Espírito Eugênia-Aspásia

11 de dezembro de 2014
 

O delicado tema da discussão política exacerbada.

Benjamin Teixeira de Aguiar
pelo Espírito Eugênia-Aspásia.

Nessa época de fúrias ensandecidas e ataques indiscriminados a políticos profissionais, dedicados à política partidária e de carreira, no âmbito do poder público, externam-se, de modo generalizado, melindrosas questões malresolvidas, naqueles que fogem dos limites do debate civilizado das ideias. Se o político porta ou não as características que lhe são atribuídas, não é aí que está o busílis da questão, mas sim no quanto tal ou qual tema mais inflama a pessoa que desfere a crítica mordaz.

Abstraindo-nos do item da consciência social e política, em medida razoável, que nos leve à participação responsável na vida cívica, desde o exercício do voto popular ao ápice de cooperar, por exemplo, com o impeachment de um governante, em prol do bem geral, voltemo-nos para aspectos mais pragmáticos da temática, com uma abordagem aqui dirigida mais aos que abominam o assunto. Cabe recordar, sobretudo se nos inclinamos ao moralismo condenador, o que disse um dos maiores filósofos de todos os tempos, o grego Aristóteles (384-322 a.C.): “O homem é um animal político”.

Permita-nos, estimado(a) leitor(a), uma sentença provocativa, que encete nossos raciocínios: Desperte o político que há em você. Se refletirmos com profundidade e conhecimento dos complexos processos da mente humana, podemos asseverar, categoricamente, que é impossível não sê-lo. Quem não reconhece essa realidade psicológica, em si, apenas vive formas mais enraizadas de hipocrisia, como muitos que usam de franqueza para ferir, constranger e intimidar terceiros, ou até mesmo resvalam na conduta desonesta de divulgar, capciosamente, o que os princípios da camaradagem entre amigos e da ética da interação social pedem seja silenciado. A propósito, o bullying e a chantagem são práticas criminosas diretamente relacionadas à manipulação da verdade, literal ou distorcida, “ao gosto do freguês”.

Noutras palavras, seja diplomático(a) conscientemente. Assim, você não só se fará prudente em relação a si próprio(a), mas também zeloso(a), cortês e fraterno(a) com seus semelhantes, respeitando-lhes as limitações e favorecendo um bom convívio social. Do contrário, acabará dominado(a) pela tendência psicológica natural de se proteger e camuflar (um instinto que existe no reino animal e se estende ao domínio humano), ocultando informações ou impressões por motivos equivocados e amiúde perigosos, porquanto regidos pelo inconsciente, pelos reclamos de seu universo emocional – invisíveis normalmente, sobremaneira para você mesmo(a) –, sem os imprescindíveis filtros da razão e da boa intuição.

Ser criterioso, didático e responsável, no uso das palavras e na escolha de atitudes com o próximo, está no extremo oposto do espectro que tem, na outra ponta, o mitomaníaco e o psicopata, ambos despreocupados com os sentimentos dos outros e com o dever universal de servir e ser útil ao bem comum.

Lembremos da professora devotada à educação infantil ou do pai judicioso, no trato, respectivamente, com a aluna ou o filho que lhe dirige perguntas cuja resposta completa é imprópria para sua idade. Indiscutivelmente, deve-se evitar, quanto possível, a mentira, ainda que nas vestes de invenções elegantes e “bem-intencionadas”, como a da clássica cegonha carreando bebês recém-nascidos. Todavia, é igualmente inquestionável que se deve ter bom senso em dosar a verdade a ser explicitada, de acordo com circunstâncias e interlocutores envolvidos, a começar do esclarecimento a crianças biológicas (porque as há também pelo intelecto, pelo emocional ou pelo espírito), até o diálogo com um ancião querido, atado a certos preconceitos arraigados, que não serão removidos de pronto, nem costumam afetar as trocas amorosas que com ele se possam entretecer.

(Psicografia de 15 de setembro de 2014.)

Ilustração:
Cena de bullying escolar, relacionado, por curiosos meandros, ao nosso tema.




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