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O Maior Constrangimento de Minha Vida.
por Benjamin Teixeira Na segunda metade da década de 1990, pouco depois de lançar o programa em transmissão nacional de TV, via satélite, para parabólicas analógicas, e de haver iniciado o circuito anual de palestras nos Estados Unidos, uma entidade despojada de corpo físico, que me pareceu benevolente, aproximou-se de mim e sussurrou-me à audiência mediúnica, em um dia de muita clareza do sinal psíquico de comunicação com o “Outro Lado”: – Já está em seu círculo de convívio direto, a pessoa responsável por escrever um livro a seu respeito, que muito nos interessa venha a lume (continuando com mais algumas falas que consideramos inapropriadas à publicação). Dei uma gostosa gargalhada para dentro. Certamente, ouvira a voz de uma entidade pérfida. O que é que os espíritos zombeteiros não seriam capazes de nos dizer, com o fito de nos perder. Lera e seguia, à risca, o que Kardec, o mestre por excelência da metodologia mediúnica, opinara sobre o incensar da vaidade: que constituía um dos golpes mais letais, como mais usuais, aplicados pelos gênios das faixas inferiores de consciência, para desencaminhar médiuns, em suas carreiras de serviço ao bem comum. Imagine-se se um dia escreveriam um livro sobre mim. A tentação me pareceu óbvia demais, de modo que não me foi difícil descartá-la com gosto. A “profecia”, todavia, pelo surreal estapafúrdio, entrou para o rol das falas mais bizarras que algum dia ouvi da dimensão extrafísica de vida. É comum colecionarmos, involuntariamente, algumas delas. Nós, médiuns, embora humanos e cheios de falhas naturais ao gênero médio da Terra (inclusive de percepção e interpretação do que percebemos), ouvimos e notamos de tudo que se pode e do que jamais se poderia trazer a público, chegando mesmo ao que muito gostaríamos de esconder até de nós próprios, volta e meia nos constrangendo ao colocar-nos no lugar daqueles que se julgam portadores de “segredos indevassáveis”, mas que comumente nos são revelados pela maior sensibilidade psíquica, com o que nos vemos obrigados a fazer “ares” de desentendidos, muitas vezes. Não raro, guardei sigilo de detratores e caluniadores de nossa causa, com relação a atos tão comprometedores dessas pessoas, que suponho tenham-me algumas delas, ironicamente, em mais alta conta do que os meus amigos mais atrevidos na admiração que devotam a tão limitada criatura como sou, em vista de tanto confiarem que jamais divulgarei aquilo que conheço sobre elas – o que não só é verdadeiro, como verossímil, e amiúde facilmente comprovável. Felizmente, a lei do carma nos compensa o heroísmo (desculpem o humor negro – risos). Tirando o humor negro de cena e expondo o princípio que esposo neste particular: nunca vale a pena degenerar na fúria difamatória, no impulso de desmascarar quem quer que seja – o tempo é suficientemente eficaz, na condição de juiz, em nome de Deus, para revelar onde está o mérito legítimo e onde se acha a podridão, quase sempre já bem fétida na boca suja de quem tem o hábito (revelador sobre o próprio caráter) de falar mal da vida alheia, ainda mais quando já se esteve próximo do objeto da maledicência (situação bem comum aos interesseiros frustrados em seu interesse pessoal). Passou-se quase uma década. Encontrava-me em meio a grande provação – com a interpretação errônea de alguns que não obtiveram de mim o que desejavam e que, deixando de me ver como canal de realização de seus propósitos pessoais, perceberam que eu não era, como presumiam, um poço de virtudes santas, criatura muito normal que sou (experiência corriqueira com pessoas públicas, sobremaneira aquelas guindadas a postos de liderança espiritual) –, quando o Espírito Eugênia disse-me, mais ou menos nestes termos: – Fale com sua amiga Úrsula. Ela tem uma intuição, há muito tempo, de ser escritora. A intuição está certa. Por sinal, tem a irmã planejado a confecção de uma obra em particular, e andou pensando muito sobre isso, nesta manhã. Diga-lhe que deve levar a sério sua ideia, e que nossa Organização deve publicar este tomo de sua autoria, o mais breve possível. Prenhe de uma natural curiosidade quanto ao conteúdo desta tal obra a ser redigida, passei o recado mediúnico a Úrsula. Foi quando fiquei sabendo tratar-se de um livro a respeito de mim mesmo e do Instituto Salto Quântico, tendo como base relatos de pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à Instituição que criamos sob inspiração dos Bons Espíritos. Começou a “via crucis” de Úrsula (e a minha também). A primeira fala de Eugênia sobre este tal tomo foi em 2005. A mestra desencarnada, à época, chegou a dizer que, em outubro daquele ano, gostaria de ver o livro publicado. E eu comecei a ser o maior sabotador do trabalho – o mais criativo e o mais inventivo que um ser humano pode se fazer, quase sem remorso. Tudo foi motivo para eu adiar, bloquear, boicotar, impedir que a publicação ocorresse, mesmo sabendo haver partido dos Orientadores espirituais o comando. Os argumentos não paravam de chegar, por via espiritual, como em conversação fraterna com os amigos encarnados, que festejavam a possibilidade de tecer em público os naturais arroubos do coração, acerca de quem eles veem como professor-pai, completamente suspeitos, no meu entender, é claro (risos). – Você é nosso garoto-propaganda, o