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29 de agosto de 2012
 

Fenômenos mediúnicos, adultério por pensamento e a metáfora da teoria corpuscular-ondulatória da física quântica

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Espírito EUGÊNIA
em diálogo com Delano Mothé.
Médium: Benjamin Teixeira de Aguiar

Delano Mothé – Por que não acontecem mais, ao menos como à época de Kardec, fenômenos quais os das mesas girantes? E como se processa essa restrição ou suspensão, por parte da Espiritualidade?

Espírito EUGÊNIA – Houve o período histórico das falas diretas (ou “pneumatofonia”) dos Espíritos Superiores, ocorridas em certas Igrejas da Antiguidade, a exemplo da famigerada comunidade de Antioquia (*). Igualmente, houve tempo em que as materializações de Espíritos desencarnados não só eram comuns, quanto chegavam a se fazer luminosas, com os médiuns Francisco Peixotinho e Chico Xavier. A era das “mesas girantes” foi uma coqueluche – se assim podemos nos exprimir – de meados do século XIX, com o fito de chamar a atenção das massas, mas, sobremaneira, das classes cultas (ou pensantes), a observarem e refletirem sobre suas possíveis causas e, mormente, consequências filosóficas e morais.

Todos esses fenômenos constituíram programações levadas a cabo pela Espiritualidade Maior, com médiuns e espíritos geradores correlatos de tais experimentos conjugando esforços, por Desígnio Divino, para que certos fins fossem atingidos – no caso, em destaque, o de despertar o gênero humano para a fugacidade da existência física e para a importância visceral das ponderações no campo do intemporal, da transcendentalidade, da espiritualidade subjacente ao ser, tanto que este é o único âmbito capaz de promover a realização plena da criatura humana, dentro ou fora da matéria.

Tais planejamentos, por parte dos Guias da Humanidade, aconteceram em função das necessidades e perfil intelecto-moral de cada época, cultura e lugar em que se concretizaram.

DM – A Senhora poderia nos ajudar a melhor entender esta passagem dos Evangelhos clássicos? “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração.” (Mateus, 5:27-28)

EE – Ao tempo de Sua estada na Terra, o Mestre dos Mestres aludiu, de fato, ao adultério. Obviamente, Jesus jamais deixaria de reconhecer mérito naqueles que, ao reverso de se renderem a uma tentação ou a algo que julguem uma “queda no mal”, esforçam-se por deter o resvalar mesmo no campo da fantasia, sem concretizá-la. O Cristo, todavia, tinha como escopo fomentar a percepção da importância em se reconhecer que as externalidades da conduta humana constituem apenas um aspecto da realidade psíquica e espiritual completa do indivíduo; que a vibração da alma ou caráter do espírito definem-se muito mais pelos sentimentos, pelos propósitos ocultos (até da própria criatura), do que pelos atos em si; e, por fim, que é esta esfera íntima de realidade mais basilar que define quem é, verdadeiramente, a pessoa, em que nível evolutivo ela se encontra e a que destino, depois da morte do corpo de matéria densa ou noutras existências físicas, ela está-se programando, pelas leis indefectíveis de atração, do “carma” ou de “causa e efeito”.

DM – A Senhora poderia destrinchar um pouco o paralelo que nos apresentou, há algum tempo, entre as funções de onda e partícula, da Física Quântica, e os aspectos de sintonia e precisão relacionados ao fenômeno mediúnico?

EE – Onda, nesta interpretação metafórica da realidade microscópica da Física de subpartículas, para nossos estudos de cunho espiritual, constituiria a busca pela Faixa de Sabedoria, a comunicação interdimensões que não precisa ser exata, precisa ou, nos dizeres mais técnicos dos físicos: “colapsada” em uma partícula. Já no fenômeno mediúnico de precisão, qual o da ostensividade medianímica passível de revelar dados à perquirição paranormal confirmatória da existência de vida fora da frequência de matéria observável pelo sensório carnal comum, dá-se uma “condensação” – digamos assim – da comunicação entre os domínios físico e extrafísico de realidade. Destarte, no que antes se fazia difuso, subjetivo, complexo (e, por isso mesmo, menos susceptível de análise rigorosa para a construção da fé, por meios racionais), verifica-se a fixação da mensagem em dados objetivos, não necessariamente traduzidos em bom padrão de valores, muitas vezes comprometendo a qualidade das ideias, a elevação dos princípios morais e reflexões propostos pela “entidade comunicante”.

Sempre é mais relevante, para o amadurecimento psicológico e espiritual do ser humano, buscar – noutra terminologia, que preferimos – a sintonia espiritual, antes do sinal psíquico; o desenvolvimento do caráter, mais do que os potenciais mediúnicos; a educação do Espírito em si mesmo, acima da dilatação de faculdades medianímicas.

(Diálogo mediúnico entabulado em 26 de agosto de 2012.)

(*) Emmanuel/Chico Xavier descrevem-no, lindamente, no clássico da literatura espiritualista-espiritista “Paulo e Estêvão”. (Nota do Médium)




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