Espírito Matheus-Anacleto

10 de setembro de 2013
 

Dar de graça o que de graça se recebe.

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Benjamin Teixeira de Aguiar
pelos
 Espíritos Eugênia-Aspásia e Matheus-Anacleto.


O verdadeiro sentido do princípio.


De graça devemos dar o que de graça recebemos. Esse conceito está certo, mas num sentido bem mais profundo que o de não se subsistir de uma atividade espiritual ou mediúnica, como se costuma equivocadamente interpretar nos meios espiritistas convencionais. A proposta da Espiritualidade Maior é de que trabalhemos com espírito de gratuidade, ou seja: sem focar prioritariamente os ganhos pecuniários ao nos dedicarmos ao desempenho de uma função, e sim colocar em primeiro plano de considerações o bem que possamos realizar com as próprias habilidades.


A gratuidade da Ajuda Divina a todos os profissionais.


Se não fosse esse o fundo da máxima muito citada, que intitula este artigo, sobre a gratuidade, todos os profissionais deveriam trabalhar sem receber salário ou pagamento por seus serviços, já que recebem de graça a saúde e a inteligência para estudarem, treinarem-se e mesmo exercerem seus ofícios, sem falar de oportunidades de vida que, quase sempre, atribuem-se à sorte. Estariam todos, por outro lado, proibidos de invocar a ajuda do Plano Maior, no exercício de suas profissões, porque, então, se recebessem Assistência Divina ou dos Emissários da Divindade, tornar-se-iam vedados de cobrar por seus esforços profissionais. Deveríamos sugerir, por exemplo, que não orassem ou não suplicassem por proteção espiritual um magistrado, ao lavrar uma sentença, ou um cirurgião, ao proceder a melindrosa intervenção orgânica em um ser humano encarnado? 


O ingente esforço no exercício da mediunidade e da liderança espiritual.

Outro argumento que se apresenta contra o recebimento de alguma compensação financeira por um trabalho digno, como o mediúnico ou a liderança espiritual, é o de que tais ocupações não exigem esforço ou desgaste pessoal. Ora, isso demonstra uma ignorância profunda sobre o exercício mediúnico, que está entre as atividades mais desgastantes mental, emocional e espiritualmente falando. E, quanto à liderança de um agrupamento religioso ou espiritual, dispensável dizer que o fato tão só de se ser um líder já representa um estorvo. Em se tratando de natureza delicada e complexa como a espiritual, então, o item “sobrecarga de responsabilidade” é potencializado várias vezes, em relação a outros gêneros de liderança. Médiuns e líderes espirituais, para desincumbirem-se de seus intrincados encargos, consomem enormes quotas de tempo e esforço mental, muitas vezes raiando ao colapso psicológico, amiúde comprometendo sua vida familiar e pessoal, bem como sua saúde, no correr de anos sucessivos.


O erro dos excessos em quaisquer áreas.

Procuremos nos manter distantes dos extremos. Alguns pretendem apenas construir impérios econômicos, adulterando o propósito de suas vocações, em todos os campos de atividade, como tanto vemos em profissionais não vocacionados, jocosamente denominados “mercenários”. Outros, em contrapartida, caem no erro diametralmente oposto de inviabilizar o crescimento, a melhoria e mesmo o desempenho, em nível elementar de qualidade, dos deveres que lhes foram delegados por Deus, no mais sério de todos os âmbitos de ação: o da canalização dos Agentes e Forças do Céu para a Terra!…


A necessidade histórica dos mártires no trabalho espiritual.

Houve, dentro desta temática, a necessidade do exemplo sacrificial de mártires como Paulo de Tarso, Francisco de Assis e Chico Xavier, em suas respectivas épocas, para que os excessos e abusos fossem abandonados ou, ao menos, recebessem o contraponto de modelos virtuosos que se lhes antepusessem. Mas a exceção dos santos ou de situações extraordinárias não pode constituir a regra para as criaturas comuns e as circunstâncias habituais da condição humana. Alguém conseguiria dar conta, em padrão de excelência, de seus compromissos espirituais, utilizando apenas algumas horas diárias ou semanais, que poderiam ser dedicadas à família, ao lazer, ao repouso; ou empregando tão somente os tardios anos de uma eventual aposentadoria? Ótimo! Que o faça. O que vemos, entretanto, à guisa de demonstração de desinteresse e virtude, são a mediocridade e o descaso como tônicas nas atividades mais sagradas da vida de um indivíduo e de uma sociedade, por força de preconceitos tacanhos e vaidoso pseudodesapego, que revelam a intenção orgulhosa e muito mal dissimulada daqueles que desejam parecer mais decentes ou espirituais que os outros.


