Eleonora – Uma magnífica história de amor

3 de janeiro de 2014
 

Uma Magnífica História de Amor.

Romance mediúnico – Capítulo 4.

Benjamin Teixeira de Aguiar
pelo Espírito Eugênia-Aspásia.

A campainha tocou. Bárbara correu à porta. Um Carlos exalando forte odor de loção pós-barba sustentava, com largo sorriso, enorme ramalhete de rosas vermelhas.

– Meu Deus! – exclamou Bara, levando as mãos à boca, enrubescida.

Carlos continuou silente, olhando a amada, sem piscar os olhos azuis miúdos, em contraste com a pele branca bronzeada, quase morena. A dúzia de rosas já estava enlaçada por Bárbara, que aspirava a fragrância de pálpebras cerradas. Segundos depois, sem se preocupar muito se espetaria a si ou ao namorado com os espinhos preservados no buquê, a passional jovem se lançava nos braços do homem adorado, calorosamente, beijando-o em seguida, sucessivas vezes, qual uma criança enfeitiçada com um brinquedo novo que acabara de ganhar, e que esperava receber, de há muito.

– Vamos entrar? – conseguiu dizer, quase sem fôlego.

– Não. Quero levá-la hoje num lugar especial. Tarde de sábado é para aproveitar o restinho de Sol… e o crepúsculo… – terminou a sentença, como que a transparecer algo de suas intenções no passeio.

De fato, Bárbara, em voz alta, despediu-se dos pais, que responderam ao longe. Sob a condução segura e calma de um cuidadoso Carlos ao volante (ela não deixava de perceber isso, com admiração – detestava a postura estroina da maioria dos rapazes na direção de carros), logo chegariam a região periférica da cidade, d’onde se podia ver, à beira-mar, um espetacular pôr do sol.

– Nossa!… tão lindo quanto o buquê! Obrigada, meu amor!

Carlos a trouxe para novo abraço, desta feita beijando-a no rosto e na testa, respeitosamente, pelo enternecimento de que se sentia movido: naquele momento, via a mãe de seus futuros filhos, mais do que a esposa ou a amante do presente. Bárbara tinha lágrimas nos olhos, que surrupiou, sem vergonha, com ambas as mãos, enquanto mantinha, naturalmente congelado, seu enorme e lindo sorriso, cuja alvura contrastava com sua morenice brasileira, inclinada para os tons indígenas, de feições europeias, entretanto.

– Quero me casar com você! – disse, sem vacilações e de supetão, o determinado e guapo rapaz.

Bárbara parou por um momento, fitando-o fundo nos olhos, com lágrimas mais fartas correndo nas faces trêmulas, ainda ostentando o desenho perfeito do sorriso de menina-moça. Foi a vez de ela tomar a iniciativa de novo abraço. Desaguou sua emoção no ombro firme de Carlos. E, passados alguns breves segundos, vendo a mancha de lágrimas e batom que fizera na gola da alva camisa do rapaz, tartamudeou:

– Com apenas três meses de relacionamento… você está certo de que me quer fazer essa proposta?… Quero dizer… se você estiver falando realmente sério…

Esticando, então, o braço direito e roçando, carinhosamente, seu cotovelo sobre o ventre da amada, Carlos retirou do porta-luvas do veículo uma pequena caixa preta, dando-lha. Bárbara começou a soluçar baixinho, recebendo com a destra o presente tão significativo para seu coração de mulher apaixonada, ao mesmo passo que, com a esquerda, guardava a boca, para não demonstrar esgares excessivos de emoção, olhos fechados. Após mais alguns instantes, utilizando as duas mãos, em movimentos lentos e cuidadosos, como se tocasse algo de preciosidade infinita, sem parar de descer fios de lágrimas dos lindos olhos escuros amendoados, abriu a caixinha e, encontrando duas alianças doiradas, projetou-se ato contínuo, novamente, sobre os braços de Carlos, sem soltar, da destra, o símbolo caro do sagrado compromisso.

Nesse ponto, embora lhe não fosse do perfil, Carlos tinha os olhos marejados, sem que as lágrimas viessem propriamente a escorrer sobre o rosto áspero do Sol que lhe crestava a pele, nas construções que sistematicamente supervisionava. Respiração alterada, “peito de pombo”, orgulhoso, no bom sentido, de ser o causador de tanta boa emoção da eleita de seu coração. Fazê-la feliz era sua meta. E, como se lesse seus pensamentos, Bárbara deixou escapar, de lábios tremulantes e voz embargada, molhando o outro lado da gola da camisa branca do agora noivo, no conhecido “superlativês” do universo feminino:

– Carlos… meu amor… você me faz a mulher mais feliz do mundo!…

O jovem engenheiro retribuiu-lhe o gesto, aconchegando-a mais ao peito, e, depois de alguns minutos, arrancava o automóvel para local mais reservado, embora seguro, onde pudessem trocar carinhos mais íntimos, um quarto de motel discreto que utilizavam para si, sempre que o encontravam desocupado, pelo simbolismo do número que julgavam seu: 17.

