O Grande Mestre da Espiritualidade Sublime (Romance Mediúnico) (*).

(Capítulo 1)

Benjamin Teixeira
pelo Espírito Gustavo Henrique.


Leônidas esperava oportunidade de falar com o grande mestre há  muito tempo. Próximo a reencarnar, recebeu autorização especial para ter uma entrevista breve, com o guia espiritual, que lhe não era possível ver sempre, exatamente pela grande distância evolutiva que os separava. Olhos flamejantes de paixão, pele morena clara (ou talvez devêssemos dizer branco-escura?), lembrando os latinos de tez mais branqueada. Olhos castanhos vivos. Espadaúdo, másculo, cheio de energia para a ação e a agressividade – este era Leônidas, que não via Lukas Flamínio há muito tempo. Continue lendo

Cibele – O Anjo Auxiliador.

(Capítulo 1.)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

O grupo estava aflito. Em preces ardentes, os cinco componentes daquela reunião íntima pediram socorro a Cibele, alma elevadíssima que se revelara não só guia do centro espírita que formavam, mas também da cidade inteira. Dona Carminha, médium dotada de excelentes faculdades psíquicas, anunciou, em lágrimas, comovendo a todos, em seguida:

– Ela está aqui! Nossa adorável Cibele está aqui!…

De fato, envolta em magnífico halo de luz branca, uma figura seráfica de mulher loura, olhos azuis cintilantes, de beleza extraordinária, surgiu no centro da sala, proveniente de frequências muito altas do espírito, recordando, em muito, as fadas dos contos infantis. Voz dulcíssima, arrastando a articulação do Português, num leve e mimoso sotaque que lhe traía origem francesa, a ninfa do paraíso falou, sendo reproduzida, quase palavra a palavra, pela veneranda senhora que se fazia intermediária entre a preclara comunicante e os encarnados que lhe suplicaram ajuda. Continue lendo

A Verdadeira “Alice” Fala para a Terra.

(Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Os prezados internautas visitantes de nosso sítio eletrônico podem ter estranhado referências a Alice, como sendo uma figura existente, no Plano Espiritual, não estando de fato reencarnada, conforme apresentado na narrativa brilhante do beletrista inspirado de nosso circuito de existência. Uma parcela expressiva destes nossos leitores assíduos, por outro lado, perceberam tratar-se de minha pessoa, e não compreendem exatamente por que se faz alusão a alguém que existe realmente, mas em condição que não corresponde a sua realidade legítima (a dimensão espiritual).

Para responder a esta questão, que não é simples quanto parece, vou ter que me remeter a um passado recente.

Estive encarnada, em França do século XIX, e não pude participar, quão gostaria (*1), da inspiração de O Livro dos Espíritos, como alguns de meus amigos tiveram oportunidade de fazê-lo. Agora, de reversa maneira, eu poderia estar reencarnada, e, de forma compensatória, mantenho-me asilada em região psíquica mais próxima da crosta – abaixo da freqüência que me é própria –, de molde a poder participar, mais ativamente, das tarefas do companheiro mediúnico, sem, contudo, haver-me ergastulado em um maquinário físico. Continue lendo

Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 9)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

“Querida Alice – começava a carta, em tom íntimo e sincero –, estou-lhe grafando esta missiva, com o coração doído, em função das tristes notícias que recaíram sobre nós, os que tanto a estimamos, como igualmente aos de sua casa. Cogitei, sinceramente, a hipótese de me dirigir à capital, de molde a tratar com você, pessoalmente, da questão que aqui me traz. Todavia, tive a clara noção de que isso me não seria possível. Assim, para não procrastinar o que sentia inadiável, optei por este velho sistema de colóquio à distância, ainda que pouco eficiente na permuta de impressões, no quesito tempo. Como minha intenção não era obter celeremente sua resposta, mas sim enviar-lhe o primeiro relatório do que se passa, não me incomodei em fazer a escolha deste método de comunicação.”

A epístola seguia, em caráter amoroso e tocante, com antiga amiga da família de Alice (em particular, de sua mãezinha) traçando, em escorreito vernáculo, minuciosamente, os últimos acontecimentos a respeito de duas irmãs da destinatária. Uma, extremamente caprichosa e birrenta, às turras com um rapaz problemático das circunvizinhanças; e a outra, apesar de bem-intencionada, indispondo-se abertamente com a caçula, por lhe não concordar com a escolha afetiva. Terminada a leitura da correspondência, Alice não só tinha uma conclusão definida sobre o caso, como já havia formulado a decisão de, no dia imediato, demandar a cidade natal, em busca da parentela biológica, para conversar, diretamente, com as duas manas amadas, conquanto isso lhe custasse o cancelamento de atividades importantes na capital, com sobrecarga conseqüente para dias seguintes.

