Cibele – O Anjo Auxiliador.

(Capítulo 1.)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

O grupo estava aflito. Em preces ardentes, os cinco componentes daquela reunião íntima pediram socorro a Cibele, alma elevadíssima que se revelara não só guia do centro espírita que formavam, mas também da cidade inteira. Dona Carminha, médium dotada de excelentes faculdades psíquicas, anunciou, em lágrimas, comovendo a todos, em seguida:

– Ela está aqui! Nossa adorável Cibele está aqui!…

De fato, envolta em magnífico halo de luz branca, uma figura seráfica de mulher loura, olhos azuis cintilantes, de beleza extraordinária, surgiu no centro da sala, proveniente de frequências muito altas do espírito, recordando, em muito, as fadas dos contos infantis. Voz dulcíssima, arrastando a articulação do Português, num leve e mimoso sotaque que lhe traía origem francesa, a ninfa do paraíso falou, sendo reproduzida, quase palavra a palavra, pela veneranda senhora que se fazia intermediária entre a preclara comunicante e os encarnados que lhe suplicaram ajuda.

– Tenham calma e confiem em Deus. Nada acontece fora dos planos da Divina Providência. O que hoje parece de todo perdido amanhã se converte em maravilhosa oportunidade de soerguimento…

Voz embargada, Dona Carminha, semiconsciente, na clariaudiência e automática repetição dos vocábulos, em transe profundo, ouviu quando o mais novo componente do grupo, um jovem afoito, com pouco mais de 28 anos, assacou, sem pestanejar:

– Com todo respeito à grandeza de suas colocações, anjo Cibele, temos que seguir a orientação kardequiana da razão e do bom senso. Não vejo como nos sentirmos tranquilos, em situação como esta. Despejaram-nos da casa que alugamos para realizar nossas tarefas doutrinárias e caritativas, depois de uma sanha perseguidora que nos atormenta há mais de dez anos, desde que me integrei ao grupo. Só podemos continuar neste prédio por mais uma semana e não temos qualquer perspectiva de para onde ir. Como poderemos compreender o socorro de Deus se, desde que este modesto núcleo de atividades espírita-cristãs apareceu, só descobrimos adversidades as mais cruentas e encarniçadas? Os católicos não nos deixam em paz, os evangélicos lhe fazem coro, e, agora, até o poder público, na pessoa do prefeito, em consórcio com vários componentes da Câmara dos Vereadores, se mobilizaram, extraoficialmente, para convencer o senhorio deste prédio – o último que nos aceitou como inquilinos na cidade –, a nos pôr à rua. Se não temos condições de trabalhar no bem, como haveremos de ter fé no Bem?

Cibele, inalterável, prosseguiu, reproduzida por Carmen, que não chegava a incorporá-la, porém:

– A Bondade e Sabedoria de Deus têm caminhos desconhecidos de solução. Estou autorizada a notificá-los de que ainda hoje a questão será resolvida, de molde a que os amigos devotados possam dar continuidade a seus misteres nobilíssimos no campo do altruísmo em várias frentes. E, quanto ao futuro, importa dizer que eu mesma descerei a estar com vocês, muito breve, em romagem carnal de alguns anos, que podem se converter em muitas décadas, conforme o andamento dos acontecimentos no plano físico, com que facearei na próxima existência.

Um sobressalto tomou a todos. Entre os cinco, dois, imediatamente, levantaram suspeitas quanto ao acerto da informação. Não lhes soava verossímil que Cibele, o anjo que reverenciavam como ser de escol, encarapitada no domínio sublime de vida, viesse, em pessoa, estar entre eles, ostentando um corpo de carne. A idéia de “animismo” e de “mistificação inconsciente” bailou-lhes nos cérebros. Ouvindo-lhes as apreensões ocultas, que jamais verbalizariam, para não ferir a susceptibilidade de D. Carminha, que sabiam honesta e portadora de bom coração, prosseguiu Cibele:

– E, para que não atribuam esta revelação ao inconsciente de uma senhora idosa pouco letrada, recordo-lhes o que disse há pouco: hoje à noite ainda, a situação do aluguel da casa e da permanência deste núcleo de atividades cristãs será resolvida, o que, em bases racionais, os companheiros estimados também reconhecem ser pouco provável.

