Socorro do Anjo Bom.


(Capítulo 19 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

As duas amigas se sentaram para conversar, num café à beira-mar. Uma delas, fútil e vaidosa, vestia a última moda e, maquiada com discrição e elegância, dava mostras, para um bom entendedor, do quanto não descurava da aparência. A outra, embora bonita e em forma, vestia-se despretensiosamente e trazia, no rosto, uma visível expressão de preocupação. Já pegamos a conversa em meio, quando cheguei acompanhado de outro amigo de nosso plano de consciência. Uma protegida do Instituto estava para se reencontrar com grande orientador da Espiritualidade, que havia reencarnado na mesma época que ela, para que contraíssem núpcias. Como uma muito influente jornalista, receberia ela ajuda do marido-mestre, a fim de cumprir sua missão perante a coletividade, com o nível máximo de circunspecção e responsabilidade. A tal tutelada do Voltaire era a mulher frívola, ao passo que a companheira, conhecida de infância, estava sendo utilizada, no momento, por agente de nossa Esfera de Ação, para que se não desperdiçasse a especialíssima oportunidade de reencontro. Curioso notarmos os paradoxos da vida, porque a amiga nobre não tinha deveres ante o vulgo, apesar de mais serena e centrada, ao passo que a “figura do mundo”, passional e vivaz, portava pesado carma com a multidão, carecendo ressarcir-se por antigos débitos contraídos com milhares de almas em séculos passados.

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A Conselheira Sinistra.


(Capítulo 18 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.


– Como evitar a obsessão – perguntou o médium, aflito, entre lágrimas.

– Ore mais, estude mais, mantenha mais sob vigilância as próprias características menos felizes – respondeu o mentor, sereno e paternal, sem tardança.

– Mas eu já faço tudo isso…

– Ocupe-se mais. Enxugue suas lágrimas, e vamos ao serviço.

– Estou esgotado…

– Banhe-se, renove-se ouvindo música animadora, e siga ao trabalho, com as condições que estiverem ao seu alcance.

– Mas eu vou atender o povo no centro, deste jeito, com a “cara inchada”?

– Deve ir como possível. Suspender o cumprimento dos deveres é que é uma falta, não o mostrar-se falível e vulnerável, em sua condição humana.

– Mas e aquela gente horrível e ingrata… que só me cobra, me pede, me critica, não compreende minhas limitações, minhas carências… Às vezes é difícil sentir amor ou piedade, por sofredores que visivelmente parecem merecer o que padecem e nem sequer são amáveis comigo, que não tenho obrigação nenhuma de fazer nada por ninguém…

– Jesus, meu filho, tinha muito mais virtudes, deu tudo de Si, do Próprio Coração, e foi executado, pela forma mais ignominiosa de pena de morte que havia em Seu tempo…

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Conversa Esdrúxula.


(Capítulo 17 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

– Pois é, n’é? Esta coisa tola de vida após a morte… Não ‘tá vendo que isso não existe?

– Você é ateu?

– Não, não é bem isso… Eu até acredito que exista um Ser Superior, que cuida de todos nós… Mas esta baboseira de continuar vivo em outra dimensão… só mesmo uma pessoa muito inculta e limitada intelectualmente pode aceitar algo do gênero… Eu me formei em Medicina. Sou douto em assuntos de neurologia. Compreende que me é muito difícil aceitar a existência da alma, se já dissequei cérebros de cadáveres na academia, aos montes, e procedi a cirurgias em outros tantos maquinários encefácilos vivos?… Nunca vi nada que pudesse se assemelhar ao que se diz ser a alma ou o espírito…

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A Esperança do Anjo.


(Capítulo 16 de “O Instituto Voltaire”)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Esta é história de outra personagem inscrita nos anais de nossa Instituição.

Mãe solteira, morando sozinha, criando o filhinho, sem suporte financeiro externo, não era fácil a vida de Norma.

Pedrinho acordou, pela manhã, com o coração em brasa, pulsando de amor, como nunca, pela mãezinha tão estimada.

– Mamãe, que posso fazer para ter a senhora comigo hoje? Não vejo a hora de não só brincar, como de cobri-la de beijos…

– Vai ao colégio, lépido, que a hora urge; e, quando voltares da escola, terei tempo para brincar contigo.