Duas horas mais tarde, saíam sorridentes do conúbio conjugal, em direção a um restaurante tranquilo. Como preferiam inverter a ordem que os casais costumam manter – primeiro estarem a sós, para, então, jantarem –, Bárbara saía com Carlos sempre munida, mais que o normal das mulheres, de materiais de maquiagem e penteado, a fim de ficar devidamente aprumada ao aparecer publicamente com o amado tão admirado.

Mal adentraram o salão, com poucas mesas ocupadas, por ser ainda o início da noite, e, por “força do acaso”, deparam-se com um estrondoso jovem de idade semelhante à de Carlos:

– Carlos, seu “boa-vida”, por onde você anda???

O interlocutor abriu enorme sorriso, seguido de Bárbara, que já conhecia o amigo de infância do noivo. Ela mesma toma a iniciativa de soltar-lhe a mão, para liberá-lo ao cálido abraço que costumavam permutar, quando se viam, feliz por notar que o homem amado tinha um grande coração, em todos os sentidos, inclusive na forma de escolher amizades decentes e de ser leal aos poucos amigos, com quem entretinha laços de relativa intimidade.

– Túlio, meu camarada… Estou na “boa vida” de trabalhar debaixo do Sol todos os dias… enquanto você “dá duro” em ambiente refrigerado até à noite…

Gargalharam gostosamente.

– Quer trocar de lugar comigo? – respondeu Túlio.

– Só se não tiver fé em Deus! – retornou Carlos.

Explodiram em nova gargalhada.

– E como vão as construções, Dr. Carlos, o melhor engenheiro da cidade?…

– Como é possível, Dr. “Exagero da boa advocacia e da diplomacia”. Eu, por exemplo, não preciso perguntar se você vai bem, porque sua eloquência e sagacidade impedem o fracasso.

Riram-se com menos barulho, e Túlio tomou a iniciativa:

– Boa noite, Bárbara. Perdoe só cumprimentá-la agora. Mas esse “cabra” atrapalha-me as ideias, quando o vejo…

– Impossível!… – respondeu a jovem, com gentileza e ironia fraterna. – Como você vai, Túlio? – fazendo o mesmo aceno leve, com a cabeça, com que o amigo-irmão do noivo a cumprimentava.

– E ia esquecendo… Que ótimo ver você agora, Túlio – disse um Carlos raramente falante… – Veja o que há em nossas mãos direitas – e esticou a mão na direção do amigo, seguido de Bárbara.

– Não!… O que vocês fizeram com vocês??? – falou, em tom entusiasmado e feliz, sinceramente satisfeito, apesar do gracejo, um Túlio que abraçou novamente o camarada tão querido, desta vez com tapas nas costas, e, incontinente, beijou a mão da bela morena.

– Bárbara… acho que somos cunhados agora!

Ao que Bara, toda sorrisos, disse:

– Mais cunhados do que se vocês fossem irmãos consanguíneos!

Riram-se os três.

O jantar não foi a dois, nem à luz de velas, e isso não quebrou em nada o momento dos enamorados, seja porque a presença de Túlio era agradável a ambos, seja porque, vendo-o sozinho, jamais se afastariam dele, apesar de o próprio advogado ter insistido em deixá-los a sós. Sentiam-se como que reforçando laços familiares. Era uma oportunidade de Bárbara e Túlio ganharem maior intimidade, pelo vértice do amor e amizade que, respectivamente, entreteciam com Carlos.

Uma noite feliz de recordações divertidas, com Túlio, acompanhado do amigo, rememorando vários episódios da infância e da adolescência dos dois, em que peripécias inocentes e traquinagens sem maldade foram partilhadas. Atenta a tudo, uma interessadíssima Bárbara deleitava-se com a história de vida de seu amado.

Túlio, um bom coração, como Carlos, disfarçava de desdéns graciosos, com sua extroversão bem-humorada, os elogios que tinha prazer em fazer ao amigo, na frente de sua futura mulher, no intuito de mais deixá-la orgulhosa e satisfeita com o homem ao seu lado. Eram todos avessos às pirraças e invejas disfarçadas de brincadeira que amigos menos amigos, e mais competitivos entre si, costumam disparar em ocasiões semelhantes.

Bárbara, encantada com tudo que ouvia, ora ria, ora observava, embevecida, o semblante do másculo noivo, que, de quando em quando, roubava-lhe um beijo casto sobre os lábios – para não constranger Túlio. Vez ou outra, ela colhia, a seu turno, alguma lágrima furtiva que, a despeito de tanta felicidade, teimava em lhe fugir dos olhos expressivos e vivazes…

O luar foi tão lindo como o cair do Sol. O Céu sorria, com a ventura de Seus tutelados…

(Capítulo psicografado em New Milford, Connecticut, EUA, 13 de dezembro de 2013.)

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