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Benjamin de Aguiar
Lógico, não te deves entregar a posturas abusivas de terceiros, ainda os mais amados. Entrementes, feita a defesa justa e a exposição de teus motivos e pontos de vista, frenando o processo de manipulação ou vampirização, ataque ou assalto a teus sentimentos e valores mais subidos, tranquiliza as defesas do ego, baixando-as, para que não levantes barricadas às manifestações do coração, fonte da Vida e da orientação não só para os outros (e para aquele que te parece estar recebendo a justa punição), mas – e eis a grande e paradoxal questão – para ti mesmo, o(a) “prejudicado(a)” que, em tese, deveria ser compensado(a), e não sofrer retaliações da Vida.
(Correspondência do Padre Rafael – 30.) Benjamin de Aguiar A alta cúpula da Igreja fazia vistas grossas para as “maluquices” do sacerdote ancião. Ora se dizia católico, ora só se dizia cristão – danando-se a citar Kardec e o fenômeno da mediunidade de modo inteiramente desembaraçado. Em verdade, o Padre Rafael não se queria definir com muita precisão neste particular, cônscio de que nenhuma religião conduzia ninguém a Deus, mas apenas a espiritualidade genuína, vivida em qualquer experiência mística, fosse religiosa como se entende convencionalmente, ou não. Um certo paroquiano – que Rafael sabia tratar-se de alguém que pertencia àquele colégio de almas irmãs – certa vez foi flagrado em outra paróquia, altamente tradicionalista, que não tinha condições de lhe atender às necessidades e aspirações de caráter espiritual. O padre enviou um e-mail para o jovem quase quarentão, e, pela intimidade, disse o que pensava, abertamente, embora com forte tom de bom humor, simulando ciúmes e dizendo algumas asneiras divertidas sobre o outro sacerdote, sem chegar a resvalar na difamação ou na calúnia, de molde a destacar como o “rapaz” não iria encontrar o que buscava “por aquelas plagas”.
Benjamin de Aguiar Contra Idosos. Observaram-te de través, por portares idade avançada, notando-te o andar cambaleante e a voz pausada – não sabem que, se não desencarnarem antes do tempo próprio, estarão em condições equivalentes ou piores do que as que agora apresentas, tranquilamente, porquanto, desde a juventude, soubeste respeitar os mais velhos e a condição de limitação que a senectude traz ao corpo físico. Não têm consciência, outrossim, de que, em se aproximando de ti, teriam grandes oportunidades de aprendizado. Riem-se, portanto, em sua ignorância, de si próprios.
Benjamin de Aguiar Para uma paroquiana que se lamentava, também por via eletrônica, de haver passado dos 50 janeiros de vida, notando algumas vulnerabilidades fisiológicas surgirem, em forma de enfermidades, entre outras deficiências orgânicas, decorrentes da natural passagem dos anos em interação direta com um veículo de matéria densa, disse o sacerdote septuagenário – vinte anos, portanto, mais velho no corpo físico do que a missivista –, devotado servidor da Causa cristã, que não se fez de rogado, digitando, serelepe e bem-humorado, o que imediatamente enviou à amiga-discípula:
(A importância de encontrar o ambiente certo para estar em processo constante de crescimento espiritual.)
Benjamin de Aguiar, O e-mail da jovem, em torno de trinta anos de idade, que retornava a frequentar a igreja onde Rafael ministrava suas missas, foi sucinto: “Querido Padre Rafael: Estou retornando às suas missas, agora que trabalhando ‘bemmm’ mais perto! Por onde estive, procurei me manter frequentando igrejas de outras paróquias, mas, poxa(!), é muito difícil!!!! Digo a todo mundo: ‘Eu estava fazendo especialização (na Igreja do Pe. Rafael), e não consigo voltar ao ensino médio’ (é como me sinto, quando assisto a outra missa). O pior é que fico me dizendo: ‘Tenho que ser mais humilde, tenho que ser mais humilde’, mas eu não consigo. Que Nossa Senhora me perdoe (risos). Respondeu o velhinho moderníssimo e quase espírita, seguindo com seu raciocínio evolucionista, apesar de continuar usando a batina e agindo a contragosto de alguns de seus superiores hierárquicos, dentro da Igreja Católica Romana:
Alfinetam-te pelas costas, e sangras, porque são tantas, tão frequentes e por tão longo tempo aplicadas tais minúsculas alfinetadas, que acabam por te ferirem profundamente o coração dadivoso, generoso e sensível, fazendo-te sangrar a alma, como, quase nestas palavras, reza “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de autoria e organização do ínclito Allan Kardec, no artigo sobre a paciência, subscrito, mediunicamente, por “Um Espírito Amigo” (*). Revê teu ponto de vista, porém, e não te sintas cercado e marcado pela tragédia, mas apenas inserido n’uma melindrosa condição de, digamos, “estrangeirismo vibratório”, pouco cômoda para ambas as partes, e, naturalmente, bem pior para ti, que és o diferente, ‘inda mais o marginal da “banda de Cima”. | ||||
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