O garoto foi à escola, todo contente com a promessa, vencendo a pé, sozinho, o trecho de alguns quarteirões que a distava de sua casa. Voltou ao meio-dia, querendo, se não um pouco do tempo, apenas um abraço da genitora, que estava aturdida com bronca do chefe, e lhe disse sem pestanejar:

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Curiosíssima Visita.

(Capítulo 15 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Como eram protegidos do Voltaire, lá estávamos, mais uma vez, acompanhando atividades instrutivas. O diálogo ia em meio, quando adentramos o ambiente:

– ‘Cê ‘tá louco, querido! A gente tem mais é que curtir! A vida passa muito depressa, e nunca se sabe por quanto tempo se vai gozar… E é isso que se leva da vida: o quanto se tem de prazer… Sou jovem demais, não faz sentido ficar assim, me preocupando com bobagens…

– Amiga, o que falo não são bobagens… Procure examinar de outro ângulo de observação, tente se esforçar por quebrar esses preconceitos… Você não acha que está apegada demais aos prazeres materiais?

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Médium e Gay no Interior do Brasil, e a Tentação de Cometer Suicídio (*1).


(Capítulo 14 de “O Instituto Voltaire”.)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.


Segue-se, prezados leitores, uma historieta que está registrada nos anais de nosso Instituto, e que se desenrolou na mesma época em que se desfiaram as ocorrências dos outros capítulos de nosso romance. Às vésperas da maior parada do orgulho gay do mundo, a de São Paulo, em que o assunto pulula em todas as rodas, normalmente em tons menos decentes, psicológicos e civilizados, cabe-nos celebrar a humanidade e a espiritualidade, que redime almas e aponta caminhos de luz e felicidade, para todos os filhos de Deus.

* * * * *

“Observas-te, companheiro, cercado de energias contrárias aos desígnios de Deus a teu respeito. Os instintos e o ego, em parceria sinistra, conclamam-te à preguiça e ao lodo do tédio, à raiva ou ao impulso de te sentires vítima, olvidando os sérios compromissos que te jungem à vanguarda da Luz. Quando mais te sentires envolvido por tais seduções do mal, ergue a cabeça, sobrançeiro, e medita sobre as grandes possibilidades do amanhã…”

O médium deixou o lápis deslizar da mão, interrompendo, abruptamente, a psicografia que, a muito custo, tentava desdobrar, e pendeu a cabeça sobre a mesa, esgotado. Lágrimas copiosas eram vertidas por seus olhos macerados de tristeza e desânimo. Feioso e magro, moreno e efeminado, era, por sua compleição e perfil psicológico, uma aberração para aquela sociedade provinciana de uma cidadezinha do interior brasileiro, em plena década de 1960.

Sestércio (*2) nascera gay, tinha pouco mais de 30 anos de idade, por ocasião do episódio agora relatado. Morava só, com um gato. O pai o expulsara de casa, envergonhado de seu jeito “abominável” de ser. Deixara de freqüentar a igreja, porque lá ouvira que era uma “aberração” aos olhos do Criador e uma “maldição” para a família e seu próprio futuro. Caíra-lhe, às mãos, em abençoada ocasião, um dos livros psicografados por Chico Xavier, e se convertera em baluarte espírita de sua pequena cidade, trabalhando ativamente, no único centro que lá existia. Continue lendo

O Gênio do Plano Sublime, Guia de Guias Espirituais, Desce à Metrópole-Cristal.


(Capítulo 13 de “O Instituto Voltaire”.)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

O diretor aprochegou-se do lingüista e disse, pressuroso:

– Leonard, só tenho passe para mais um companheiro, hoje à noite. Andrômeda sediará importante evento, com a presença de grande entidade do Plano Superior.

– Do que se trata? – perguntou, ato contínuo, o amigo de Gerard.

– Uma espécie de aula-conferência para orientadores espirituais. Um grande gênio do Plano Sublime aparecerá, para dirimir nossas dúvidas mais cruentas, nos complexos desafios dos dias modernos.

– Nossa!… Fabuloso! Fico muito agradecido que me tenha escolhido para acompanhá-lo em momento tão especial. Evento nacional?

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