Diálogos com o Espírito Eugênia-Aspásia

19 de setembro de 2019
 

Perversão grave e generalizada da função espiritual

Benjamin Teixeira de Aguiar – Eugênia, você desejaria escolher um tema sobre que discorrer para eventual publicação?

Espírito Eugênia-Aspásia – Sim. A matriz da ideia de que Deus não erra.

BTA – Pois não.

EEA – As pessoas podem ter bem claro, intelectualmente considerando, o conceito de que o Ser Absoluto não poderia errar, em nenhuma circunstância. E, de fato, não erra, orquestrando os erros das criaturas, para acertos em escalas infinitas de benefício evolutivo a elas próprias, ainda que os resultados amiúde só possam ser claramente percebidos a médio ou longo prazos. Elas é que avaliam erradamente situações, fazem escolhas equivocadas, concluem mal suas linhas de raciocínio. E, desse modo, paradoxalmente, conquistam experiência, desenvolvem-se por mérito próprio, aprendendo com seus erros – uma das evidências mais belas do infinito respeito do(a) Criador(a) em relação ao livre-arbítrio dos seres humanos.

BTA – Muitos(as) desistem de acreditar em Deus.

EEA – Alguns(mas). Mesmo muito ilustrados(as) ou racionalmente inteligentes, preferem confundir o deus das religiões dogmáticas com a Origem de Tudo, para que assim se isentem de responsabilidade pelos eventos em suas existências. Há também outra causa para esse funesto evento: a teimosia rebelde e pueril em não aceitar a face sombria da Vida – lado esse da realidade tão construtivo, em suas consequências últimas, quanto o luminoso.

BTA – E os(as) que não concluem pela inexistência de Deus…

EEA – Agem, em sua esmagadora maioria, como se houvessem chegado a essa inferência. As religiões formalmente organizadas estão coalhadas de personalidades com tal perfil. Reclamam de tudo, lamentam-se por nada, sentem-se vítimas, por padrão de interpretação, de qualquer coisa que lhes aconteça, esperam obter presentes gratuitos do Céu – em suma, pretendem perpetuar uma relação infantilizada com o Ser Supremo, pervertendo a ordem evolutiva da função espiritual, que é de promover a adultidade humana, em camadas sucessivas de maturidade psicológica e moral, e não de servir de sucedâneo ao esforço pessoal. Posturas escapistas, racionalizações da preguiça, da covardia, da presunção, não se coadunam, em nível algum, com a legítima busca de Espiritualidade.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)
18 de setembro de 2019




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