estafeta de nossa Escola. Se não quer dar publicidade a seu nome, por que escolheu concretizar sua vocação de divulgador das ideias de imortalidade ante multidões imensas, pela TV? – Os que maldizem falam à vontade (padecimento comum a toda pessoa exposta na mídia). Por que nós, que lhe queremos bem e realmente o conhecemos na intimidade, não podemos dizer ao mundo quem você é? – Não deixar se publique uma obra que divulgue o nome do porta-voz de Eugênia é o equivalente a sabotar a própria Mestra, dificultando a disseminação das salvadoras ideias de libertação e superação das culpas e dos preconceitos, bem como de perseguição da felicidade, com bases espirituais, que Ela propugna se adotem. – O Salto Quântico não é propriedade sua. Você não pode decidir isso sozinho. Modéstia não cabe aqui: isso é necessário para a Organização; e, da sua parte, mais que modéstia, é frescura mesmo! (pegaram pesado, não foi? – risos). Em 2006, Aline e, por fim, Delano vieram a se somar ao empenho de Úrsula, por determinação dos Mentores desencarnados. E apenas em 2008, quando não havia mais como eu arranjar contra-argumentos para adiar ou cancelar a publicação (porque sempre alegava que existiam prioridades mais sérias a investir o dinheiro), os amigos mais íntimos (além dos três autores), como Maisa Marante, Paulo Soares, Priscilla Teixeira e Wagner Mendes, “colocaram o pé na parede” (*1) e sugeriram que o livro fosse lançado eletronicamente. Assim, não cabia mais a desculpa de que não poderíamos aplicar verbas da Instituição no empreendimento. Fiz, no entanto, uma exigência, que pareceu radical, emocional e provisória, mas que mantive de pé, sem vacilações, por longo tempo, deixando alguns dos envolvidos à beira do pânico: não leria absolutamente nada, antes da publicação. Leria junto com o público. Ou isso, ou nada (porque já sabia que ter acesso ao conteúdo, antecipadamente, me levaria a surtos sucessivos contra a iniciativa deles e dos bons espíritos). A agonia, porém, foi deles tão-só, acostumados a tudo passarem por minha supervisão e palavra final, eis que os conheço muito a fundo para saber que jamais aprovariam alguma assertiva ou depoimento que me desagradassem seriamente. Vocês venceram, camaradas – dos dois Lados da Vida. Obrigado pelo carinho com que revestiram meu nome, em um empreendimento desta envergadura e jaez, muito, mas muito além mesmo de qualquer ordem de honraria que eu mereceria algum dia receber. Compreendo, entrementes, duas coisas que me sustentam, neste instante de provação maior, por ver meu nome e minha pessoa apresentados muito acima do que sou, embora possa este modelo traduzir um protótipo do eu que venha a ser ou em que deva me esforçar por me converter, dada a grave responsabilidade que constitui representar a Espiritualidade amiga, no domínio físico de vida, em particular a Equipe de Mestres Espirituais liderada pela sábia e santa mestra Eugênia: 1) estou funcionando como um canal vivo para Eles, de modo que vocês resolveram pintar as paredes do ducto, para deixá-lo mais agradável à passagem dos Ilustres que por ele trafegam; 2) terei que me fazer mais circunspecto e empenhado no esforço de autorreforma (sem os delírios egoicos dos projetos excessivamente audaciosos), a fim de que possa me tornar, paulatinamente, mais digno merecedor da amizade, do respeito e da admiração de tanta gente decente, lúcida e de bom coração, como vejo pulularem nos círculos dos componentes de nosso, como diz a Mestra desencarnada: “colégio de almas irmãs”. Pois é… por mais estrambótica que soasse, no primeiro momento, a profecia se concretizou: tanto Úrsula como Aline já conviviam comigo, desde meados de 1995 (comemoramos, anualmente, a data de aniversário de nossa amizade: 27 de julho). Eles devem ter lá seus motivos para assim agirem. De minha parte, continuo, de todo coração, sentindo-me um sapo mediúnico, precisando adquirir melhor aspecto ante Aqueles que represento, Seres de tal Beleza Espiritual, que somente os posso entender em contato comigo, pela dimensão coletiva que Seu trabalho apresenta, por meu intermédio. É meio fora de esquadro a ideia de um livro com pretensões biográficas ser lançado antes que o biografado conclua seus 40 anos. Tenho 39 inconclusos, a serem completados em outubro deste ano. Mas imagino que a ocasião de celebrar os 19 anos da parte pública de nossa Instituição (dia de publicação de meu primeiro artigo na imprensa – 26 de abril de 1990), nos 21 anos de trabalho mediúnico com a Mestra espiritual Eugênia, pode-me servir de baliza para a autorreflexão e, principalmente, para a autocorrigenda e ajuste de rota, na direção do melhor a acontecer, nos próximos anos que à Divina Providência aprouver me conceder, na existência física que atualmente desfruto. Faço, por fim, um pedido enfático, muito, muito enfático mesmo: que os amigos e admiradores de nossa Escola de Pensamento Espiritual-Cristão intensifiquem suas preces pela melhoria de tão deficiente personalidade como a minha, para mister tão sagrado qual o que abraço há duas décadas, de molde a que – conforme disse, certa vez, alguém que muito admiro – “erre menos e acerte mais”, na condição de intérprete e porta-voz da Espiritualidade Sublime na Terra. Amigo e irmão em ideal,
(*1) Expressão que significa “obstinar-se”, para alcançar determinado fim. |
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