Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 5)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Hoje vamos encontrar quatro personagens importantes, no drama de nossa história. Valorosos auxiliares de Alice – como anjo dos abismos, a resgatar almas para Deus –, antes de reencarnarem (na mesma época que ela, com diferença de poucos anos). Um deles, extremamente ligado ao seu coração, por profundíssimos elos de amor, foi seu filho por sucessivas existências. Entre os outros três, duas eram componentes do gênero feminino: uma, a despeito de muito feminina, também portava fortes traços de decisão e coragem; a outra, adoravelmente doce e terna, parecia existir apenas para amar e perdoar, como um grande coração de mãe. O último deles, por fim, um nobre cavalheiro de tempos idos, guardava a distinção de conduta como uma constante, por reiteradas reencarnações.

Assumiriam encargos de vulto, nas tarefas que seriam dirigidas por Matheus, na crosta do orbe. Em verdade, um deles, o filho de Alice, acabaria tendo mais destaque, ante o público, do que o próprio Matheus, porque seria exposto, na mídia, na condição de emérito professor, ao passo que o enamorado de Alice estaria com o incumbência de administrar a organização, de seus bastidores.

Algo, entretanto, curioso, aconteceu, ao planejarem seus corpos, no âmbito da sexualidade, e é sobre isso que trataremos neste capítulo de nossa narração. Para entender de modo completo o que se passou, no campo das intenções dos orientadores desencarnados, responsáveis pela programação prévia daquelas encarnações de relevo, para os interesses da coletividade, precisaríamos fazer um estudo detalhado, em torno de ascendentes cármicos complexíssimos e finalidades intrincadíssimas, de repercussão no seio das comunidades humanas da dimensão material de existência, que aqui preferimos omitir, porquanto não constitui nosso propósito estudar esta temática profunda e obscura, para os padrões de entendimento da Terra na atualidade. Restringir-nos-emos a pincelar alguns tópicos sobre os quatro, que se seguem abaixo. Continue lendo

Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 4)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Alice se deitou exaurida. Conversou longamente com Anastácia, sobre a fala perturbadora que desdobrara a respeito da eventual proximidade de sua morte física. Renovar o ânimo da velha amada, de fato, não foi fácil. Sentiu-se, assim, extenuada, após tantas emoções, numa tarde e noite que se fizeram sombrias para vários personagens de nossa história, inclusive para ela mesma, que se atormentava, ainda, com a idéia de deixar para trás a pessoa de seu filho espiritual, esposo do espírito, alma gêmea de sua alma – tudo a um só tempo.

Entregou-se, em preces fervorosas, ao sono reparador, rosto lavado pelas lágrimas, que lhe refrigeravam o coração dorido, transbordando as dores infinitas de seus sentimentos profundos… Poucos minutos depois, via-se-lhe a figura diáfana, ainda mais bela que a ostentada no plano físico, completamente lúcida fora do corpo, reconhecendo, de imediato, amigos desencarnados que velavam pelo seu sono fisiológico.

– Nobre Alice, o Conselho de Anciães dos povos lusofônicos deseja falar com você. Continue lendo

Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 3)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

O telefone tilintava, insistentemente. Era o quarto dia após o “fatídico” encontro de Alice e Matheus. A secretária do lar de Anastácia, ausente, nas compras de supermercado da semana – a velha ajudante doméstica é quem as fazia, gozando de total confiança da patroa –, foi a própria tia de Alice quem atendeu.

– Alô?… – e uma sutil carantonha de contrariedade delineou-se no rosto da senhora – Olá, Guilherminda. Como tem passado?… Ah… que bom… Bem também… Obrigada… Não… não vai bem… Desde que se encontrou com seu neto, está acamada, mis-te-ri-o-sa-men-te (numa inflexão quase agressiva)… De modo nenhum acho apropriado: creio seja melhor que ele esqueça minha menina! Não fez bem a ela conhecê-lo!

Inesperadamente, todavia, neste ponto da conversação telefônica, apareceu Alice à sala, em trajes de cama, com o olhar angustiado:

– Tia, o que é isso? Continue lendo

Alice (*) – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 2)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

– Por que me sinto tão abobalhado? É apenas uma moça jovem, quase uma adolescente… – martelava-se, intimamente, Matheus, tentando tranqüilizar-se, no transcurso dos poucos passos que precisou vencer, até Alice, a fim de “não fazer feio”, quando, postado ante ela, tivesse que lhe falar.

A aura de Alice começou a rodopiar em torno de seu corpo esbelto, num magnífico espetáculo espiritual, para os que o pudessem contemplar da dimensão extrafísica de existência, muito raro na crosta do planeta (em função da quantidade diminuta de espíritos pertencentes a seu patamar evolutivo, entre os encarnados), como se fosse um grande vórtice multicolor, expandindo-se, tendo-a como epicentro fotoemissor, do canto em que estava do salão, até tomar metade de todo o ambiente. Coração amantíssimo, era capaz de paroxismos de sentimento sublime, que uma mente comum não teria condições de compreender. E, como o turbilhão de luz, em matizes cambiando ao infinito, se intensificasse, à medida que seu admirador se aproximava, atingindo-o, em cheio, sobremaneira no chacra cardíaco, Matheus, em vez de se acalmar ao  chegar perto dela, não obstante todo seu esforço em contrário, foi ficando progressivamente mais nervoso, de tal modo que estacou à sua frente, qual se estivesse totalmente hebetado. Sentia-se uma criança, perante a figura de uma rainha piedosa. Em estado de choque, deu-se conta de que não teria forças sequer para falar. Foi então Alice quem, tendo noção clara do que se passava, adiantou-se, em tom doce e natural, tentando mostrar-se comum e simples, quanto possível, para que o “desconhecido” interlocutor se “desarmasse”, esforçando-se por dar um tom quase infantil à sua abordagem, convocando a comparecer o ego do “cavalheiro-dono-da-situação” que existe em todo homem.

– Olá. Tive a impressão de conhecer você… Continue lendo

Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 1) (*)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Linda, inteligentíssima, impecavelmente educada, serena, virtuosa. Alice era um muito bem-acabado modelo de qualidades que parecia desafiar a máxima de sabedoria universal de que ninguém é perfeito.

Cabelos caprichosamente caindo sobre os ombros, em artísticos anéis, num matiz indefinível, entre o dourado e o castanho muito claro, olhos cor de mel de um cintilante e inexprimível brilho. Presença que se fazia notar, com discrição; silenciosa quanto possível; graciosa continuamente; sábia nas colocações simples; inalteravelmente amistosa, com todos com quem convivesse. Ironicamente, apesar do invulgar e irresistível carisma que a envolvia, fugia de qualquer situação que a pusesse em evidência.

Como encontrar tantos atributos, numa menina-moça de apenas 21 anos? Ninguém sabia muito claramente – a não ser alguns espíritas que tinham a honra de com ela privar contato –, mas Alice era um ser de elevadíssima envergadura evolutiva. Uma dama da antiga Roma dos Césares, ciosa (desde aqueles longínquos dias de dois milênios passados) das tradições e da moral familiares. Não chegara, naquele recuado tempo, a se converter ao Cristianismo, então em seus movimentos primordiais; entretanto, se fizera um vivo baluarte da decência e do equilíbrio, na corte decadente de Nero – o mais célebre anti-Cristo da História. Continue lendo