O Esgotamento da Enviada do Alto (*).


(Capítulo 26 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.


Os dois nobres mensageiros do bem chegaram, quando a reunião pública já estava ao fim, e se mantiveram a algo em torno de 10 metros de distância da médium que fizera uso da palavra, na interpretação do Evangelho à luz da “Doutrina” Espírita, e que procedia a cumprimentos e consultas rápidas gratuitas aos que desejassem. Um deles, mais íntimo da medianeira, estivera em serviço de assistência à humilde embaixadora das Alturas, antes do início das atividades de oratória. Após alguns minutos de observação e vibração silenciosa, tomou a iniciativa da fala, dizendo ao que aparentava ser mais jovem:

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A Sobrecarga da Alma Santa.


(Capítulo 25 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.


Estávamos no final dos anos 1960. Mais um médium havia se desviado dos propósitos subidos com que reencarnara. Alma nobre, com grande patrimônio evolutivo, não suportara, porém, as pressões familiares, da sociedade e, principalmente, do próprio movimento espírita, que lhe fiscalizava os passos, com rigor de tal modo draconiano, que diríamos digno de verdadeiros inquisidores do famigerado “Santo Ofício”.

O nobilíssimo Emmanuel tomou Chico Xavier, por meio do sono, de seu vaso orgânico já surrado por longas labutas nos trabalhos mediúnicos e na liderança espírita, que desempenhava com o brilho próprio das almas santificadas em inúmeras reencarnações de serviço ao próximo e à causa cristã.

– Chico, temos algo muito sério a lhe comunicar – foi de pronto adiantando o circunspecto e respeitabilíssimo sábio, tão logo notou que o médium de Pedro Leopoldo despertara plenamente fora do corpo físico. Este, com funda humildade, meneava a cabeça afirmativamente, a cada colocação do ilustre interlocutor. Prosseguiu seu mentor espiritual: – Mais um companheiro nosso, Germano (*1), acabou de tomar rumo contrário aos propósitos que o animavam antes de renascer.

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Trágico Engano.


(Capítulo 24 de “O Instituto Voltaire”) (*1)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Olhos lúcidos e úmidos, sem deixar verter as lágrimas que lhe marejavam, por pudores inefáveis a lhe aturdirem a alma infante, a menina de dez anos desceu aos pés da madrasta, beijando-os humildemente, e implorou mais uma vez:

– Por favor, tia Nefasta, deixe-me ficar por aqui. Prometo-lhe fazer o serviço da casa. Poderá despachar as domésticas…

– Anjo do mal! Tu não me enganas mais! – esbravejou, encolerizada, a dama impecavelmente vestida, de traços finos, mas de olhar diabólico. – Sei que pretendes me comover, só que tuas lágrimas e tua falsa modéstia não me tocam mais! Teu pai, finalmente, deixou em minhas mãos a decisão de tua sina, e já está selado o caminho que te aguarda. Como não te vou enviar ao orfanato, porque sou mulher cristã (e fez um ar de piedade fingida), ficarás distante, na casa de tua madrinha e o marido, na fazenda – disse, referindo-se a colonos muito pobres do latifúndio que pertencia à família, há três gerações, os quais, no entanto, não lhe eram padrinhos de fato, mas apenas por afeição, das muitas vinculações de amor que a arrebatadora bondade da menina prodigamente entretecia, em toda parte.

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Numa Reunião Mediúnica-Padrão.


(Capítulo 23 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

 

– Vocês perderam o senso se imaginam que eu não iria tomar satisfações numa situação dessas! Encontrar, face a face, esta pilantra! Foi por causa dela que vocês me trouxeram aqui, não foi? Que injustiça! Ela não merece! Vocês não sabem quem ela é! É um poço de maldade e mesquinharia! Me soltem! Eu vou estapeá-la aqui mesmo! Olhem a pose dela! Me larguem! Me larguem!…

 

A mulher vociferava, automática e compulsivamente, transtornada num surto de raiva; espumava de ódio, tremia por inteiro, olhos injetados – uma lástima de se observar. Dois enfermeiros robustos a sustentavam, com braços firmes, em cada lado, enquanto a enferma espiritual se debatia, pugnando por se libertar da contenção de movimentos que se lhe fazia necessária, na ocasião.

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Líder de Líderes.


(Capítulo 22 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.


A conversa ia em meio, quando chegamos. Esta fala se deu neste ano em curso, de 2007, e dizia respeito à assistência dada a um certo trabalho de ordem coletiva, para disseminação do bem em massa.

– Éramos, os que compomos a falange dos seres do bem, um terço dos espíritos encarnados, conforme revelado há pouco tempo (*1). Hoje, constituímos algo próximo a metade das populações humanas no plano físico de vida de nosso planeta terráqueo. Felizmente, os contingentes do bem crescem, expressivamente. É por isso que acontece a tal transição que os espíritas denominam de fase evolutiva de “Mundo de Provas e Expiações” para “Mundo Regenerador”. Mas não se engane, Lacínio, porque há lutas encarniçadas a serem ainda travadas, entre nós e aqueles que se asilam no lado oposto ao da Luz. Recorde-se, em particular, do fato de que, destes 48%, aproximadamente, de criaturas de boa índole, poucos, talvez apenas numa proporção de um em vinte, têm disposição ao sacrifício de si mesmas, em benefício de causas coletivas. A maior parte, embora seja de boa vontade e não deseje, portanto, perpetrar o mal, não possui energia moral suficiente para enfrentar a força ingente de instituições e convenções estabelecidas contra os Desígnios Divinos do orbe.

– Impressionante… E como vamos vencer, então?

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O Perigo de Desvio Existencial (*).


(Capítulo 21 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

– Olá, querida Rebecca. Você está bem?

– Acho que acordei melhor hoje.

– As dores na região da nuca?

– Bem menores. Mas ainda as sinto, doutor, muito!

– É natural, amiga. Depois do suicídio, as regiões lesadas em nosso corpo espiritual, em paralelo com as lesões havidas no corpo físico morto, são relativamente fixadas, pelas matrizes de culpa, que não permitem uma cicatrização ou uma cura rápidas. Hoje é o dia em que tomaremos providências, em conjunção com você, para seu novo mapeamento cármico, a diretriz de planejamentos para sua próxima reencarnação – está lembrada?

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A Fala Incompreensível da Mestra.


(Capítulo 20 de “O Instituto Voltaire”)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Sophia, com seu espetacular poder de comunicação espiritual, projetou-se, mentalmente, na psique do médium e, induzindo-o a um transe mediúnico à distância, fê-lo psicografar, celeremente, com forte ruído da esferográfica, que deslizava sobre folhas de papel ofício, rapidamente retiradas pelo próprio medianeiro. Luz esbranquiçada-solar, em forma de tênue fio, ligava o chacra coronário do médium, em direção ao infinito, à orientadora do Plano Sublime, que se não fazia presente na sala em que se dava a escrita psíquica, vazada em estilo despretensioso e quase prosaico, em considerando a estatura evolutiva da missivista invisível:

“Minha muito querida e amada Ofélia:
Deve parar com seus dramas de culpa, aceitando-se e amando-se um pouco mais.
Assisti à sua crise mais aguda desta manhã, e gostaria de lhe dizer que se tranqüilizasse, porque, sem dúvida, tem se esforçado muito por se melhorar; respeitamos o seu processo de evolução, desdobrado em curtíssimo espaço de tempo…”

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