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29 de abril de 2015
 

O mundo NÃO vai acabar até 2019

Benjamin Teixeira de Aguiar – Tão querida Eugênia, sobre 2019 e as novas previsões cataclísmicas, agora assentadas em uma fala de Chico Xavier, você teria algo a nos dizer?

Eugênia-Aspásia – Enquanto não descobrirem as razões profundas para a compulsão por profecias apocalípticas, as pessoas continuarão buscando novos alvos, novas hipotéticas datas catastróficas, para que permaneçam fugindo do enfrentamento de si próprias. Há indivíduos que se embriagam, para esquecer seus problemas; muitos fazem sexo irresponsável e copioso, com que visam anestesiar sua consciência; outros tantos, ainda, tentam evadir-se de suas angústias, afundando-se em trabalho profissional, além do necessário para manter uma vida equilibrada, em que todos os departamentos existenciais são devidamente assistidos.

Primeiramente, consideremos tão só as “premonições” desse teor, nos últimos dois decênios. Imaginava-se que o ano do horror seria 1999, quando parte da população terrena seria arrastada por certo corpo celeste a um mundo primitivo. Depois, especulou-se que 2000 seria o ano fatídico. Mais recentemente, a data-chave, com minúcias de pesquisas em diversas fontes históricas que pareciam se enfeixar e reciprocamente confirmar-se, coincidentes, passou a ser situada em 2012. Agora, como mais uma vez não se atingiu o fim de enxergar o fim do mundo, procurou-se, na imagem impoluta de Chico Xavier, uma base para o que não tem base.

A profecia do médium inolvidável está correta, mas foi produzida no início da década de 1970, e, como disse o grande profeta Nostradamus, em termos aproximados: “o futuro é previsto para ser evitado”. A humanidade, hoje, é outra. Os eventos que se desdobraram de lá até a presente data conduziram-nos a uma linha de destino inteiramente distinta da em que estávamos inseridos, há 45 anos. Gorbachev apertou as mãos de Reagan, em surreal encontro de líderes das superpotências, em 1985; o muro de Berlim veio abaixo em 1989; a União Soviética e o bloco doutros países a ela alinhados desfizeram-se, em 1991, na inesperada desagregação de uma até então perene aglutinação do mal. E, por fim, as nações ditas mais desenvolvidas entraram numa espiral de profundos questionamentos sobre sua hegemonia política e cultural, desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

De um modo geral, as pessoas se voltam para antigas profecias e líderes de outras épocas, fantasiando e secretamente desejando uma extinção do futuro para todos, porque não têm coragem nem disposição para facear os desafios do presente, em função de construir um porvir melhor. As previsões de grandes mestres de antanho (amiúde distorcidas ou mal compreendidas) dão a essas personalidades enfermas (embora não percebam essa sua condição de morbidez) uma falsa impressão de segurança, que inexoravelmente será destruída, com o malogro dessas profecias escatológicas, uma a uma… até que, enfim, todos se concentrem no trabalho por conquistar e desenvolver seus próprios talentos e felicidade.

BTA – Isso lembra o que também se diz sobre 2019: que haverá um contato massivo com civilizações humanas extraterrestres superiores.

EA – O raciocínio é o mesmo: o vício prossegue, no fascínio por encontrar respostas fáceis e rápidas para enigmas complexos. Cada criatura e cada coletividade devem buscar as soluções para seus dilemas, em seu processo gradativo de evolução. Os seres provenientes de comunidades mais avançadas que as da crosta terrestre, desde tempos imemoriais, não virão até nós, em futuro difuso: já têm reencarnado entre os humanos do orbe, assim como vêm inspirando tarefas a homens e mulheres asilados em organismos de matéria densa. Mas ninguém aguarde uma aluvião de naves luminosas e entidades bizarras apeando delas, ou aparecendo de portais miraculosos, doutra dimensão.

Não negamos, com isso, a possibilidade de contatos dessa natureza. Importa esclarecer, todavia, que civilizações alienígenas moralmente mais adiantadas, independente de sua procedência, jamais suspenderiam as dificuldades-estímulos normais e imprescindíveis à evolução da humanidade na Terra, surrupiando-nos o direito de aprender e crescer por conta própria. E aquelas com senso moral atrofiado, por outro lado, antes de desenvolverem tecnologia bastante para se afastar de seus orbes de origem, precipitar-se-iam na autodestruição, pelo mau emprego de seu próprio poderio bélico-nuclear – já que é presumível, em toda cultura que atinja certo grau de progresso científico, a aplicação militar das descobertas da física e engenharia atômicas.

O tão alardeado armagedon já vem acontecendo em nosso planeta, há muito tempo, no campo das revoluções de costumes, de valores, de ideias, de tecnologia, de relacionamento entre indivíduos e povos. Da mesma sorte, naturalmente ocorre, em maior expressão que noutras eras, o intercâmbio com civilizações e gênios extrafísicos (superiores, em inteligência, à média terrícola), por meio dos mecanismos da reencarnação e da comunicação mediúnica, ostensiva ou não.

BTA – Há algo mais que você gostaria de aditar a esta temática?

EA – Sim. Um forte movimento de agentes contrários à Espiritualidade e ao bem da humanidade articula-se de modo macabro, por detrás de cada iniciativa de divulgação dessas profecias de “final do mundo”, com o intuito de destruir paulatinamente a fé, a esperança e mesmo a convicção no potencial humano ao bem, fomentando um ceticismo malsão, desespero, niilismo, ateísmo e toda espécie de sofrimentos e desatinos que podem surgir, para ocuparem o vazio impreenchível deixado nos corações terrícolas, em virtude da retirada criminosa do que lhes é mais sagrado: Deus e Seus representantes.

Que cada criatura se empenhe e se discipline por desdobrar seu propósito de vida, em vez de aguardar que o Céu ou eventos extraordinários venham fazer o que lhe cabe, como dever intransferivelmente pessoal. Não adotar essa atitude significa desperdiçar preciosa oportunidade de crescimento espiritual, além de oportunizar o alastramento de perigosas “infecções mentais coletivas”.

Ondas diabólicas de ataque aos princípios universais de espiritualidade são desencadeadas por tais reiterados presságios apocalípticos, tão ao gosto das histerias grupais da Idade Média, mas lamentáveis entre cérebros doutos do século XXI. Aqueles que emprestam seus nomes e suas carreiras, muita vez dignas, à propagação de notícias dessa ordem, julgando alertar a multidão e prestar um serviço ao bem comum, não fazem ideia do mal com que colaboram… e de como terão que dar contas ao Governo Oculto do mundo, pela estultícia de participarem de um movimento de temor popular atávico e primitivo, de péssimas consequências para as mentes esclarecidas e questionadoras da atualidade.

Eugênia-Aspásia (Espírito)
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Aracaju, 25 de janeiro de 2015











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