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Três Exemplos de Preconceito às Avessas – Quando a Liberdade e a Abertura ao Mundo Externo Constituem Expressões Vivas do Mal, pelo Tanto que nos Afastam do Bem.Benjamin Teixeira
Se vives, prezado companheiro, em regímen de mediunato, ou se, em medida menor de seriedade e comprometimento com o Bem Comum, dedicas tua vida a servir o próximo, em profissões de ajuda, como as da área de saúde, psicoterapia ou ensino, tendo que lidar, destarte, com energias, inspiração, ideias que trafegam ou são próprias de planos mais altos de consciência, a benefício dos que te buscam o socorro da direta atuação, resguarda-te. Existem posturas discriminatórias do melhor que passam por modernidades “indiscutíveis”, capciosamente assim apresentadas por inteligentes estratégias de manipulação da cultura e da opinião públicas, para desarticular sagrados e fundamentais tarefas de sustentação do equilíbrio, bem como do progresso das comunidades humanas. Há a preocupação com o gênero de alimentos que se ingerem ou o quanto de sangue existe ou não no que se come. Embora se encontre algum sentido nestes conceitos, há outras precauções muito mais graves, que são negligenciadas, larga e inescrupulosamente, na vida moderna, comprometendo, seriamente, o andamento de grandes projetos de vulto de caráter evolutivo. Para ilustrar, apresentamos, neste artigo, três modalidades de preconceitos às avessas, que – embora, sabemos, sua revelação cause estranheza a muitos – resguardarão os devotos sinceros da intromissão indevida de padrões mentais nocivos, sem que consumam energias valiosas em conflitos vãos contra o que lhes é sugerido, pela inspiração e pela intuição, ou diretamente pela Voz de seus Mestres Espirituais:
Há profissionais, sem dúvida, que precisam laborar com o corpo, tanto o seu, quanto o de terceiros, tais como paramédicos, fisioterapeutas, massagistas, dançarinos. E são todas funções muito nobres, quão sacrificiais e desgastantes, exatamente pelo que aqui expomos, para quem tenha um mínimo de sensibilidade, porque a pessoa se abre a uma saraivada de “colisões” psicoenergéticas com indivíduos de personalidades e caracteres diversos do seu, com frequência e quantidade acima do habitual a um ser humano médio. Por esta razão, tais profissionais devem ser vocacionados e, além disso, trabalhar por descobrir e manter, com o máximo de zelo e disciplina, meios diários de “limpeza” e “rearmonização” de seus centros de força, de molde a não colapsarem ou descambarem para lamentáveis ordens de desequilíbrio, incluindo os orgânicos, como a morte, que, sendo física, é a mais suave e menos comprometedora de todas as implicações possíveis a esta falta de escrúpulo e de atenção à renovação íntima.
No início do Evangelho de João – considerado o mais filosófico entre todos os sinópticos –, é dito: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.” Utilizam-se expressões superlativas mui facilmente, para descrever fenômenos corriqueiros ou de valor duvidoso, entre determinados segmentos da população, não à toa, mormente, entre os mais fúteis e insinceros.
Algo similar se dá quando pessoas, por mesuras demasiadas, utilizam, no tratamento recíproco, expressões como “amado”, sem conferir ao particípio deste místico movimento d’alma a sua devida, profunda, ampla e impactante significação. O que acontece, paulatinamente, com a persistência deste malfadado vício, é que o significado e – pior ainda – os referenciais para a experiência mais preciosa entre todas vão sendo perdidos para a criatura, por tempo indefinido, a qual, igualmente, fica perdida de si mesma e da essência da Vida, por um período indeterminado. Não por acaso, sentenciou Javé, o Guia de Israel, por meio de seu extraordinário médium Moisés, há três milênios, como mandamento, entre dez dos mais importantes a serem seguidos pelo “povo eleito”: “Não utilizeis o Nome do Senhor Vosso Deus em vão.”
Em certa medida, trata-se de uma variação do primeiro princípio aqui ventilado. No judaísmo, pedia-se guardasse-se o “sábado”. Nas tradições cristãs, surgiu o conceito de “Dominus dei” (“O dia do Senhor”), d’onde advém o verbete luso “domingo”, e os crentes eram convidados a suspender as atividades de subsistência, para se confiarem a serviços devocionais. Sobre este preceito, Nosso Senhor Jesus muito bem asseverou, esclarecendo-o: “O homem não foi feito para o sábado, e sim o sábado para o homem”. Em outras palavras, o Cristo nos fez perceber que o sábado constituía uma metáfora da necessidade de isolamento, para que o indivíduo tenha condições de acionar suas antenas perceptivas, afiná-las, incrementar-lhes poder de alcance, e ainda retemperar o conteúdo de impressões sutis colhidas por este meio, amadurecendo-lhe não só a essência, como os propósitos – que acabarão por se confundir uns na outra, não antes, porém, de longa meditação.
Eis por que, então, na desconsideração de lei tão elementar de cuidado consigo mesmo e com a própria espiritualidade, existências inteiras são perdidas na celeridade e barulho enlouquecedores da atualidade, sem que haja tempo e silêncio, espaço e oportunidade, de modo a que a Luz da Transcendência manifeste, para a alma em busca de plenitude, Seu domínio de “concretude”, de existência – uma experiência intransferivelmente pessoal.
Não abrace por hábito, como uma alternativa ao “aperto de mão”. Não faça declarações de afeto que não sejam sinceras; e, quando as fizer, use as palavras na medida mais justa que seu domínio do vernáculo, quanto o conhecimento dos próprios sentimentos, o permitam. Por fim, modere sua presença em solenidades públicas, eventos sociais ou saídas e viagens a passeio e lazer, de acordo com suas necessidades de recolhimento íntimo e desenvolvimento de seu “Eu Completo”. (Texto recebido em 29 de agosto de 2009.)
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