Diálogos com o Espírito Eugênia-Aspásia

3 de março de 2009
 

Desligamento Formal do Salto Quântico do Movimento Espírita.

(Diálogo com o Espírito Eugênia)

Benjamin Teixeira,
em diálogo com o espírito
Eugênia.

(Benjamin) – Prezada mestra, poderia nos dizer alguma coisa sobre sua proposição, no dia 6 de dezembro do ano passado, de nos desligarmos oficialmente do Movimento Espírita e não mais adotarmos a filiação ao Espiritismo como religião formal, nem sequer fazendo uso da qualificação “espírita”, o que levamos a efeito naquele mesmo mês, em palestra pública do dia 14 de dezembro de 2008?

(Eugênia) – Sim, com satisfação. Foi apenas um movimento natural de amadurecimento de nossa Instituição, que, desde o berço, gozava de vocação ao ecumenismo, a uma visão universal e não-discriminatória de filiações religiosas, bem como à ótica contrária a toda ordem de preconceitos, quais os de origem racial, étnica, cultural ou mesmo de caráter sexual e social. Não somos espíritas. Somos uma escola de pensamento espiritual, embora, “lato sensu”, possamos nos dizer espiritistas, quando interpretamos o termo na acepção de quem aceita os princípios universais de (1) imortalidade da alma, de (2) comunicabilidade entre as dimensões física e extrafísica de vida e de (3) reencarnação, como meio de se processar a evolução da Inteligência, rumo à definitiva imersão no seio do Criador.

É uma tendência dominante, em todos os meios cultos do planeta, o afastarem-se as criaturas de todos os “ismos”, para que haja legítima fraternidade entre os seres humanos. Observemos os excessos fratricidas do fanatismo religioso, perpetrados entre muçulmanos e judeus, no recente recrudescimento dos conflitos na Faixa de Gaza – sem desrespeito às outras causas da complexa etiologia na questão –, e verificaremos como o sectarismo e o proselitismo religiosos constituem fatores com alto poder de devastação da dignidade humana e dos valores mais nobres que nos tipificam a natureza de legatários da eternidade. A História é rica em exemplos de como o confronto de credos enlouqueceu indivíduos e comunidades inteiras, propelindo povos – alguns pacíficos – a movimentos belicosos e genocidas.

Nosso Senhor Jesus asseverou que, um dia, o Pai seria adorado em Espírito e Verdade. Afirmou o Gautama Buda que não se seguissem as idéias de terceiros, sem endosso da própria experiência – fossem quais fossem os conceitos, fossem quem fossem os seus proponentes –, incluindo a Si mesmo, nessa reserva ao que vem de fora, ou seja: nem mesmo as Suas palavras deveriam ser levadas à conta de verdade absoluta. Confúcio, por sua vez, não criou qualquer religião, avesso a doutrinas religiosas e a atividades de insulamento da criatura em seu reduto de crença particular. Lao Tsé era um místico eremita, e nunca propôs, igualmente, o surgimento de uma nova tradição espiritual. Observe-se que citamos as pedras fundamentais de quase todas das maiores religiões do globo, respectivamente: Cristianismo, Budismo, Confucionismo e Taoísmo.

Quando partimos para o campo dos estudos mais laicos, científicos, então, a recomendação à não-filiação religiosa faz-se ainda mais severa. Para dar uma noção de quão grave é a abordagem psicológica ao assunto, Jung, grande especialista nas questões profundas da psique – acusado de místico, no sentido pejorativo do verbete, pelas correntes mais conservadoras e pela maioria esmagadora das academias psiquiátricas e psicológicas ainda hoje, em funcionamento no plano físico –, que seria de se esperar aparecesse como uma voz da Psicologia e da Psicanálise a oferecer algum respaldo à vida religiosa, chegou a asseverar, categoricamente, que as religiões são inimigas da legítima experiência espiritual.

Com isso, não estamos, de modo algum, nos colocando contra religiões ou religiosos. Os partidos de crença e correntes de pensamento religioso continuarão a existir, por séculos. Todavia, precisamos compreender, e sugerir seja alastrado (mormente entre os próprios profitentes de religiões formais), o espírito de convivência pacífica entre todas as pessoas, não importando qualquer elemento de definição religiosa, política, cultural, racial, sexual, etc. Há aqueles que precisam e vão continuar precisando, por muito tempo ainda, estar adeptos de determinadas organizações da religião convencional, e poderão realizar muito o bem, para si mesmos como para todos que estiverem em seu raio de influência pessoal, se souberem extrair as lições essenciais de sua doutrina religiosa, já que todo colégio de crença baseia-se no princípio universal do Amor. No instante, entretanto, em que o desprezo e o ataque a outras manifestações de fé começam a surgir, as forças do mal se congregam para neutralizar qualquer canalização do bem que poderia acontecer, na conexão mística que o indivíduo desejava, originalmente, estabelecer, por meio de seu cânone de dogmas.

(B) – O Instituto Salto Quântico, então, a partir de agora, pode ser definido como?

(E) – Como uma Escola de Pensamento Espiritual, com feição cristã. Não podemos negar nossas origens e os princípios que seguimos, porque temos como Mestre Supremo, em nosso Educandário, a Figura Venerável de Nosso Senhor Jesus Cristo.

(B) – E como podem denominar-se os que freqüentam as atividades de nossa Instituição ou se sentem seguidores das idéias aqui propaladas, ainda que à distância, pelos programas de TV ou mensagens mediúnicas publicadas no site ou em livros?

(E) – Não precisam se denominar de nada (risos). A necessidade de rótulos, por si só, já representa uma problemática a ser debelada, porque revela que o indivíduo, subliminarmente, se sente na obrigação de encaixar-se nas informações da embalagem ideológica, em vez de colocar, como matéria prevalente na condução de sua existência e na sua forma de raciocinar e avaliar o mundo, o que provém das entranhas de sua própria essência espiritual, com legítima base divina, tal qual o faziam e fazem todos os gurus, luminares e mestres, desencarnados ou encarnados, de hoje ou de ontem, da nossa ou de outras culturas.

Obviamente que o bom senso e a lucidez determinam que reverenciemos aqueles que estão à frente de nós, no trajeto evolucional, até mesmo para que possamos crescer mais, aprendendo com eles. Todavia, que não haja submissão absoluta a nada nem a ninguém, mas apenas à própria consciência, que, educada, favorecer-nos-á descobrir um caminho de respeito às nossas idiossincrasias, concomitantemente à submissão voluntária a princípios universais de convivência pacífica e solidária com os irmãos em humanidade, quanto com outras espécies e com a criação divina, como um Todo. Mas, se o amigo ou amiga que nos seguem as propostas religiofilosóficas tiver uma necessidade maior, no que concerne à definição pública de fé, pode-se dizer, livremente, cristã(o) ou, até mesmo, espírita (naquele sentido amplo a que aludimos acima), espiritualista ou estudante da Espiritualidade, como queira…

(B) – Interessante. Mais algo a declarar sobre este assunto?

(E) – Não. Agradecida pela oportunidade ofertada ao esclarecimento da delicada temática.


(Diálogo mediúnico entabulado em 1º de março de 2009. Revisão de Delano Mothé.)




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