As duas criaturas assaltadas pelo demônio da dúvida, sentindo-se flagradas, inquietaram-se, um deles limpando a transpiração da testa e piscando os olhos várias vezes; uma outra revolvendo-se na cadeira, como a ajustar a barra da saia. Zacarias, o mesmo jovem que não chegara aos 30 anos, tomou da palavra, novamente, por ser o mais articulado e desinibido do pequeno círculo de confrades, fazendo-se-lhe porta-voz:

– Ficamos muito agradecidos por sua iniciativa, nossa tão venerável Cibele. E aguardamos, em Deus, a concretização de sua promessa. Sabemos, porém, que a reencarnação é um evento de vulto, que demanda anos para propiciar início das tarefas planejadas antes do berço. Neste ínterim, entre sua vinda à Crosta, em corpo físico, e sua chegada à fase adulta, como conduziremos as atividades do grupo?

Cibele não se fez esperar, palavra a palavra repetida por Carmen:

– Não ignoram, os queridos amigos, que apenas muito esporadicamente tenho condições de me manifestar e mesmo visitá-los, em função de compromissos que me prendem a outra faixa de Consciência. Muitos irmãos dedicados e abalizados de nossa esfera de ação me têm representado por conta disso, alguns deles conhecidos seus, pelas faculdades de comunicação paranormal não apenas de Carmen, como de outros companheiros de trabalho no intercâmbio mediúnico. Serão eles que, capitaneados pela amável entidade que atende por Jorge, farão as vezes de orientadores do grupo, nos próximos dois decênios e meio de minha ausência. Se, em um quarto de século, este centro de serviço se mantiver ativo e sintonizado com a Luz, somarei esforços a todos, lado a lado, em consórcio de empenho, na direção de realizações de vulto para o porvir.

Zacarias, conhecido por Zacá, entre os íntimos, prosseguiu no diálogo, empolgado:

– E o que tão nobre dama do Plano Excelso se daria ao trabalho de fazer, reencarnando para unir-se a núcleo tão modesto como o nosso? Imaginaria que, pela dimensão de sua envergadura evolutiva, reencarnaria na capital da República, nossa maravilhosa Rio de Janeiro, a engajar-se na Casa-Mater do Espiritismo, a FEB. Ou teríamos, na amiga, alguém que se poderia comparar ao médium de Pedro Leopoldo, o famoso Chico Xavier, que, de uma cidade minúscula do interior brasileiro, qual a nossa, psicografa para milhões de pessoas, em todo o país e além fronteiras?

Cibele sorriu, afável, e, aproveitando o entusiasmo vibrante e idealista do interlocutor, disse-lhe:

– Nascerei muito próxima a ti, meu prezado Zacarias, mas não serei, de modo algum, uma figura de vulto como nosso cândido Francisco. Terei, porém, responsabilidades de expressão que alcançarão todo o Estado, não se restringindo aos limites de nossa cidade. Escreverei, sim, mas para a imprensa local, e, provavelmente, farei uso até de outros meios de comunicação de massa, dificilmente chegando a assumir compromissos com o país inteiro, muito menos com pátrias estrangeiras, como minha saudosa França.

A palestra adentrava, animada. Depois de algum tempo, falando, em linhas gerais, de sua futura breve reencarnação, Cibele passou a detalhar assuntos íntimos dos presentes, desconhecidos da médium, levando os dois céticos a corarem de remorso, enquanto a alegria retomou o ambiente, gradativa mas substancialmente, de tal modo que, ao terminar a comunicação sem incorporação, que durou mais de duas horas, os cinco amigos mal se recordavam da aflição imensa que lhes introduzira no pedido de socorro à ilustre mensageira do Céu. Mal D. Carmen, visivelmente exaurida, no esforço neurológico da atenção na psicoaudiência, recobrava o domínio sobre si mesma, bebericando um copo d’água que lhe serviram, solicitamente, alguém bateu com firmeza à porta principal do centro, em sala contígua à em que estavam. Zacarias consultou o relógio de parede próximo à mesa de atividades mediúnicas, seguido dos demais companheiros, um deles procurando informar-se pelo relógio de pulso: 23h40.