Bem mais cedo que o habitual, ao raiar dos primeiros albores do amanhecer, Alice aprochegou-se da cozinha e preparou, ela mesma (sem acordar a auxiliar da casa, que ainda dormitava, embora próximo do seu momento de despertar), com muita simplicidade, um desjejum baseado em frutas frescas e uma fatia de queijo sem gordura. Livre de qualquer preocupação com dieta, era natural, na alma velha da jovem, uma atitude sempre cuidadosa com a máquina biológica que utilizava, revelando, inclusive, no paladar, sem esforço, um pendor espontâneo para alimentação saudável e magra. Continue lendo

Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.

( Capítulo 8 )

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Patrícia estava já com 32 anos, e não havia arranjado namorado firme o bastante, para levar a sério a possibilidade de se casar. O sonho – que ela não via como tal, mas sim como uma dramática necessidade – de se consorciar e ter filhos tornava-se cada vez mais distante, qual uma bruma suave a se dissipar, ao sabor caprichoso dos ventos do destino…

Era amiga pessoal de Lígia, e resolveu se aprestar a ser freqüentadora assídua do templo dirigido pela verve inflamada de Rafael. Quem sabe não encontraria parceiro apropriado por lá. Cansara de andar à caça de marido em barezinhos e festas da moda. Lera, em bons manuais de auto-ajuda, que eventos “da noite” não costumam ser adequados a descobrir-se um candidato a relacionamento duradouro e profundo. Tomara nota, outrossim, de que o ambiente acadêmico e profissional, quanto o religioso, num primeiro plano, e, depois, os lugares neutros, familiares, como restaurantes e supermercados, eram mais propícios ao encontro com uma eventual “alma gêmea”, do que uma balada ou uma boate. Continue lendo

Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 7)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Matheus chegou em casa, esbaforido. Telefonara já seis vezes seguidas, para o celular que Alice utilizava, a pedido dele, quando saía de casa sem sua companhia. O aparelho sinalizava, à distância, receber suas chamadas, mas nada de a ligação ser completada. Não gostara nem um pouco daquela história de ela ir a uma igreja sozinha. Por que fizera tanta questão de visitar um culto evangélico? E mais: num templo que ela nunca estivera antes, sem qualquer conhecido presente… Ele não podia levantar dúvidas sobre o caráter da amada – isso lhe era de todo impossível –, mas sua mente controladora de “macho conquistador” não se sentia de modo algum confortável com aquela autonomia completa que Alice demonstrava, sem sequer se ver obrigada, nem de longe, a insinuar verbalizar os motivos da iniciativa. Acuado pela situação inarredável, o empresário respirava fundo e se esforçava por se conformar, por uma razão simples: não havia alternativa – apesar de dulcíssima e altamente feminina, sua adorada menina-moça não era passível a qualquer natureza de controle.

Após uma hora tentando manter-se tranqüilo, seu instinto sincero de protetor da amada (além do outro impulso: o de controle) não o autorizou a ficar em casa. Sabendo do endereço do tal templo protestante, partiu, como uma bala, pelas ruas já semidesertas, no alto de quase meia-noite de domingo, em demanda do lugar onde poderia encontrar o objeto de sua veneração. Em menos de vinte minutos, Matheus apeava de seu veículo pomposo, “bipando”, com o dispositivo de controle remoto instalado na chave do automóvel, um agudo sonoro do alarme contra furto. Passos firmes, lembrando a marcha de um militar em desfile, estaca, quase perplexo, ao notar o vulto encantador da querida namorada despontar, ladeada de um casal, saindo da nave de tamanho expressivo, mas sem ostentação. Percebia-se que ambos os interlocutores bebiam-lhe as palavras, com atenção reverente, sobremaneira a figura do homem jovem que tinha entre suas mãos as dela, com um olhar fixo que se diria… claramente… a-pai-xo-na-do!… Um disparo gelado rasgou o estômago de Matheus, como se houvesse levado um choque. O ciúme imediatamente assomou-se-lhe à mente, turvando-lhe as percepções. Quem seria o larápio que ousava pretender aproximação com o tesouro mais caro do seu coração? E por que tanta atenção amorosa havia no olhar e nos gestos de Alice, em relação àquele (para ele, desprezível) estranho? Estugou o caminhar, ainda mais. E, no espaço de cinco a dez segundos, já estava diante da trinca, no átrio iluminado, em frente da instituição. Continue lendo