Espírito Eugênia-Aspásia

21 de junho de 2019
 

Ruptura paradigmática civilizacional urgente – Documento de participação do Instituto Salto Quântico, como órgão consultivo, “status especial”, do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU, no “High Level Political Forum 2019”, que acontecerá no próximo mês de julho, na sede mundial das Nações Unidas, em Nova York

Fritjof Capra, em seu clássico “O Ponto de Mutação” (1982), afirmou que basicamente atravessamos em nossa civilização uma “crise de percepção”. Thomas Kuhn, em sua obra seminal “A Estrutura das Revoluções Científicas” (1962), descreve o fenômeno cíclico histórico que ele denominou de “mudanças de paradigma”, no campo das ciências e dos valores humanos.

É urgente que geremos uma revolução que envolva todo o planeta, de caráter sistêmico, multifacetado, em todas as frentes de ação humana, englobando desde as decisões de vulto, no âmbito das políticas nacionais e internacionais, até a implementação de medidas de inclusão social e sobrevivência econômica, respectivamente de indivíduos e povos empobrecidos.

O monstro insaciável e milenar da guerra parece uma chaga que nunca cicatriza em nossa espécie, e o terrorismo toma contornos cada vez mais perigosos, como revela a disseminação da tecnologia bélico-nuclear que nos assombra o futuro, no mínimo pelas próximas décadas.

São extremamente complexos os problemas e conflitos culturais, religiosos, econômicos e políticos que sofremos na atualidade, assim como a questão urgentíssima do agudo desequilíbrio nas funções autorreguladoras dos ecossistemas terrenos. Todavia, é conclusão pacífica, entre doutos(as) de várias disciplinas do conhecimento, que dispomos de meios tecnocientíficos sobejos para debelarmos todas as graves mazelas que põem em risco de extinção a espécie humana e a própria biosfera do planeta.

No entanto, sem vontade política de estadistas, sem conscientização de massa, incluindo as populações ditas “esclarecidas” das nações mais desenvolvidas e ricas da Terra, não será possível a sobrevivência da humanidade.

A mentalidade tribal do nacionalismo é inteiramente incompatível com as crescentes aproximação e interação entre culturas diversas, num globo superpovoado e com recursos naturais escassos e severamente ameaçados. É famosa a expressão de Marshall McLuhan, de que vivemos numa “aldeia global”. Devemos nos ver como uma só comunidade, como uma pequena aldeia, interconectada e interdependente, mas urge erradicarmos a belicosidade primitiva de disputas por território, que trazemos de nosso passado filogenético, de nossa neurofisiologia “excessivamente” animal.

Estamos (ou deveríamos estar) todos(as) cônscios(as) disso. Assoberbados(as) de informações, utilizamos tecnologias e ciência que avançam celeremente, mas teimamos em nos comportar como primatas egocentrados(as), dividindo-nos em grupos etnocêntricos, sejam de natureza linguística (como ocorre mormente entre os povos anglofônicos), geográfica (como acontece notadamente na Europa) ou religiosa e cultural (como se percebe amiúde no Oriente Médio e no Oriente Extremo).

Se não rompermos, profunda e definitivamente, com a fixação esquizoide de nos julgarmos superiores uns(umas) aos(às) outros(as) e de acreditarmos ingenuamente que seja possível algum agrupamento humano sobreviver em detrimento de outros, vamos todos(as) nos precipitar no abismo, cedo ou tarde.

Munidos(as) de todos os recursos e de inteligência para salvar o planeta, fica claro que a questão não é meramente lógica, mas psicológica – qual destacou, no século passado, o influente pensador Stephen Covey. O busílis da problemática está em nossa psique e em nossa cultura (que reflete a primeira), cristalizadas em utilizar os processos de pensamento para justificar manifestações emocionais primitivas. Ou fazemos uma dramática mudança na esfera dos sentimentos, ou prosseguirá o distúrbio cognitivo que vem corrompendo enormemente as deliberações de governos e corporações de grande importância, como também as escolhas pessoais de bilhões de indivíduos, arrastando-nos todos(as), inelutavelmente, na direção do precipício da autodestruição.