– Quem será a esta hora? – verbalizou uma das assistentes.
Domênico, o senhor cético, com relógio ao pulso, dono de uma barraca muito frequentada na feira da cidade, que vendia quinquilharias ao mulherio casadoiro (moças estas que, sabendo de sua “parte com os espíritos”, imaginavam que os tais adereços de beleza, por ele vendidos, continham sortilégios a lhes facilitarem a caça e encontro do partido ideal ao casamento), tomou a iniciativa:

– Deixem por minha conta. Vou ver do que se trata.

Todos passaram a sussurrar amenidades, com a mente gravitando entre a curiosidade com a visita inesperada, tão tarde da noite, e o pasmo de encantamento residual, pela manifestação de Cibele.

– D. Irma? O que a traz a esta hora por estas bandas? – exclamou Domênico, ao encontrar a esposa do senhorio do centro, olhos visivelmente avermelhados e inchados.

– Vim sozinha, apesar da hora, porque Tarcísio se recusou a me acompanhar, depois de empenhar a palavra ao prefeito e ao padre da matriz que os poria para fora de nosso prédio. Estou enlouquecida de desespero, e dor de mãe não tem fronteiras, nem respeita preconceitos. Meu caçula, Tarcisinho, apareceu com febre misteriosa e muito forte, ao cair da tarde. Dr. Armando, chamado às pressas, disse que pode ser escarlatina e que ele corre sério risco de morte. Procurei o padre Donato, aquele hipócrita – desabafou, abaixando o tom de voz e olhando em torno, ainda na calçada da porta do centro –, que apenas me aconselhou entregar os filhos a Deus, caso tenha chegado a hora de eles “serem devolvidos”, e recusou-se a visitar-nos, dizendo que suas orações à distância fariam o mesmo efeito.

– D. Irma, desculpe-me a indelicadeza; entre, por favor. Estava tão chocado com sua história, que não me dei conta da falta de cavalheirismo que me acometeu.

A essa altura, os outros quatro já se encontravam na sala central que dava para a porta de entrada, fazendo luz alta no ambiente, em meia-claridade até o momento, pois que estavam na sala reservada a serviços mediúnicos. Irma, além de transtornada, segurando um lencinho cor de rosa e ostentando cabelos desgrenhados, vestido simples, claramente para uso doméstico, aparentava, mais que tudo, fundo constrangimento, ante os que compunham a seleta equipe de trabalhadores do Cristo. Zacarias tomou a palavra, novamente:

– D. Irma, ouvimos todo o seu parlatório; escuse-nos, por favor, mas foi inevitável, pelo sobressalto que nos causou alguém nos procurar quase à meia-noite. Todavia, creio que a situação demande urgência. Sugiro que nós cinco a acompanhemos, se não for invasivo de nossa parte e se seu companheiro não se opuser à ideia, a fim de que ministremos o recurso salvador do passe, em súplica de ajuda a Nosso Senhor Jesus, pela saúde de seu tesouro do coração.

Os quatro, que ouviam atentamente a proposta de Zacarias, que os fitou nos olhos, a cada um, menearam a cabeça, com veemência. Irma entreabriu os lábios, na tentativa de agradecer à fraternidade ímpar do grupo que poderia recebê-la enxotando-a, mas acabou prorrompendo em choro convulso, involuntariamente. Carmen foi quem a amparou, ato contínuo, envolvendo-a em abraço maternal, mudando visivelmente o tom de voz, de modo a sensivelmente revelar o sotaque de uma francesa imigrante… sim… em vez de tão só repetir-lhe as palavras, a médium agora incorporara o Anjo Cibele, emocionando a todos.

– Non se perreocupe, perrezada irmã. Nosso Serhorr Jesus darrá o conforrto necessárrio a nossas dorres. Exorremos a Ele a bênção da curra de seu tão carro farrrdo do corração. Tudo farremos por salvarr a bênção da vida física de seu pequerrucho. Vamos, sem mais delongas, a seu larr.

