobre o que disse e corrigir uma impropriedade no uso vernáculo. O mesmo você faz, sem se dar conta tão claramente, no que concerne a conceitos pré-condicionados pela cultura, pela família, por você mesmo em suas conclusões pessoais. Por exemplo: começa a se enraivecer com sua mãe, pressupondo que ela foi egoísta em certa atitude, mas, por ter uma imagem dela de “mãe santa e sacrificada pelos filhos”, imediatamente diz para si mesmo: “Não! Não! Isto é porque ela está cansada”. Ou percebe que seu esposo flertou com a moça ao seu lado, mas, imediatamente, diz de si para consigo mesma: “De modo nenhum – ele jamais faria isto comigo, ainda mais na minha frente!”. Benjamin Teixeira
As neuroses – ou transtornos, conforme o vernáculo moderno da psicologia no plano físico – compõem sistemas complexos de manutenção e regulação do psiquismo, de acordo com necessidades próprias do indivíduo, normalmente de natureza compensatória. Por exemplo: quem foi muito atacado na auto-estima, em criança, pode desenvolver um sentido de excelência pessoal, que o leve às raias da arrogância e da presunção; ou, de modo inverso, de acordo com características personalíssimas, desenvolver uma projeção de poder, em ídolo próximo ou distante, com quem se identifica, num nível pré-consciente ou inconsciente, como no caso das “mulheres-cinderela”, que esperam a chegada do “homem-deus-salvador-resolvedor-de-todos-os-problemas” ou de fãs idólatras de celebridades. Os arquétipos psicológicos (permitam o aparente pleonasmo), entretanto, podem ser excelente e eficaz alternativa para esteriótipos sócio-culturais (eis o porquê do pleonasmo anterior – para justificar esta adjetivação dos esteriótipos, distinguindo sua origem e natureza em cotejo com os arquétipos), como o do “sujeito-arrogante” ou o da “cinderela-idiota”. Buscar elaborar os próprios problemas e carências com realizações e funções compensatórios, com serviço prestado à coletividade, é magnífico caminho de resolução das próprias pendências íntimas. Deus não permite distúrbios sem finalidades criativas. Portanto, encare cada uma de suas problemáticas interiores ou existenciais como concitações a desdobrar um ou um conjunto de atributos novos, talentos adicionais, poder e lucidez expandidos. Benjamin Teixeira Não lhe perceberam a tristeza no olhar. Apenas notaram o sorriso em seu rosto, em função da filosofia de gentileza e bondade contínuas que lhe traça as diretrizes de conduta. Supondo-o um ser especial e superior, imaginaram que não teria necessidades e carências humanas, e deixaram-no à míngua de mínimas manifestações de afeto. Mais um vez segue você denodado, mas exaurido. Permanece insone e ativo, enquanto outros repousam. Continua privado das alegrias do lar, para que outros lares se mantenham de pé. Sofre em silêncio, para não adicionar dores às dores alheias, enquanto as soluciona, com empenho constante e heróico. Continue lendo Benjamin Teixeira Converta o ter em ferramenta do ser. Não elimine o ego. Ponha-o a serviço de sua alma, e viva, assim, a vida da paixão, canalizando-a para os ideais do amor. Não pense que a Divina Providência lhe pede sacrifício de sua natureza humana, para que antecipe uma condição de angelitude que chegará naturalmente, com o correr dos evos. Seja o que é hoje, mas com decência, equilíbrio, bom senso e bondade. É tudo que se lhe pede. Portanto, quando estiver em dúvida entre ser e ter, entre deixar-se dominar pelo ego ou dirigir-se pelo espírito, pense grande, pense alto, coloque seu foco no essencial: o eterno, mas não abdique de viver o momento, já que o imanente existe para sustentar o transcendente, dando-lhe hausto de vida e concretizando-o, pouco a pouco, no histórico evolutivo de um espírito. (Texto recebido em 6 de fevereiro de 2003.) |
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