Chame-se isso de humanismo, de espiritualismo sem religião ou de consciência ecológica, teremos que desferir esse salto de percepção e interpretação da realidade, no sentido de verdadeiramente nos sentirmos e nos relacionarmos como irmãos(ãs) em humanidade, despertando para a necessidade inexorável da coexistência cooperativa e solidária de todas as pessoas e povos, sobre este mesmo pedacinho de poeira cósmica que nominamos planeta Terra.

Benjamin Teixeira de Aguiar
Presidente-fundador do Instituto Salto Quântico
(Psicografia do Espírito Eugênia-Aspásia)
Aracaju, Sergipe, Brasil
18 de abril de 2019 

 
Abaixo, a versão em inglês (produzida e ligeiramente resumida por Marcone Vieira e Belle Trag) que foi enviada ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU:
 

Urgent civilizational paradigmatic rupture – Statement submitted by the Quantum Leap Institute, as an organization in special consultative status with the United Nations Economic and Social Council (ECOSOC), to the High-Level Political Forum 2019, which will be held in July, at the United Nations Headquarters in New York

Fritjof Capra, in his classic “The Turning Point” (1982), states that we live a “crisis of perception” in our civilization. Thomas Kuhn, in his work “The Structure of Scientific Revolutions” (1962), describes the historical cyclical phenomenon he called “paradigm shifts”, in the field of sciences and human values.

It is urgent to unleash a revolution, involving the whole planet, of a systemic, multifaceted nature, on all fronts of human action, encompassing from major decisions, in the scope of national and international policies, to the implementation of social inclusion and economic survival measures.

The monster of war seems like a wound that never heals, and terrorism becomes increasingly dangerous, as revealed by the spread of nuclear weapons technology that haunts our future.

The cultural, religious, economic and political problems and conflicts of today are complex, just as the urgent issue of the acute imbalance in the self-regulating functions of the ecosystems. However, scholars of various areas of knowledge agree that we have plenty of techno-scientific means to overcome all the problems that threaten the human species and the biosphere.

However, without the political will of statespersons, without the awareness of the masses, including the so-called “educated” populations of Earth’s most developed and wealthy nations, the survival of humankind will not be possible.

The tribal mentality of nationalism is incompatible with the growing closeness and interaction among diverse cultures, in an overpopulated globe with scarce and severely threatened natural resources. We must see ourselves as Marshall McLuhan’s “global village”, a single community, interconnected and interdependent, but we must eradicate the primitive belligerence of disputes over territory, inherited from our phylogenetic past, from our “excessively” animal neurophysiology.

We all are (or should be) conscious of it. Overwhelmed by information, we use fast advancing technologies and science, but we stubbornly behave like self-centered primates, dividing ourselves into ethnocentric groups, whether linguistic, geographical or religious and cultural.

If we do not stop judging ourselves superior to one another and believing it is possible for any human group to survive to the detriment of others, sooner or later, we will all fall into the abyss.

Having all the resources and intelligence to save the planet, it becomes clear that the issue is not merely logical, but psychological – as Stephen Covey highlighted. The problem lies in our psyche and in our culture of using thought processes to justify primitive emotional manifestations. Either we change our feelings, or the cognitive disorder that has been corrupting the deliberations of governments and important corporations, relating to the personal choices of billions of individuals, will continue, dragging us all toward the precipice of self-destruction.

Call it humanism, spiritualism without religion or ecological consciousness, we will have to take this leap of perception and interpretation of reality, toward truly feeling and relating as brothers and sisters in humanity, awakening to the inexorable need of cooperative and solidary coexistence of all people and peoples, on this same speck of cosmic dust we call planet Earth.

Benjamin Teixeira de Aguiar
Founding president of the Quantum Leap Institute
(Psychography of the Spirit Eugênia-Aspásia)
Aracaju, Sergipe, Brazil
April 18, 2019

(Translated by: Marcone Vieira and Belle Trag)




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