Os quatro demais componentes imediatamente se recordaram da previsão-promessa, noticiada há poucos minutos, pela própria Cibele, de que se resolveria a questão do aluguel da sede, ainda naquele dia (antes da meia-noite, portanto), o que, de fato, se deu. Os cinco integrantes do grupo mediúnico ministraram passes e oraram no transcurso de toda a madrugada, revezando-se nas preces, em voz baixa, na cabeceira do enfermo. Como era madrugada de domingo, não foi difícil unanimemente decidirem-se por não voltar para casa, despachando Zacarias, como mais novo, a avisar seus familiares respectivos de que se encontravam em vigília de oração por um doentinho, tornando o próprio mensageiro a reunir-se aos quatro, por fim, quando já passava das duas horas. Ao raiar do Sol, o jovenzinho de dez anos jazia no leito dormindo placidamente com a febre completamente debelada…

O centro, daí para sempre, não só prosseguiu no mesmo endereço, como teve o aluguel suspenso e a presença assídua de mais uma família de participantes: Tarcísio, Irma e seus filhos, incluindo o pequeno Tarcisinho.

(Observação: Continua na próxima semana.)


(Texto recebido em 23 de abril de 2009. Revisão de Delano Mothé.)


Convite
:

UMA EXTRAORDINÁRIA SURPRESA E DOIS “PLUS”.

Para dar o aviso sobre evento fora do padrão, eu mesmo tinha que vir falar com o(a) prezado(a) amigo(a), admirador(a) ou seguidor(a) do Pensamento de nossa tão estimada mestra espiritual Eugênia e Sua plêiade de sábios do Plano Sublime de Vida.

Desde 2003, a Sábia Orientadora desencarnada alertou-me para este acontecimento, que somente agora, passados seis anos, tem oportunidade de se concretizar. Disse-me Ela, à época, que seria um divisor de águas na história da Instituição. Uma surpresa à altura da data que celebramos neste dia 26 de abril: os 19 anos da publicação de meu primeiro artigo na imprensa comum, que marca o início da Fase Pública do Instituto Salto Quântico – com 21 anos de existência, contados desde a primeira ocasião em que tive contato mediúnico com a adorável Mentora espiritual.

Para este dia especial, teremos apresentação artística da Banda Salto Quântico, bem como ilustrações audiovisuais cuidadosamente escolhidas para o evento, conforme determinação do espírito Temístocles, o especialista em psicologia e simbolismo de cinema, que me inspira nesta atividade. É na seara de responsabilidades deste orientador espiritual, um dos melhores amigos e colaboradores desencarnados de nossa Organização, que será divulgado o surgimento de nova atividade semanal no Instituto Salto Quântico, com anúncio a ser feito também neste domingo. O segundo “plus” diz respeito a nova etapa de expansão do Salto Quântico, que também será noticiada na palestra deste 26 de abril.

Ao fim da noite festiva, como sempre acontece nestes nossos encontros domingueiros, a bondosíssima e sapientíssima Eugênia estará entre nós, por meio de fenômeno psicofônico, revelando sua sabedoria incomparável, na meia hora final da reunião, não só dando prova espetacular da imortalidade da alma humana, ao discorrer sobre assuntos íntimos dos presentes, que fogem a meu conhecimento, como ainda ofertando-nos a sabedoria de Seres ainda “mais elevados” que Ela, como, muito modestamente, costuma me dizer.

Os passes começam a ser ministrados às 19h15, encerrando-se às 19h45, com a palestra realmente se iniciando às 20h, no auditório confortabilíssimo da Sociedade Semear, Rua Vila Cristina, 148, Bairro São José.

Para obter mais algum dado que o(a) amigo(a) julgue importante, ligue para 3041-4405, ou envie e-mail para perguntas@saltoquantico.com.br. Vale relembrar, outrossim, que a primeira visita a estas nossas preleções semanais tem cortesia garantida, pela direção da Casa.

Amigo e irmão em ideal,

Benjamin Teixeira.
Aracaju, 22 de abril de 2009.

Colabore com o Instituto Salto Quântico e ajude a levar adiante a palavra da Espiritualidade.

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