Diálogos com outros Espíritos

19 de maio de 2011
 

Corpos Bilatérios, Cérebros Bipartites, Mente Consciente e Inconsciente, e a Evolução das Criaturas desde a Inconsciência dos Organismos Primários à Consciência Angelical dos Seres Crísticos.

A Evolução dos Animais

Benjamin de Aguiar,
em diálogo com o Espírito Temístocles.

(Benjamin de Aguiar) – Dr. Temístocles, acordei-me com uma forte experiência visual, relacionada às ligações entre mente e cérebro – faixas conscientes e inconscientes da psique humana e seus desdobramentos na massa encefálica –, sentindo os ecos finais da fala de um Mestre desencarnado sobre a temática. Nitidamente, tomara uma aula sobre o assunto, trazendo dela tão só vestígios mnemônicos. Não estou conseguindo coordenar bem as ideias que recebi, sobremaneira porque não sou especialista, não falo para neurocientistas, e, principalmente, porque os conceitos que recebi, embora apresentassem “insights” didáticos, faziam-me crer, paradoxalmente, que introduziam implicações complementares e simbólicas, para além do que hoje é estudado nas Academias de Medicina, com imbricações no campo da Psicologia de Profundidade. O senhor poderia nos ajudar?

(Espírito Dr. Temístocles) – Fique em paz, prezado amigo. Vamos por etapas. Não falaremos como técnicos – porque não é esse nosso propósito aqui, nem de nossa Instituição, como você mesmo introduziu –; utilizaremos, sim, uma linguagem para leigos, como deve ser feito, para os fins a que nos propomos, de alcançar a generalidade das pessoas, com foco na educação espiritual da alma, vocacionada e destinada à eternidade.

O primeiro elemento a considerarmos, antes mesmo das noções relacionadas ao cérebro e à mente humanos, é a existência dos organismos bilatérios, desde o princípio do período cambriano – conforme a Ciência Paleontológica terrena o apresenta –, por volta de 550 a 600 milhões de anos passados. Por esta época, surgiram os principais troncos filogenéticos atualmente existentes, e, antes de todos eles se conformarem em suas matrizes fundamentais, um ancestral comum, um verme tubular, com estrutura simétrica bilateral, constituiu a raiz orgânica para todas as demais famílias de espécimes animais – afora seres primitivos, remanescentes de eras anteriores, como as esponjas e as águas-vivas, ainda existentes. A polarização da consciência espocava, dessarte, antes de o sistema nervoso se complexificar em encéfalos constituídos como tais ou mesmo de aparecerem os primeiros pequenos núcleos nervosos centrais – minúsculos gânglios que concentravam células nervosas. Isto é: existia uma previsão filogenética ou uma tendência teleológica, na direção da dicotomização entre as funções automáticas (ou autônomas) e as voluntárias, relacionadas à vindoura (muito longínqua ainda, para aqueles dias primordiais da biosfera terrestre) razão humana – ou seja, o embrião primeiro da divisão psíquica entre mente consciente e inconsciente, que surgiria em evos futuros de evolução dos corpos físicos e seus centros nervosos, progressivamente mais elaborados e avantajados.

Por outro lado, cabe destacarmos que, à medida que avançam os estudos sobre o cérebro humano, descobre-se que menos especializados são, por exemplo (ao menos em termos absolutos), os hemisférios cerebrais. A grosso modo, poderíamos dizer que o hemisfério direito (mais vinculado aos aspectos simbológicos, emocionais, imagéticos, criativos da mente humana) seria o cerne do inconsciente e de todas as funções que lhe digam respeito, como a própria mediunidade. Mas o aparelho cerebral não só apresenta incrível plasticidade, para transferir funções de uma circunvolução para outra (e mesmo de um hemisfério para outro, em termos quase totais, pelo que revelam pesquisas com indivíduos que perderam, integralmente, um dos dois hemisférios do cérebro), como também, ainda que esteja completo e em ótimas condições físico-metabólicas, articula regiões aparentemente conflitantes ou contraditórias entre si, convocando-as a trabalhar em conjunto, como é o caso das expressões verbalistas de origem mediúnica ou, no espectro oposto, dos exercícios de análise e lógica, dentro de uma criação de cunho artístico. Em suma: as funções cognitivas, linguísticas, racionais e técnicas, normalmente operacionalizadas no hemisfério esquerdo, não só podem como devem trabalhar em consórcio com as espaciais, emotivas, intuitivas, psicológicas e espirituais, mais atinentes ao hemisfério direito – e vice-versa.