Dedicação exclusiva e distorções culturais.

A dedicação a um ofício, em tempo exclusivo, é aplaudida em todo exercício profissional. No campo espiritual-mediúnico, no Brasil – frise-se bem –, não. A questão cultural não pode ser esquecida, pois que representa filtro poderoso para a percepção e avaliação de quaisquer ordens. Na Inglaterra, médiuns têm carteira profissional. Nos Estados Unidos da América, são tratados como profissionais, igualmente. E, quando não cobram por seus serviços, aqueles que os procuram estranham-se, entendendo que, se eles não recebem o justo para poderem se aplicar àquele mister, não terão condições de investir tempo bastante para se tornarem bons e seguros no que fazem. Surge ainda outra especulação, mais ou menos nestes dizeres de suspeita íntima: “Se essa pessoa não quer receber o que é devido, o que ela pretende receber em troca? A adulação e reverência dos que a buscam?” Se alguém contra-argumentar que o idealismo é que deve mover tais pessoas, estará afirmando, no mesmo passo, que nenhuma profissão digna, quando rentável, pode ser exercida com espírito de idealismo, o que é um absurdo óbvio. O idealismo é fruto do desenvolvimento de caráter e espiritualidade, e desdobra-se em todas as áreas da vida de um indivíduo, da familiar à profissional, nada tendo a ver com o envolvimento ou não de dinheiro, mas sim com o modo como se pensa e se age em relação a ganhos financeiros.


O surgimento revolucionário de uma profissão.

Um exemplo histórico nos ajudará a clarear ainda mais a questão. Até certo tempo, o magistério era uma função diletante. Somente quando, por volta do século XVII, as escolas se universalizaram, na Europa, com o surgimento da profissão de professor, é que houve condições de se propiciar a revolução científica, que retirou a humanidade da “Idade das Trevas”.


Liberdade para a escolha. Repúdio ao preconceito.

Se alguém deseja exercer um ofício nas horas vagas, por qualquer razão que seja, nada há de errado nisso. Mas a atitude de condenar aqueles que oferecem suas vidas e suas almas a uma mesma atividade, integralmente, beira o distúrbio mental, se não quisermos falar de questões morais delicadas, como a hipocrisia e inveja envolvidas. Alguém pode ser artista de fim de semana, como há médiuns que sentem ter renascido para consumir apenas parte de seu tempo na semana a essa função. Excelente! Isso diz respeito à consciência de cada qual – e podem estar certos nessa conclusão sobre si próprios. No entanto, se essas mesmas pessoas olham com reserva o indivíduo que se empenha de modo pleno às artes ou à mediunidade, por um chamado maior de sua natureza ou mesmo da Divindade, pela voz de sua consciência, melhor que elucidem os raciocínios sobre o tema e eduquem seus posicionamentos opiniáticos, seja porque ninguém jamais tem autoridade de se interpor no foro sagrado da intimidade e escolhas pessoais alheias, seja porque, em não empreendendo tal reeducação, correm o risco de cometer injustiças e perjúrios de graves consequências cármicas.


Fator espiritual para dirimir a dúvida.

Se nos restar ainda alguma dúvida sobre o princípio que aqui apresentamos, compulsemos o que Nosso Mestre e Senhor Jesus ensinou a Seus discípulos, a respeito deste assunto específico, quando os encaminhou a divulgar a Mensagem de que Ele era expoente máximo, determinando que realizassem diversos fenômenos mediúnicos, além da psicofonia da pregação, qual a cura dos enfermos e a “desobsessão” dos “endemoniados”. 


Gravidade da falta, segundo Jesus.

Na passagem bíblica abaixo destacada, notamos, em seguida, o que o Cristo sugere se faça, de modo implacavelmente severo, ante aqueles que se mostrassem mesquinhos, indivíduos ou comunidades que se recusassem a cooperar com a realização da Obra dos legítimos representantes do Plano Sublime de Vida – não necessariamente os que formalmente tenham assim sido constituídos por ordenamentos de organizações religiosas convencionais.


Evangelho de Lucas, 10: 5-16.

5. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!
6. Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.
7. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.
8. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.
9. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.
10. Mas se entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saindo pelas suas praças, dizei:
11. Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei, contudo, que o Reino de Deus está próximo.
12. Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento menos rigoroso para Sodoma.
13. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza.
14. Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós.
15. E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos.
16. Quem vos ouve, a Mim ouve; e quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou.


(Psicografia de 7 de setembro de 2013. Trecho final: extraído da Bíblia Sagrada, conforme a edição “Ave Maria”.)




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