A mente consciente e sua contraparte inconsciente, portanto, precisam funcionar em cooperação contínua, entrosando os automatismos do aprendizado feito e os impulsos intuitivos do que não foi pessoalmente assimilado ou inteligido (mente inconsciente), tanto quanto as manifestações analíticas e decisórias da razão que observa, disseca e faz escolhas práticas (mente consciente), para que, então, haja um ajuizamento profundo e uma decisão pessoal de caráter sistêmico, que abarque todas as perspectivas de uma questão e do próprio ser que delibera, e não se restrinja apenas a uma abordagem utilitária, pragmática, imediatista, material – como a mente racional-consciente faria, se laborasse isoladamente. Propósito, significado, valores, princípios, metas e sentimentos, compromissos e finalidades últimas da existência humana têm que estar envolvidos no dia a dia dos indivíduos, em escalas diversas de lucidez e interpenetração psicológica, a fim de que, na imbricação das faculdades psíquicas, possa-se atingir um nível de plenitude, de realização íntima profunda, em todos os departamentos existenciais.

(BdA) – Quando acordei da experiência, recordava-me do fato de que a boca e o nariz – conquanto apresentem essa natureza bipartite disfarçada em sua anatomia – seriam metáforas das funções de integração da psique, logo pelos impulsos fisiológicos de sobrevivência mais elementares, quais sejam: a respiração e a alimentação, e não propriamente a clássica “libido” da psicanálise freudiana. O raciocínio está certo?

(EDrT) – Sim, com todo respeito aos alicerces conceituais do estudo da mente (necessários à época), apresentados pelo ilustre gênio do Dr. Sigmund Freud. Seguindo a linha de raciocínio que você apresentou e aprofundando a leitura metafórico-educativa, notamos que os seres primitivos, quanto os angelicais, apresentam perfeita sinergia com os Fluxos Divinos, enquanto o ser humano, o híbrido antitético equidistante entre as duas grandes categorias de nível de despertar da consciência, nessa magnífica dialética da evolução cósmica, é a única criatura que, por conseguir desconectar-se de sua profundidade ontológica, também se desalinha das finalidades cosmogônicas, tornando-se uma espécie de aleijão existencial, uma distonia, na orquestração da harmonia da Criação Divina. Entretanto, nada se dá por acaso, nesse universo de significados e propósitos celestes, e, quando dissemos “híbrido antitético”, pretendíamos declarar o processo subjacente em curso: que o híbrido é um ente em transição, entre a tese dos seres inconscientes, completamente obedientes aos Fluxos Divinais, e a síntese búdica dos Seres Inteiramente Conscientes de Seu alinhamento livre com os Desígnios de Deus.

(BdA) – Mais algo a declarar sobre isso, prezado mestre?

(EDrT) – Não; por ora, não.

(Diálogo mediúnico travado em 15 de maio de 2011.)


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Se você está fora de Sergipe, pode assistir à palestra de Benjamin de Aguiar, ao vivo, aqui mesmo, pelo nosso site, mediante uma colaboração simbólica, destinada à manutenção dos equipamentos utilizados na transmissão via internet. Para acessar-nos, basta que venha até cá, às 18h de domingos, horário de Aracaju (atualmente alinhado com o de Brasília), e siga as instruções aqui dispostas, em postagem específica. (Lembramos que a entrada para a aula presencial é gratuita.)




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